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Androginia é marca de valorização estética na cultura japonesa

- 09/09/2013

A fusão de características femininas e masculinas no corpo e no comportamento é considerada sinônimo da busca pela perfeição

Joana Oliveira e Paula Morais

A mistura de traços femininos e masculinos, um dos elementos típicos da cultura pop oriental, não existe apenas na caracterização dos cosplayers e crossplayers. Ela também está presente na dança, na televisão, na literatura e no teatro. Em entrevista para o site da Folha de S. Paulo, a pesquisadora e autora de Japop – O Poder da Cultura Pop Japonesa, Cristiane Akune Sato, disse que a aparência parecida entre homens e mulheres japoneses favorece a androginia. “No Japão, você olha e é um mar de gente parecida. Quase todos têm a mesma altura, cor de cabelo, tom de pele. Homens e mulheres, lá, têm diferenças sutis. E as pessoas costumam elogiar dizendo que aquele homem ‘é tão bonito quanto uma mulher’”, explica.

Segundo Sato, enquanto no ocidente as características físicas são influenciadas pela concepção estética dos gregos, com gêneros bem marcados, os japoneses utilizam a androginia como maneira de enaltecer o belo e buscar a perfeição. O homem vestido de mulher no Japão, na tradição do teatro Kabuki, por exemplo, se trasveste com o objetivo de ser belo tanto quanto seria uma mulher em cima do palco e não representar uma imagem cômica e bizarra.

Exemplo disso é a formação de grupos de ídolos japoneses crossdressers como o Fudanjuku. O grupo musical é formado por oito mulheres que se vestem de garotos. Cada qual representa uma personalidade e possibilidade para as fãs femininas encontrarem o homem ideal de acordo com sua fantasia de príncipe encantado. Para Ricardo Silva, a androginia na cultura japonesa tem valor primordial na construção do que é belo para eles. “A androginia é muito forte na cultura pop oriental. Há uma valorização da beleza andrógina, é uma questão estética”.

Fantasia e realidade – Roberto Mizushima defende, no entanto, que esse crossdressing se faz presente apenas nas artes. “É só uma questão de tradição ligada à cultura. Não passa de encenação e fantasia. O crossdressing não ultrapassa essa barreira e chega a realidade, ao cotidiano”, diz.  Para Natália Matos, pelo fato de a sociedade japonesa ser conservadora, se colocar no papel do sexo oposto é uma forma de escape para a libertação sexual. “O Yaoi é um tipo de mangá feito para meninas, porém com conteúdos homossexuais entre meninos. A menina se coloca no lugar de um dos meninos do casal porque é mais fácil fantasiar do que viver aquilo como menina dentro de uma sociedade machista”, explica ela.

Esse escape é considerado pela comunicóloga e pesquisadora em cultura japonesa, Sonia Luyeten, como maneira dos japoneses canalizarem seus desejos e emoções, antes reprimidos. “Se de um lado os mangás e animes endossam o controle social, de outro oferecem uma possibilidade de fuga por meio da fantasia. Vivenciando na fantasia o que não pode concretamente realizar no cotidiano”.

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Clipe da banda Fudanjuku – meninas que se vestem de meninos

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