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Doadores de sangue são convocados para o campo

Luana Lima, Marina Matos - 03/07/2018

O mês de junho é mês de São João, férias escolares, Copa do Mundo e… Junho Vermelho. A campanha nacional, promovida pelo Movimento Eu Dou Sangue, tem como objetivo conscientizar pessoas a respeito da doação de sangue e aumentar os níveis dos bancos sanguíneos, que enfrentam dificuldades durante todo o ano. 

Com a alta movimentação nas cidades, Junho torna-se um mês ainda mais crítico no que diz respeito aos níveis de sangue. Os acidentes de trânsito, que já são recorrentes ao longo do ano – apenas em Salvador, a média é de 10 acidentes por dia – têm potencial de atingir níveis ainda mais altos com o deslocamento para outras cidades no período do feriado. Todo este contexto reflete em um aumento da demanda de urgência/emergência, cirurgias eletivas e tratamentos diversos.

A Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia – HEMOBA – lançou, no início do mês, a campanha “Doadores Hemoba – Façam parte da nossa seleção”, que foi anunciada nas redes sociais da organização, assim como em nota divulgada pela Assessoria de Imprensa no site.

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Campanha “Doadores Hemoba – Façam parte da nossa seleção”- disponível no @hemoba

 

O objetivo, além de preparar os estoques de sangue para o aumento da demanda esperado para este período do ano, é também a captação de novos doadores, visto que o órgão identificou, desde abril, uma queda de 30% a 50% no número de candidatos a doação (Fonte: Hemoba). De acordo com informações disponibilizadas pela instituição sobre o nível do estoque de cada tipo sanguíneo, os tipos A+, B+, AB+, AB- e O+ costumam apresentar níveis estáveis. Já os estoques dos tipos A-, B-  e O- costumam se encontrar  em níveis de alerta ou crítico. É possível acompanhar as atualizações sobre os níveis de estoque de cada tipo sanguíneo através do site do Hemoba.

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Crédito: Hemoba

 

De acordo com levantamento realizado em Salvador pelo ID 126, que contou com 80 colaboradores, 66% das pessoas entrevistadas nunca doaram sangue. Porém entre estas que nunca doaram, 80% têm interesse em doar, e alegam como principais impedimentos questões de saúde ou peso abaixo do permitido.  Este dado aponta para um cenário negativo que se confirma em nível nacional, visto que apenas 1,8% da população brasileira doa sangue. Levando em consideração a meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde de 3% da população doadora, estamos em um cenário abaixo do esperado.

 

A doadora Maria Tereza Barbosa revela que um dos fatores que a motivou a realizar a ação foi poder ajudar um conhecido: “O pai do meu namorado ia fazer uma cirurgia cardíaca e precisava de doações. A partir de então comecei a fazer doações regularmente”. Maria Tereza revela também que trabalhou em empresas que incentivavam os funcionários a doar sangue, além de divulgar quando os bancos de sangue precisavam de mais doadores. Ela ressalta que sente falta de mais divulgação, pois é necessário que exista estímulo contínuo para que a ação não caia no esquecimento. De acordo com o levantamento realizado pelo ID126, trazer maior visibilidade ao tema, de fato, se apresenta como um desafio, uma vez que 68% das pessoas afirmou desconhecer a campanha Junho Vermelho, reforçando, desse modo, a importância de que as estratégias de mobilização para doação sejam  mais assertivas. Caroline Urpia, assessora de comunicação do Hemoba, destaca que as estratégias utilizadas pela organização envolvem a busca ativa (ligações para doadores fidelizados eletivos à doação), redes sociais, SMS’s, matérias, relacionamento com a imprensa, distribuição de panfletos e realização de eventos, e que os resultados têm sido positivos.

 

Outro grande desafio relacionado ao tema diz respeito ao fato de que os doadores não costumam realizar a ação de forma regular. Apenas 20% dos entrevistados pelo ID126 têm periodicidade definida para doar sangue. Gabriel Mattos, estudante, é um desses e conta que doa sangue trimestralmente. “A primeira vez que doei foi aos 18 anos e foi uma doação direcionada a uma pessoa específica. A partir disso, descobri que meu tipo sanguíneo, O-, é doador universal e que eu poderia ajudar muitas pessoas, então comecei a doar com bastante frequência”, revela Gabriel. Apesar de ser um doador regular, ele é homossexual e conta que opta por mentir a orientação sexual na entrevista prévia à doação para que não seja impedido de realizá-la: “Fico triste que a gente ainda não tenha evoluído neste tipo de pensamento e que muitas outras pessoas que são homossexuais deixam de ajudar porque não são aceitas”. A restrição acontece pelo Ministério da Saúde ainda tratar como “inaptos temporários” à doação de sangue homens que tiveram relações sexuais com outros homens.

 

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Crédito: Reprodução

 

QUERO DOAR, E AGORA?

Vale ressaltar que uma doação de sangue pode salvar até quatro vidas e, para realizar a ação, existem alguns pré-requisitos que são levados em consideração para avaliar se uma pessoa está apta ou não a ser uma doadora. O infográfico abaixo mostra os critérios básicos para poder fazer a doação:

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 Marina Matos e Luana Lima

ONDE DOAR?

O HEMOBA está presente em todo o estado da Bahia. Em Salvador, existem centros em Brotas, no Hospital Santo Antônio, em Periperi e em Cajazeiras. É possível também realizar a doação em Eunápolis, Barreiras, Alagoinhas, Brumado, Camaçari, Feira de Santana, Guanambi, Irecê, Itaberaba, Itapetininga, Jacobina, Jequié, Juazeiro, Paulo Afonso, Ribeira do Pombal, Santo Antônio de Jesus, Seabra, Senhor do Bonfim, Teixeira de Freitas, Vitória da Conquista e Valença. Além disso existem unidades móveis espalhadas em diversos pontos para facilitar ainda mais o ato de doar. 

 

O vídeo abaixo informa sobre a compatibilidade dos tipos sanguíneos e apresenta dados sobre os tipos sanguíneos mais populares no Brasil.

Vídeo do Grupo Rio Brasil para o Hemocentro

 

 

 

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