{"id":33448,"date":"2017-07-05T09:07:09","date_gmt":"2017-07-05T12:07:09","guid":{"rendered":"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/?p=33448"},"modified":"2017-07-03T16:43:15","modified_gmt":"2017-07-03T19:43:15","slug":"perfil-sou-sensacionalista-do-dedo-do-pe-ao-fio-do-cabelo-diz-alana-rocha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/perfil-sou-sensacionalista-do-dedo-do-pe-ao-fio-do-cabelo-diz-alana-rocha\/","title":{"rendered":"Perfil: &#8220;Sou sensacionalista do dedo do p\u00e9 ao fio do cabelo\u201d, diz Alana Rocha"},"content":{"rendered":"<p><em>Primeira rep\u00f3rter transexual na TV aberta baiana fala sobre as dificuldades que enfrentou\u00a0e revela bastidores do seu trabalho na TV Aratu<\/em><\/p>\n<h6><span style=\"color: #808080;\">Maria Landeiro<\/span><\/h6>\n<div id=\"attachment_33472\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/?attachment_id=33472\" rel=\"attachment wp-att-33472\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-33472\" class=\"wp-image-33472 size-medium\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG-20170628-WA0029-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG-20170628-WA0029-300x300.jpg 300w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG-20170628-WA0029-150x150.jpg 150w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG-20170628-WA0029.jpg 659w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-33472\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Em um sof\u00e1 de couro preto, numa manh\u00e3 de segunda-feira, eu esperava minha entrevistada. Assistia a programa\u00e7\u00e3o da manh\u00e3 da TV Aratu, enquanto ouvia as conversas da secret\u00e1ria no telefone e via rep\u00f3rteres, jornalistas e outros funcion\u00e1rios chegando para mais um dia de trabalho. H\u00e1 cerca de um ano, Alana Rocha, primeira mulher transexual a ser rep\u00f3rter de um programa da TV aberta na Bahia, tamb\u00e9m tinha estado sentada no mesmo lugar, esperando por uma oportunidade.<\/p>\n<p>Por volta das 10h, ela chegou. De cachos no cabelo com mechas loiras, cal\u00e7a jeans justa, camiseta e salto alto. Com um sorriso largo no rosto (coisa rara de se ver em uma manh\u00e3 de segunda-feira), ela soltou um beijo para a secret\u00e1ria ao pegar seu crach\u00e1, ainda, provis\u00f3rio. Fomos conduzidas \u00e0 uma salinha, pr\u00f3xima a recep\u00e7\u00e3o e, sentadas em outro sof\u00e1 preto, come\u00e7amos a nossa conversa.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco mais de um ano, Alana, que \u00e9 natural de Riach\u00e3o do Jacu\u00edpe, cidade do interior da Bahia, veio para Salvador buscar a t\u00e3o sonhada chance de trabalhar na TV como rep\u00f3rter. Com o curr\u00edculo na m\u00e3o, seu primeiro alvo foi a TV Record, onde ela esperava ser atendida pelo seu \u00eddolo m\u00e1ximo. \u201cZ\u00e9 Eduardo, o Boc\u00e3o, era meu \u00eddolo, eu tinha uma tatuagem dele nas costas. A Record era meu grande deslumbramento\u201d, mas s\u00f3 um milagre faria a emissora religiosa aceitar Alana na sua equipe.<\/p>\n<p>\u201cEle [Z\u00e9 Eduardo] me decepcionou. Fui barrada, bateram a porta na minha cara e me botaram pra sentar no passeio. Tomei uma chuva que assanhou meu cabelo todo. Mentiram dizendo que Z\u00e9 Eduardo ia vir mas ele n\u00e3o veio. Foi o pior dia da minha vida\u201d. Claro que as piadinhas tamb\u00e9m n\u00e3o ficaram de fora. \u201cSeguran\u00e7a fazendo hora da minha cara porque perceberam que eu era transexual. A\u00ed ficavam perguntando se era ele ou era ela\u201d. A m\u00e1goa era n\u00edtida nos movimentos fortes que fazia com a m\u00e3o e nos seus olhos.