{"id":33453,"date":"2017-07-05T08:45:51","date_gmt":"2017-07-05T11:45:51","guid":{"rendered":"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/?p=33453"},"modified":"2017-07-04T18:17:20","modified_gmt":"2017-07-04T21:17:20","slug":"ja-ouviu-falar-em-demissexualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/ja-ouviu-falar-em-demissexualidade\/","title":{"rendered":"J\u00e1 ouviu falar em demissexualidade?"},"content":{"rendered":"<p><em>Jovens baianos contam suas experi\u00eancias sobre a descoberta dessa sexualidade ainda pouco conhecida<\/em><\/p>\n<h6><span style=\"color: #808080;\">Cris Almeida e Gabriela Medrado<\/span><\/h6>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 conheceu uma pessoa gente boa, simp\u00e1tica, inteligente, e bonita, e n\u00e3o sentiu vontade nenhuma de ficar com a pessoa? J\u00e1 passou a se sentir muito atra\u00eddo(a) por algu\u00e9m depois de meses de amizade, sendo que antes n\u00e3o tinha nem uma faiscazinha? J\u00e1 sentiu que n\u00e3o tem tanto interesse por sexo quanto as pessoas que voc\u00ea conhece? Pode parecer estranho \u00e0 primeira vista, mas isso \u00e9 comum na vida de quem \u00e9 demissexual.<\/p>\n<p>A demissexualidade, ao contr\u00e1rio do que se pode pensar, n\u00e3o tem nada a ver com sentir atra\u00e7\u00e3o pela Demi Lovato, nem pela Demi Moore. \u00c9 uma sexualidade que faz parte da chamada \u00e1rea cinza, um espectro de transi\u00e7\u00e3o entre a assexualidade (a aus\u00eancia total de atra\u00e7\u00e3o sexual) e a alossexualidade (categoria onde entram os heteros, bis, gays e pans, que sentem atra\u00e7\u00e3o sexual). Para uma pessoa demi, a atra\u00e7\u00e3o sexual s\u00f3 se d\u00e1 depois que se forma um v\u00ednculo emocional e afetivo com a pessoa.<\/p>\n<p>O termo \u00e9 bastante recente, e tem se popularizado nos \u00faltimos anos atrav\u00e9s de grupos na internet, sites e f\u00f3rums. Tem conquistado sobretudo jovens que conhecem a demissexualidade atrav\u00e9s da internet e se identificam, e o assunto tem ganhado import\u00e2ncia nas discuss\u00f5es sobre sexualidade. Na Bahia, jovens acolhem a nova palavra e compreendem um pouco melhor os pr\u00f3prios desejos.<\/p>\n<p>Giovanni Isaac, de 19 anos, percorreu um longo caminho para reconhecer sua sexualidade. Entre se achar uma mulher l\u00e9sbica, se descobrir homem trans e perceber sua demissexualidade, ele passou por v\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es na sua identidade: \u201cAos 13 anos achava que era uma mulher l\u00e9sbica, depois bi, depois homem hetero, pan, at\u00e9 que me apresentaram a demissexualidade, e pensei \u2018Pronto, \u00e9 isso!\u2019\u201d, conta. Sempre pesquisando bastante sobre g\u00eanero e sexualidade, Isaac se descobriu demi ap\u00f3s se apaixonar pelo seu melhor amigo, tamb\u00e9m demissexual. \u201cPercebi que todas as pessoas por quem me apaixonei antes foram minhas amigas. At\u00e9 pensei que eu s\u00f3 gostava de ser \u00e0 moda antiga, porque nunca ficava antes de namorar, mas \u00e9 uma coisa minha\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>\u00a0&#8220;Tive problemas em um relacionamento porque a pessoa n\u00e3o entendia e achava que eu n\u00e3o tinha interesse sexual nela ou que eu estava transando por obriga\u00e7\u00e3o\u201d, diz Luara Maciel.<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>J\u00e1 o estudante Fernando Silva, de 20 anos, descobriu sua sexualidade no ano passado, em um teste da internet. \u201cAntes disso n\u00e3o sabia bem o que eu era, tinha pessoas que eu achava bonitas, mas que n\u00e3o me despertavam nada. Ficava triste, achava que tinha algum problema sexual. Se eu n\u00e3o tiver um la\u00e7o afetivo com a pessoa simplesmente n\u00e3o sinto atra\u00e7\u00e3o\u201d, relembra. Descobrir a demissexualidade foi um al\u00edvio: \u2018as pessoas t\u00eam uma resist\u00eancia a palavras e defini\u00e7\u00f5es novas. mas eu particularmente gostei de ver algo assim e me identificar, saber o que sou, e que isso \u00e9 normal. Me senti menos sozinho\u201d, conta.