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Circuito das Artes promove intercâmbio com produções de Brasília e Recife

- 12/08/2013

Voltado para o fomento do mercado de artes visuais na Bahia, o projeto realiza pela primeira vez este ano mostras coletivas em outras duas cidades

 

Simone Melo

 

Os trabalhos de nomes consagrados e de jovens artistas na área das artes visuais ganham espaço a cada ano no Circuito das Artes. A sexta edição do projeto está em curso e se estende até outubro, inaugurando nova fase com mostras coletivas em Recife e em Brasília. Depois de passar pelas duas cidades, a exposição retornará para Salvador, com encerramento no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA).

Diferente de outras iniciativas que envolvem a valorização da produção nas artes plásticas, como os Salões de Artes Visuais da Bahia, o Circuito das Artes está direcionado para o mercado. Na primeira etapa, que aconteceu em Salvador entre os dias 6 e 21 de julho, aproximadamente 3.500 visitantes circularam entre a Ladeira da Barra e o Canela para apreciar as 180 obras à venda, distribuídas entre sete galerias da região: Galeria do Instituto Cervantes, Galeria da Aliança Francesa, Museu Carlos Costa Pinto, Galeria da Acbeu, Galeria do Goethe-Institut, Palacete das Artes e Galeria Cañizares.

Cada um dos 60 artistas selecionados enviou três trabalhos em pequeno formato, com até 50 cm de dimensão, para venda a preços acessíveis. A orientação encaminhada pela organização é que seja cobrado um valor abaixo do comercializado nas galerias, dentro da faixa estabelecida. Na primeira fase, os preços variaram de R$ 80,00 até R$ 7 mil.

Duas obras de Ayrson Heráclito foram adquiridas no dia da abertura do evento. “O comprador já estava interessado e aproveitou a oportunidade para levar os trabalhos a preços mais em conta”, explica o artista, que expôs fotografias de still de vídeo, impressas em papel de algodão.

Os negócios, porém, atingem ainda uma faixa muito pequena, segundo Eneida Sanches, coordenadora geral e idealizadora do projeto. “As vendas aumentaram ao longo dos anos e começaram a abarcar um público mais jovem, mas ainda é algo muito sutil”, afirma. Ao todo, no período das exposições em Salvador, foram vendidas oito obras. Cada autor recebeu 80% do valor da compra e o restante foi doado à galeria que abrigou o trabalho durante o Circuito.

Para Eneida, a principal proposta da iniciativa é estimular a produção local e a ampliação da circulação nos museus. O artista plástico Anderson AC avalia que a continuidade da ação fortalece o mercado de arte da Bahia.

“A grande vantagem desse formato de exposição em vários lugares é a quantidade de artistas que você pode colocar em evidência e também o fluxo de pessoas que fazem o percurso”, opina Gaio Matos, que participou pela terceira vez este ano, com fotografias.

Triangulações – Pela primeira vez desde que o Circuito das Artes foi criado há oito anos, o projeto vai realizar um intercâmbio com a produção de outras duas cidades brasileiras. Durante o segundo semestre, serão realizadas mostras coletivas em Recife (com curadoria de Cristina Tejo) e em Brasília (com curadoria de Marilia Pañitz).

Na etapa batizada de Triangulações, vinte artistas residentes na Bahia foram escolhidos para participarem de uma exposição ao lado de autores locais. Cada um vai expor um único trabalho em formato maior do que o já apresentado.

Os artistas Gaio, Anderson AC e Ayrson Heráclito, que vão participar do intercâmbio, desenvolveram desdobramentos das séries expostas em julho para apresentarem nas coletivas. Para Anderson AC, a experiência de itinerância permite uma conversa com os artistas de outros estados, além de promover uma identificação do público. “Recife e Brasília vão receber uma atualização do repertório produzido em Salvador”, diz.

A etapa amplia o foco do projeto, conforme avalia Andrea May, artista visual e uma das curadoras desta sexta edição. “No início, o Circuito selecionava materiais comercialmente mais atrativos que o mercado absorveria com facilidade. Agora, por causa das Triangulações, o critério passou a ser mais rigoroso, principalmente quanto à análise de conteúdo”, afirma.

O objetivo é dialogar com as produções fora do eixo Rio-São Paulo, roteiro convencional das artes visuais. “A proposta é levar para outras cidades algo que represente uma conversa com o que foi feito na Bahia nos últimos tempos. Também queremos trocar ideias com lugares que ainda estão um pouco à margem”, explica Alejandra Muñoz, curadora geral. Para o próximo ano, a organização cogita  incluir outras capitais como sede do projeto. Entre as possibilidades estão Belém, João Pessoa e Fortaleza.

 

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