Doença é mais comum em mulheres e em pessoas que não se exercitam

- 16/07/2013

Uso exagerado de analgésicos pode provocar, ao contrário da melhora, ocorrência da enxaqueca diária com aumento da frequência das crises

 Miriane Oliveira

Diferente de uma dor de cabeça comum, a migrânea, mais conhecida como enxaqueca, é um distúrbio neurovascular caracterizado, geralmente, por dor de cabeça pulsante em apenas um dos lados da cabeça, acompanhada de sintomas como náusea, vômito, sensibilidade à luz e ao som. Doença incapacitante, a enxaqueca impede o indivíduo de desenvolver suas atividades diárias. Pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cefaleia demonstrou que a doença é mais prevalente em mulheres, pessoas com nível superior e em indivíduos que não se exercitam regularmente. Publicada em 2009, a pesquisa ouviu 3.848 pessoas de 18-79 anos em todo o país e evidenciou que a enxaqueca é mais prevalente 2,2 das vezes em mulheres, e em 1,5 das vezes em indivíduos com mais de 11 anos de educação. Para as pessoas que ganham menos de cinco salários mínimos a incidência foi de 1, 56 vezes maior.

Para quem sofre com a doença o uso exagerado de analgésicos pode provocar, ao contrário da melhora, a ocorrência da enxaqueca diária com aumento da frequência das crises, como explicou o neurologista carioca Abouch Valenty Krymchantowski. “O uso regular, mais de dois dias na semana, de qualquer tipo de medicamento sintomático, para as crises de dor, aumenta progressivamente a frequência de crises até torná-la diária ou quase diária. Os mecanismos pelos quais isso acontece envolvem sensibilização central, estímulo de receptores serotoninérgicos cerebrais e rebote [efeito rebote ocorre quando finda o efeito da droga, outra crise é deflagrada e com mais intensidade]. “A única alternativa para quem já está assim é interromper o uso excessivo desses fármacos e fazer o tratamento preventivo correto. Além disso, há os efeitos deletérios do próprio remédio sobre fígado, estômago, rins e sangue”, esclarece o médico Abouch Valenty.

Outro fator que prejudica quem sofre com a doença é o autoconsumo de medicamentos. Segundo Ana Patrícia Queiroz, farmacêutica da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), a enxaqueca é uma das morbidades que gera maior autoconsumo de medicamentos e esse comportamento pode conduzir para uma enxaqueca crônica. “Essa prática da automedicação nos pacientes com migrânea pode ser, potencialmente, nociva à saúde, pois pode conduzir a uma cefaleia crônica induzida por medicamentos, além de expor os adeptos desta prática aos riscos inerentes de um tratamento medicamentoso, a exemplo das reações adversas e interações medicamentosas”, explica Ana Patrícia.

 

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