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De coadjuvantes a protagonistas: mulheres ocupam novo espaço na TV

- 25/01/2017

Cleane Lima

De acordo com a última pesquisa da Universidade Estadual de San Diego, na Califórnia, realizada entre 2015 e 2016, as mulheres são, nos Estados Unidos, somente 38% dos personagens principais em programas da TV aberta, a cabo e transmissão por streaming (internet). Ainda há mais para estarrecer: as mulheres ocupam apenas 26% dos postos de criação no audiovisual americano, sejam como diretoras, escritoras e produtoras.

A pesquisa também demonstrou que, quando as mulheres chegam aos importantes espaços de produção televisivas, as personagens femininas também ganham força nas tramas, quebrando antigos estereótipos. É o caso das criações e produções de Shonda Rhimes: Grey’s Anatomy, Scandal e How to Get Away with Murder. Todas contam com o protagonismo feminino de forma nada tradicional. A série Queen Sugar, da cineasta Ava DuVernay, foi criada, protagonizada e produzida por negros, além de dirigida exclusivamente por mulheres.

Indo na contramão da baixa representatividade do mercado, algumas séries televisivas têm apostado — dispensando o uso de clichês — na mulher como protagonistas de suas histórias. O Impressão Digital 126 vai listar algumas destas destacando o papel feminino em cada uma das tramas.

How to Get Away with Murder

A personagem Annalise Keating, que tornou Viola Davis a primeira mulher negra a ganhar um Emmy de melhor atriz, é uma advogada da área criminal e professora de direito da Universidade de Middleton, no estado da Filadélfia. A série é um exemplo de representatividade negra e também feminina, trazendo assuntos como a homossexualidade, estupro e racismo.

A série mostra que a mulher deve ter a força para ocupar espaços socialmente masculinos e não deixar ser abatida pela presença do homem. Em um diálogo forte, a mãe da protagonista avisa a mesma que, historicamente, os homens “roubam coisas” das mulheres, conforme pode ser visto neste trecho:

Quem disse que mulher não serve para política?
A personagem de Claire Underwood, interpretada por Robin Wright, na aclamada House of Cards, é um exemplo de que as mulheres dominam, também, a arte da política. Clarie é uma mulher de opiniões fortes. No decorrer da trama, a personagem mostra o quão é independente e importante. Em uma das cenas de maior impacto evidencia sua força em um diálogo com seu marido, o presidente dos Estados Unidos Francis Underwood (que ganha vida na atuação de Kevin Spacey).

Claire and Franck Underwood

Claire Underwood representa a mulher que não precisa da maternidade para se sentir completa. Além de mostrar que este assunto (tabu, muitas vezes) deve ser conduzido com naturalidade tanto pela mulher quanto por aqueles que a cercam. De quebra, Claire ainda toca em temas ainda mais polêmicos e socialmente menos aceitos, como o aborto — ela declara que realizou o procedimento e não demonstra vergonha pela atitude tomada.

Não me sentirei envergonhada. Sim, eu estava grávida. E, sim, eu abortei.

Ainda nas séries políticas, Scandal apresenta a personagem Olivia Pope (Kerry Washington). Ela é uma mulher negra que chega à Casa Branca com grande influência na eleição presidencial e que resolve qualquer problema — sem, vejam só, precisar da ajuda de um personagem masculino.

"It's handled! Olivia Pope sempre dar conta dos problemas.

Estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal Bahia, Isabel Cristina Assunção conta que prioriza seriados nos quais se vê representada como mulher e negra. “Tanto Scandal quanto How to Get Away with Murder possuem mulheres negras de personalidade forte e complexa. Eu aspiro ser um pouco como a Olívia e a Annalise um dia”, diz.

Quebrando Estereótipos (Heroínas não-tradicionais)
Jessica Jones é uma websérie criada por Melissa Rosenberg baseada em uma heroína de quadrinhos da Marvel Comics. A atriz Krysten Ritter protagoniza uma ex super-heroína que, após encerrar a carreira de combatente do crime, abre uma agência de detetives. Em paralelo, a websérie traz à tona assuntos que afetam especialmente as mulheres, tais como o machismo, a romantização de relacionamentos abusivos e a cultura do estupro. A história faz questão de modificar a perspectiva da personagem nas HQs. Não há a imagem da heroína como sexy e vestida em collants justos e apertados. A objetificação é substituída por força física e a sensualidade pelo senso de justiça moral.

Jessica Jones em ação sem usar uniformes curtos e nem pernas à mostra

Para ver mais protagonismo feminino em séries de TV, o ID 126 sugere: Orange is The New Black, SuperGirl, Homeland, Grey’s Anatomy, Game Of Thrones, The L Word, Homeland.

Veja vídeo com outras personagens femininas em séries americanas:

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