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Fuga da tradição

- 11/09/2013

Noivos deixam a igreja e casam na praia, em casa ou em festa junina. Economia na cerimônia e maior número de pessoas sem religião são alguns motivadores

 

Renato Alban e Thais Borges

 

O noivo com camisa quadriculada e a noiva com flores coloridas costuradas no vestido. O banquete tem milho, amendoim e bolo de carimã. Nada de sinos, igreja ou limousine. Licor e cerveja tomam o lugar do vinho e da champanhe. O casamento caipira da assessora de imprensa Marla Barata, 31 anos, com o empresário João Paulo Brandão, 31, cumpriu todas as tradições de uma festa de São João, menos uma: a cerimônia não era de mentirinha. Eles decidiram fazer o casório em um sítio em Lauro de Freitas onde o pai de Marla organiza uma grande festa de São João todos os anos, desde a infância da noiva.

Dispensar a igreja e casar em um local alternativo, como fizeram Marla e João Paulo, pode ser uma opção para noivos que querem economizar na cerimônia. “Gastamos entre R$ 23 mil e R$ 25 mil. Na época (há cinco anos), os orçamentos para festas tradicionais do porte da nossa, com os fornecedores que consideramos, ficavam entre R$ 45 mil e R$ 50 mil”, conta a noiva. Assim como o casal caipira, fugir da tradição já é preferência de muitos noivos baianos. Para a cerimonialista Nil Pereira, da NP Eventos, a tendência é que mais casamentos fora da igreja sejam realizados nos próximos anos na Bahia.

Marla e João Paulo se casaram em festa junina | Foto: Prophoto/André Assis

Dona da pousada A Capela, em Arembepe, no Litoral Norte, Nil conta que desde a inauguração, em dezembro, realizou cinco casamentos na praia e, até o final do ano, serão outros nove. “Já tenho casamento marcado para 20 de dezembro de 2014”, comemora. O aluguel da pousada, que tem uma capela não oficial e capacidade para até 26 pessoas, custa R$ 10 mil. Quanto ao custo da festa, a cerimonialista explica que o preço pode variar de R$ 10 mil a R$ 150 mil para até 200 pessoas. Mesmo o valor mais alto, no entanto, ainda fica longe do montante desembolsado por casais que optaram pelo tradicional.  “Fora daqui, já cheguei a fazer casamento de R$ 1 milhão. Foi na igreja. A festa teve 300 pessoas”.

Fé, só no amor – Além da economia, outro fator que tem incentivado as cerimônias alternativas é o crescimento do número de casais que não seguem nenhuma doutrina religiosa. Em dez anos, o número de pessoas que se declarou “sem religião” no Brasil aumentou 20%. Em 2000, 12,5 milhões de pessoas afirmaram não ter religião, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já em 2010, o índice passou para 15 milhões.

Marina e João Paulo dispensaram a igreja e o padre | Foto: Casa 2 Filmes/Roberto Lopes

Quando os noivos não são religiosos, fica ainda mais fácil dispensar a igreja. No caso do  analista de sistemas João Paulo Rocha, 32, isso se somou ao fato de que ele e a noiva, a universitária Marina Meireles, 24, queriam uma festa que refletisse a relação dos dois, dispensando a figura do líder espiritual que ministra a cerimônia. “Queríamos falar um do outro, falar do momento e trocar alianças”. Foi assim que, dois dias depois de assinar compromisso no Fórum Ruy Barbosa, eles celebraram o casamento na casa de um tio da noiva, em Busca Vida, no Litoral Norte do estado. Nem o tradicional buquê de flores estava na cerimônia, dando lugar a balões de gás vermelhos no formato de coração.

Mas se o padre não estiver nos planos do casal, quem deve substituí-lo? A psicóloga Aida Baruch, 51, passou a conduzir casórios alternativos depois de sua própria união com o também psicólogo José Wellington Resende, 63, em 1997. Os dois se casaram em um ritual celebrado por dois terapeutas irlandeses, no Vale do Capão. “Nossa experiência foi tão significativa que fui estudando cada vez mais sobre os rituais e tenho conduzido várias cerimônias semelhantes para pessoas queridas”, explica Aida. Depois que conheceu o casamento diferente, ela diz que se surpreendeu com um tipo de cerimônia com “tanta alma e significado”. “É muito diferente daquela manifestação exibida e fria que estamos acostumados a ver”.

E foi buscando algo assim que os servidores públicos Paloma Góis, 28, e Fabrizio Cozer, 30, escolheram sair de tradição por uma cerimônia mais intimista. “Nosso casamento será exatamente como nós, refletirá muito de nossos gostos e personalidades”, diz Paloma, que se casará em dezembro em uma praia em Vilas do Atlântico. “Escolhemos assim porque amamos o mar, o clima que ele proporciona e, principalmente, o fim de tarde em uma praia”. Para a cerimonialista Nil Pereira, casamentos na praia estão mais comuns na Bahia, estado que tem o maior litoral do país. “As pessoas estão buscando casar em frente ao mar, principalmente os jovens apaixonados”.

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