<\/p>\n<p><strong>Preconceito<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_33499\" style=\"width: 295px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-33499\" class=\"wp-image-33499\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/demissexual-flag.png\" alt=\"\" width=\"285\" height=\"171\" srcset=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/demissexual-flag.png 800w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/demissexual-flag-300x180.png 300w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/demissexual-flag-768x461.png 768w\" sizes=\"(max-width: 285px) 100vw, 285px\" \/><p id=\"caption-attachment-33499\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">Bandeira da demissexualidade<\/span><\/p><\/div>\n<p>Se sentir contemplado por uma defini\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se sentir mais sozinho \u00e9 um grande al\u00edvio, por\u00e9m sexualidades que fogem do tradicional podem estar cercadas de preconceitos, tabus, e concep\u00e7\u00f5es erradas. No caso da demissexualidade n\u00e3o \u00e9 diferente. Apesar de ser um termo ainda pouco conhecido, \u00e9 comum que se propaguem ideias sobre o assunto que n\u00e3o condizem com a realidade de quem se identifica como demi. Um exemplo disso \u00e9 como a demissexualidade \u00e9 frequentemente associada ao celibato, \u00e0 escolha de n\u00e3o fazer sexo, ou esperar para transar pela primeira vez com o parceiro ap\u00f3s o casamento.<\/p>\n<p>\u201cMuitos acham que ser demissexual \u00e9 escolher s\u00f3 transar com quem a gente gosta, mas n\u00e3o \u00e9 assim. S\u00f3 conseguimos sentir atra\u00e7\u00e3o por algu\u00e9m com quem j\u00e1 temos um v\u00ednculo emocional. N\u00e3o estamos negando um desejo, n\u00e3o \u00e9 uma escolha\u201d, explica Silva. Diferente de pessoas que por qualquer motivo preferem n\u00e3o transar sem ter um relacionamento mais profundo, mesmo que se sintam atra\u00eddas, para os demissexuais a atra\u00e7\u00e3o depende da conex\u00e3o emocional, e vem depois desta. \u00c9 importante notar tamb\u00e9m que esta conex\u00e3o pode se desenvolver ao longo de anos, meses, ou mesmo dias, n\u00e3o possui uma intensidade definida, e n\u00e3o significa que demissexuais tenham necessariamente uma vida sexual e amorosa pouco ativas.<\/p>\n<p>Isaac lembra tamb\u00e9m que a demissexualidade n\u00e3o deve ser associada a disfun\u00e7\u00f5es sexuais ou traumas. \u201cMuita gente acha que pessoas que n\u00e3o s\u00e3o hetero sofreram algum tipo de abuso ou viol\u00eancia. No meu caso eu realmente sofri um abuso sexual, e n\u00e3o escondo isso, mas n\u00e3o \u00e9 isso que define minha sexualidade. Ela faz parte de mim, \u00e9 algo que tenho desde sempre, n\u00e3o tem necessariamente a ver com nada que aconteceu comigo\u201d, explica. A cren\u00e7a de que sexualidades n\u00e3o normativas s\u00e3o fruto de dist\u00farbios psicol\u00f3gicos \u00e9 um estigma que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o se prova verdadeiro, como contribui para diversos tipos de opress\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>\u201cAlgumas pessoas n\u00e3o gostam de se colocar em uma caixinha, e tudo bem, mas o termo est\u00e1 a\u00ed para quem se identifica e n\u00e3o quer se sentir sozinho\u201d, diz Fernando Silva.