<\/p>\n<p>Com cabelo \u201cfedendo a queimado\u201d &#8211; ela, muito vaidosa, o havia pranchado &#8211; molhada e ainda com o curr\u00edculo na m\u00e3o, Alana n\u00e3o se contentou com a m\u00e1 recep\u00e7\u00e3o. \u201cDepois de chorar muito dentro do carro e rasgar curr\u00edculos, me lembrei da TV Aratu\u201d, conta. \u201cPeguei uma borracha de dinheiro, prendi o cabelo e fui para l\u00e1, mas j\u00e1 com medo\u201d. Assim, ela foi parar na recep\u00e7\u00e3o da emissora e pediu a secret\u00e1ria para falar com Carla Ara\u00fajo, uma das apresentadoras da emissora. Depois de muita conversa e fotos tiradas, Carla aconselhou a Alana que entregasse seu curr\u00edculo para o gerente de conte\u00fado do programa policial Ronda, Pablo Reis.<\/p>\n<p>Com um pingo de esperan\u00e7a, ela voltou para Riach\u00e3o e, h\u00e1 pouco mais de tr\u00eas meses a oportunidade bateu na porta. \u201cAbri o Facebook e tinha um recado de Pablo perguntando se eu era jornalista. Eu disse que sim e enviei uma foto do meu diploma para ele. A\u00ed ele disse assim \u2018Voc\u00ea quer vir para Salvador fazer uma experi\u00eancia no Ronda como rep\u00f3rter? \u2019\u201d Foi imposs\u00edvel para ela (e para mim) conter o sorriso nessa hora. \u201cMinha m\u00e3e tava lavando prato e eu disse, \u2018Minha m\u00e3e eu t\u00f4 sem a alma [termo muito usado por Alana]. Pablo t\u00e1 me chamando pra ir pra Salvador ser rep\u00f3rter da TV Aratu!\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Dois dias depois, ela j\u00e1 estava na capital. \u201cQuando eu cheguei, foi uma alegria grande. Todo mundo me abra\u00e7ando, me desejando boas vindas\u201d. Durante 25 dias, ela trabalhou como rep\u00f3rter no programa Ronda, enquanto o jornalista Murilo Vilas Boas estava de f\u00e9rias. Depois deste per\u00edodo, ela passou pelo programa de entretenimento Universo Ax\u00e9 e agora integra a equipe do programa Tudo Novo, apresentado por Darino Sena.<\/p>\n<p><strong>Vida de rep\u00f3rter<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_33471\" style=\"width: 279px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/?attachment_id=33471\" rel=\"attachment wp-att-33471\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-33471\" class=\"wp-image-33471 size-medium\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG-20170628-WA0028-269x300.jpg\" alt=\"\" width=\"269\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG-20170628-WA0028-269x300.jpg 269w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG-20170628-WA0028.jpg 504w\" sizes=\"(max-width: 269px) 100vw, 269px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-33471\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Seu dia de trabalho come\u00e7a \u00e0s 10h, quando chega na reda\u00e7\u00e3o. \u201cPrimeiro me inteiro dos assuntos com [Jasmin] Chalegre, que \u00e9 a produtora. Ai vou pra maquiagem e 11h40 j\u00e1 estou saindo pra rua para fazer pauta. Volto umas 13h, almo\u00e7o aqui mesmo, e depois pego as pautas impressas que deixaram pra mim, e vou fazer na rua de tarde\u201d. Jasmin Chalegre \u00e9 estudante do 7\u00aa semestre do curso de jornalismo na Universidade Federal da Bahia (Ufba) e estagia na parte de produ\u00e7\u00e3o do Ronda.<\/p>\n<p>Nem Alana, nem Jasmin escondem a forte rela\u00e7\u00e3o que t\u00eam uma com a outra. \u201cSou louca, apaixonada por ela. A gente tem um elo muito forte\u201d, diz Alana com carinho. Para Jasmim, ela n\u00e3o s\u00f3 ganhou uma colega de trabalho, mas tamb\u00e9m uma confidente. Segundo ela, a equipe do Ronda era formada apenas por homens e, apesar de se dar bem com todos eles, ela sentia falta de uma companhia feminina. \u201cAlana virou uma amiga. Eu conversava com ela sobre tudo e ela contava coisas dela tamb\u00e9m. Ela \u00e9 uma profissional muito dedicada. Ela gosta disso em mim e eu gosto disso nela\u201d.<\/p>\n<p>Jasmin n\u00e3o esconde sua primeira rea\u00e7\u00e3o quando soube que Alana ia entrar para a equipe. \u201cQuando conheci Alana foi aquele choque. Eu via uma mulher, mas ela j\u00e1 havia sido um homem. Fiquei com medo de errar, porque por mais que a gente apoie \u00e0 causa a gente n\u00e3o t\u00e1 inserido naquele meio, n\u00e3o \u00e9 meu lugar de fala. Eu ficava com medo de cometer alguma gafe. E se eu falar algo errado?