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Criadores autônomos de apps disputam espaço com grandes empresas

- 10/07/2013


Enquanto criadores independentes tentam tornar seus apps populares, grandes empresas chegam a cobrar R$ 1 milhão por aplicativo 

Renato Alban e Thais Borges

Com mais de 100 bilhões de aplicativos instalados em todo mundo, o mercado dos softwares produzidos para smartphones e tablets abre os olhos dos programadores que vêem no nicho uma possibilidade de garantir uma renda extra. É o caso do programador Rodrigo Rocha, 28 anos. Há quatro anos, ele decidiu apostar no comércio de apps e montou a RoDen Apps com a esposa, a designer gráfica Denise Vaz, 28.

“Quando vi na revista Veja a história de Renato Pessanha, desenvolvedor brasileiro que ganhou US$ 10 mil em quatro meses com um jogo de forca, vi a oportunidade de ganhar dinheiro fazendo o que gosto”, contou Rocha, que tem uma renda mensal de R$ 1.800 com os 13 apps que criou. E a expectativa dele e de outros desenvolvedores é que o número de usuários de apps aumente no Brasil nos próximos anos.

De acordo com o Mobile Entertainment Fórum Latin America, o Brasil já ocupa o décimo lugar entre os principais mercados de smartphones do mundo. A previsão é que o país suba para a quarta posição até 2016. Quem quiser seguir o caminho de Rocha, deve pagar US$ 99 por ano para comercializar seu software na Apple Store ou US$ 25 (uma vez só) na Google Play. “Cada vez mais, um maior número de pessoas estará vislumbrando criar aplicativos inovadores”, projeta o professor do Departamento de Ciências da Computação da Universidade Federal da Bahia (DCC/UFBA), George Lima.

Uma dessas pessoas é Joubert Barbosa, 35, criador do Pisque, aplicativo de paquera que localiza os usuários através do GPS. A ideia surgiu depois de Barbosa, que é sócio da 4Cliques, se encantar por uma menina no ônibus. “Lembro nitidamente que após aquela garota sorrir para mim, fiquei com um pensamento persistente: nunca mais a verei novamente”. Depois, o empresário criou o Pisque para possibilitar o encontro de desconhecidos rapidamente. Hoje, três meses após o lançamento, o app já conta com mais de 500 usuários.

Os estudantes de Sistemas de Informação da UFBA, André Oliveira, 23, e Lucas Bulcão, 24, também decidiram, por conta própria, desenvolver um aplicativo, o Buzufba Mobile, que mostra onde estão os ônibus que fazem o transporte dos estudantes da UFBA pelos campi. “À primeira vista, parece aplicado apenas no âmbito da instituição, porém, pode ser expandido facilmente para outras áreas, como monitoramento de veículos terrestres e aquáticos”, conta Oliveira.

Competição global – Apesar de apontar o mercado dos aplicativos como promissor, George Lima faz a ressalva de que essa mesma abertura que torna o negócio acessível expande a concorrência ao patamar internacional. “Estratégias de divulgação, facilidade de uso, funcionalidades disponibilizadas e qualidade do software têm importante papel no sucesso ou fracasso do aplicativo. A competição em escala global, mas de pequenos programas, se encarregará de fazer a autorregulação”.

Para o colunista do caderno Tec, do jornal Folha de S. Paulo, Lucas Longo, 38, o mercado está mais difícil para os desenvolvedores individuais de apps como Barbosa. “Ele (o criador autônomo de aplicativos) ficou restrito por causa do volume de outros programadores como ele no mercado. É um mercado completamente global. O cara está na China, cria um Instagram xing-ling e vende para o mundo. Não existem mais barreiras ou fronteiras. Agora é a competição de ideias”, diz Longo, que também mantém o blog Apperitivo e é fundador do Instituto de Artes Interativas (I ai?).

Empresas X autônomos – O professor George Lima chama a atenção ainda para a tendência de grandes empresas ocuparem o mercado produzindo os melhores aplicativos já que possuem maior capacidade de investimento. Lucas Longo concorda: “Uma grande empresa vai ter muito mais dinheiro para produzir, por exemplo, jogos complexos com gráficos e jogabilidade melhores. Ao mesmo tempo, tem jogos simples que conseguem ser desenvolvidos por empresas pequenas”, lembra o colunista.

Para Rodrigo Rocha, dono da RoDen Apps, a melhor opção para os programadores que querem ganhar dinheiro com apps é produzir para empresas e, não, criar os próprios aplicativos como fez com a esposa. Longo é um exemplo desses desenvolvedores. Produzindo para empresas como a SKY, de televisão por assinatura, e a Kalunga, do ramo da papelaria, ele não vê os aplicativos apenas como fonte de renda extra. Em quatro anos, a I ai? já produziu mais de 50 apps e cobra, por software desenvolvido, entre R$ 30 mil e R$ 1 milhão. A expectativa de rendimento da empresa para este ano é de R$ 5 milhões. “Começou comigo e só comigo mesmo e, hoje, temos praticamente 30 funcionários”, conta.

A aposta dele é que mais empresas usarão aplicativos como ferramentas internas de trabalho. “Algumas empresas podem fazer aplicativos só para eliminar o papel, com um app de formulário compartilhado pelos funcionários, por exemplo”. Outra possibilidade imaginada por Longo é a de aplicativos de notícias da empresa para que os chefes se mantenham atualizados.

 

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