<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>A estudante Luara Maciel, de 22 anos, tamb\u00e9m sofre com a incompreens\u00e3o: \u201cEu vejo como falta de informa\u00e7\u00e3o, porque as pessoas tendem a n\u00e3o sair da caixa. Ent\u00e3o algo que foge um pouco do que elas est\u00e3o acostumadas a ver \u00e9 dif\u00edcil de entender. Fazem essa rela\u00e7\u00e3o com o celibato, por exemplo, e ent\u00e3o eu me posiciono e explico\u201d. Essa falta de informa\u00e7\u00e3o atinge tamb\u00e9m profissionais das \u00e1reas de psicologia e sexologia, que ainda n\u00e3o sabem lidar com a demissexualidade. Nenhum dos profissionais soteropolitanos procurados para esta reportagem concordou em falar sobre o assunto e todos afirmaram falta de conhecimento sobre o tema.<\/p>\n<p><strong>Relacionamentos<\/strong><\/p>\n<p>Justamente por causa de julgamentos errados e incompreens\u00e3o do que \u00e9 a demissexualidade, se relacionar romanticamente com outras pessoas pode ser dif\u00edcil quando se \u00e9 demi. A escolha de se falar ou n\u00e3o sobre a sexualidade ao conhecer pessoas novas \u00e9 algo muito pessoal, e muitas pessoas preferem n\u00e3o revelar sua sexualidade no in\u00edcio: \u201cN\u00e3o sou de falar \u2018sou demissexual\u2019 logo de cara, mas sempre explico para as pessoas que preciso me envolver emocionalmente antes de qualquer coisa\u201d, explica Silva. Ele esteve recentemente em uma rela\u00e7\u00e3o com um homem que foi compreensivo, e a paci\u00eancia foi fundamental para se construir um v\u00ednculo.<\/p>\n<p>Para Luara, se comunicar e explicar como melhor sobre como a demissexualidade funciona \u00e9 importante. \u201cA partir do momento que eu entendi o que era e que n\u00e3o tinha nada de errado comigo, passei a mostrar isso para quem estava comigo. Tive problemas em um relacionamento porque a pessoa n\u00e3o entendia e achava que eu n\u00e3o tinha interesse sexual nela ou que eu estava transando por obriga\u00e7\u00e3o\u201d, conta.<\/p>\n<p>Mesmo fora dos relacionamentos rom\u00e2nticos, falar sobre sexualidade tem consequ\u00eancias nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais. \u201cFalei com minha m\u00e3e que ia dar uma entrevista sobre ser demi e ela disse \u2018Ah, agora todo mundo tem que ter um r\u00f3tulo diferente\u2019. Mas querendo ou n\u00e3o o ser humano \u00e9 feito de r\u00f3tulos, desde o que a gente veste ao que a gente \u00e9, e eu me identificar como demi e entender as coisas que eu passo e as outras pessoas n\u00e3o \u00e9 importante\u201d, reflete Giovanni. \u201cFico feliz de ter tido amigos que me apresentaram a diferentes \u2018r\u00f3tulos\u2019, e saber o que existe al\u00e9m do LGBT\u201d, conta.<\/p>\n<p>J\u00e1 Silva reflete sobre o fato de sempre escutar que n\u00e3o existe necessidade de se criar uma palavra para designar o que \u00e9 a demissexualidade: \u201cAlgumas pessoas n\u00e3o gostam de se colocar em uma caixinha, e tudo bem, mas o termo est\u00e1 a\u00ed para quem se identifica e n\u00e3o quer se sentir sozinho\u201d. J\u00e1 Luara acredita em trazer visibilidade para a sexualidade como um caminho para a aceita\u00e7\u00e3o social: \u201cMinha fam\u00edlia volta e meia pede para eu ficar quieta com minhas bandeiras. Mas acho que as pessoas precisam conhecer e saber que isso existe, tanto quem \u00e9 demi quanto quem n\u00e3o \u00e9, para que todo mundo respeite a diversidade\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nossa equipe foi atr\u00e1s de jovens baianos que se identificam com esta categoria para que eles nos ajudassem a explicar o significado desta forma de sexualidade e quais os desafios e preconceitos que estes grupos enfrentam no dia-a-dia.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":33573,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2582,887,2581,2580,2374,341,2200],"acf":[],"aioseo_notices":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v24.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>J\u00e1 ouviu falar em demissexualidade? 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