\u201d, contou Jasmim.<\/p>\n<p>O jeito receptivo de Alana, que permeou toda a nossa entrevista, tamb\u00e9m tocou a estudante. \u201cQuando ela chegou, toda a apreens\u00e3o foi desfeita, eu conversei com ela sobre as minhas d\u00favidas e ela se postou muito natural\u201d. \u201cPara quem t\u00e1 iniciando carreira, como eu, ter a oportunidade de conviver com uma pessoa dessas no seu ambiente de trabalho \u00e9 muito enriquecedor\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>\u201cMinha m\u00e3e, percebendo essa sensibilidade em mim, descobriu que havia uma psic\u00f3loga em Itabuna que tinha um doutorado com especializa\u00e7\u00e3o em transexualidade. Me descobri uma mulher transexual aos 13 anos, com o diagn\u00f3stico dessa psic\u00f3loga\u201d.<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p><strong>O come\u00e7o de tudo<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 conseguir seu emprego dos sonhos, a vida de Alana foi permeada de mudan\u00e7as, descobertas e muita luta para alcan\u00e7ar seu objetivo. Desde crian\u00e7a queria ser jornalista. \u201cLembro de K\u00e1tia Guzzo, que apresentava o jornal da TV Bahia. Eu tinha mania de assistir o jornal e copiar tudo que ela falava. Isso com uns 12 ou 13 anos\u201d, lembrou ela.<\/p>\n<p>\u201cQuando minha m\u00e3e sa\u00eda para trabalhar, eu entrava no quarto dela e fingia que estava apresentando um telejornal\u201d. Ao falar da caixa de sapato que virava c\u00e2mera e do peda\u00e7o de pau com uma bola de isopor que servia de microfone, Alana ria como se lembrasse de um passado distante, gostoso, como se pudesse brincar assim at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia n\u00e3o foram muito lineares. Nasceu em Riach\u00e3o do Jacu\u00edpe, n\u00e3o teve irm\u00e3os e foi criada apenas pela m\u00e3e, Dona Concei\u00e7\u00e3o, mais conhecida como Conchita. \u201cEsse \u00e9 seu apelido, eu tatuei ele nas costas para cobrir a tatuagem de Z\u00e9\u201d. Com olhos marejados, ela n\u00e3o esconde a devo\u00e7\u00e3o ao falar da m\u00e3e. \u201cEu fui criada s\u00f3 por ela, s\u00f3 eu e ela. Foi muito sofrimento. Tudo foi minha m\u00e3e, ela j\u00e1 deixou de comer pra eu poder comer em tempos de dificuldade\u201d.<\/p>\n<p>Aos 13 anos, foi morar em Itabuna com um tio, e l\u00e1 teve mais contato com TV, que era muito forte na regi\u00e3o atrav\u00e9s da TV Cabr\u00e1lia, TV Santa Cruz e TVI. O motivo por tr\u00e1s da mudan\u00e7a de Alana j\u00e1 era a transexualidade, depois de ter passado por um tratamento psiqui\u00e1trico em Feira de Santana, que deu um diagn\u00f3stico errado. \u201cMinha m\u00e3e, percebendo essa sensibilidade em mim, descobriu que havia uma psic\u00f3loga em Itabuna que tinha um doutorado com especializa\u00e7\u00e3o em transexualidade. Me descobri uma mulher transexual aos 13 anos, com o diagn\u00f3stico dessa psic\u00f3loga\u201d.<\/p>\n<p>Os primeiros sinais come\u00e7aram a aparecer na pr\u00e9-adolesc\u00eancia, quando Alana percebeu que tinha atra\u00e7\u00e3o por meninos. Aos 10 anos, brincando de esconde-esconde, Alana foi beijada por um menino. \u201cHoje ele \u00e9 casado, \u00e9 hetero, nunca teve rela\u00e7\u00e3o com homossexuais. Muitos anos depois desse fato, ele me disse que, naquele dia, viu uma menina em mim\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>Depois de ficar um ano e meio em Itabuna, Alana partiu com a m\u00e3e para o Rio de Janeiro, para dar suporte \u00e0 av\u00f3, que morava l\u00e1. N\u00e3o demoraram muito tempo na capital fluminense e, quando Alana voltou para Bahia, decidiu ir morar com parentes em Itaparica, aos 15 anos. \u201cEu j\u00e1 queria fazer minha transi\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o comecei a trabalhar e estudar l\u00e1\u201d. Por conta de brigas familiares, ela e a m\u00e3e vieram morar em Salvador. \u201cFoi quando se deu minha transi\u00e7\u00e3o completa. Fui estudar no Col\u00e9gio Severino Vieira e sofri muito preconceito. O diretor n\u00e3o queria que eu usasse o banheiro feminino, e eu acabei brigando e parando os estudos com 16 anos. A\u00ed comecei a me dedicar a fazer shows em boates\u201d.<\/p>\n<p>Diferente de muitas artistas que gostavam de interpretar divas pop, como Mariah Carey e Whitney Houston, Alana j\u00e1 gostava de um bom forr\u00f3. \u201cEu dublava Calcinha Preta, Joelma do Calypso. Fazia as coisas em casa mesmo, pegava uma cal\u00e7a, cortava e fazia um short bem curtinho\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>Sua transi\u00e7\u00e3o se completou aos 22 anos, quando come\u00e7ou a pesquisar cirurgias de mudan\u00e7a de sexo e procurar saber da burocracia para mudar o nome social. \u201cComecei a fazer tratamento m\u00e9dico com end\u00f3crino, fazendo complementa\u00e7\u00e3o hormonal, que continuo at\u00e9 hoje atrav\u00e9s de p\u00edlulas\u201d. Ela ainda n\u00e3o conseguiu trocar o nome social. Quanto \u00e0 cirurgia, para ela n\u00e3o \u00e9 prioridade no momento por conta do p\u00f3s-operat\u00f3rio extenso, riscos e custos. Enquanto isso, ela tem tido relacionamentos que n\u00e3o interferem na sua condi\u00e7\u00e3o de mulher transexual. \u201cSe eu fizer a cirurgia vai ser uma coisa para o meu conforto e n\u00e3o por conta de relacionamentos. Eu vou ter que dizer pro cara a minha hist\u00f3ria, eu n\u00e3o vou apagar meu passado por conta da cirurgia\u201d.<\/p>\n<p>Em 2003, a fam\u00edlia voltou para Riach\u00e3o e l\u00e1, Alana come\u00e7ou a trabalhar em campanhas pol\u00edticas. Foi nessa \u00e9poca que conheceu o apresentador Z\u00e9 Eduardo e criou o <a href=\"http:\/\/www.bloghoradaverdade.com\/\">blog Hora da Verdade<\/a> onde fazia reportagens em v\u00eddeo dos casos policiais da cidade. \u201cEu n\u00e3o conhecia a teoria. Se voc\u00ea vir meus primeiros leads no blog era tudo doido, eu fazia um plano sequ\u00eancia maluco. Era eu que gravava, tinha c\u00e2mera, microfone, tudo\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"VITIMA DE UM DOS FURTOS DE JURACI VAI ATE DELEGACIA RECUPERAR OBJETOS FURTADOS\" width=\"500\" height=\"375\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LTuzRlyTPXg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>V\u00eddeo produzido por Alana Rocha no Blog Hora da Verdade<\/em><\/p>\n<p>Com todas as dificuldades, o que manteve Alana firme no seu objetivo foi a sua f\u00e9 e esperan\u00e7a. Nesse ponto da nossa conversa, ela cita a m\u00fasica Nunca Deixe de Sonhar, da extinta banda Rouge. \u201cQuantas vezes eu ouvi essa m\u00fasica e chorava, pensando que meu sonho nunca ia se realizar\u201d.<\/p>\n<p><strong>Universit\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>A falta da teoria e as poucas chances de trabalho fizeram Alana correr atr\u00e1s de uma gradua\u00e7\u00e3o. \u201cNa \u00e9poca pensei que um diploma iria me abrir mais portas, ent\u00e3o fiz o vestibular fora de \u00e9poca da Unime, em Itabuna. S\u00f3 tinham cinco vagas e em passei em 4\u00ba lugar\u201d. A saudade da sua Conchita deixou que Alana fizesse apenas um semestre em Itabuna. Depois, atrav\u00e9s de uma transfer\u00eancia externa, ela foi estudar na Faculdade An\u00edsio Teixeira, em Feira de Santana, onde se formou em Jornalismo em 2016.<\/p>\n<p>Um dos seus colegas foi Roberto Pain. Ele lembra de v\u00ea-la pelos corredores da faculdade e lamenta ter descoberto que ela era uma mulher trans atrav\u00e9s de coment\u00e1rios preconceituosos dos outros colegas, como traveco. Alana nunca teve nenhum problema em falar que era trans e que at\u00e9 brincava com a situa\u00e7\u00e3o. \u201cNa lista de chamada ainda constava seu nome de batismo, ai quando chamavam ela dizia, \u2018esse ai \u00e9 falecido, n\u00e3o veio hoje n\u00e3o\u201d. Para Roberto esse tipo de comportamento \u00e9 uma forma de prote\u00e7\u00e3o. \u201cAntes de a pessoa fazer chacota, ela j\u00e1 faz uma brincadeira, para aquela chacota n\u00e3o existir\u201d.<\/p>\n<p>O gosto de Alana pelo sensacionalismo era motivo de diversas discuss\u00f5es entre os colegas. \u201cA gente critica muito o sensacionalismo na academia, mas como ela era muito teimosa, n\u00e3o adiantava argumentar. Depois eu percebi que n\u00f3s est\u00e1vamos condenando uma \u00e1rea que a acolheu. Foi o que deu espa\u00e7o para ela e a colocou na TV Aratu\u201d.<\/p>\n<p><strong>Na TV Aratu<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/?attachment_id=33473\" rel=\"attachment wp-att-33473\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-33473 alignright\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG-20170628-WA0030-e1499084342647-288x300.jpg\" alt=\"\" width=\"209\" height=\"217\" srcset=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG-20170628-WA0030-e1499084342647-288x300.jpg 288w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG-20170628-WA0030-e1499084342647-768x801.jpg 768w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG-20170628-WA0030-e1499084342647.jpg 960w\" sizes=\"(max-width: 209px) 100vw, 209px\" \/><\/a>Seu foco agora \u00e9 100% no trabalho. \u201cQuero me profissionalizar mais e minha meta \u00e9 ser apresentadora fixa do Ronda\u201d, diz ela, orgulhosa. \u00c9 ent\u00e3o que fa\u00e7o a pergunta que est\u00e1 na ponta da l\u00edngua desde quando a vi pela primeira vez apresentando o jornal. \u201cComo \u00e9 para voc\u00ea, que sofreu com o preconceito na pele fazer um programa policial sensacionalista, que \u00e9 conhecido por ferir os direitos humanos?\u201d<\/p>\n<p>Sua resposta \u00e9 enf\u00e1tica. \u201cEu gosto dessa pegada sensacionalista, adoro. Eu sou sensacionalista do dedo do p\u00e9 ao fio do cabelo\u201d, sentencia. Segundo ela, levar para o lado do humor \u00e9 a melhor forma de lidar com essas situa\u00e7\u00f5es. Alana conta que costuma \u201cbrincar com o preso\u201d para tentar fazer ele \u201cse soltar\u201d. O argumento da defesa, de que o preso tem ali a oportunidade de contar a sua vers\u00e3o da hist\u00f3ria, \u00e9 o mais usado. \u201cA maioria n\u00e3o quer e viram as costas, mas tinha uns que davam risada. Teve um em Lauro de Freitas que tava com uma sacola cheia de pino de coca\u00edna, a\u00ed eu fui na pegada, \u2018Menino, que diabo \u00e9 isso? O que \u00e9 que voc\u00ea vai fazer com tanto pino de coca\u00edna?\u2019 a\u00ed ele, \u2018Cheirar tudo\u2019, ai eu digo. \u2018Eita diabo!, Nariz de concreto \u00e9?\u2019, e ele, \u2018\u00d4 a lapa do nego\u2019, lembrou. \u201cEle mesmo se colocou na brincadeira\u201d, disse ela gargalhando.<\/p>\n<p>Rela\u00e7\u00e3o com delegados e policiais tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um problema. \u201cMuitos nem sabem que eu era uma mulher trans, achavam que eu era uma mulher normal. No cotidiano, na rua, aqui na TV e nas pautas, me veem como uma mulher como qualquer outra\u201d.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca que Alana assumiu o Ronda, o meio LGBT explorou ao m\u00e1ximo o assunto, e ela deixa claro que quer que o assunto seja abordado mais. \u201cClaro que isso reverteu em boa publicidade para a emissora, e eu criei isso tamb\u00e9m. Eu quero explorar isso o m\u00e1ximo poss\u00edvel, quero por a Aratu em evid\u00eancia, \u00e9 tanto que isso se reverteu em audi\u00eancia e foi maravilhoso\u201d, comentou. Desde que entrou para o programa, as redes sociais de Alana v\u00eam crescendo cada vez mais e hoje, ela j\u00e1 conta com mais de 8.500 seguidores no <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/alanarochareporter\/\">Instagram<\/a>.<\/p>\n<p>Ao fim da entrevista nos despedimos com um abra\u00e7o caloroso e dois beijos. Alana seguiu para a maquiagem e se prepara para mais um dia de trabalho, obviamente, com muito bom humor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alana Rocha \u00e9 a primeira rep\u00f3rter transexual da TV aberta na Bahia. 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