{"id":33684,"date":"2017-08-02T09:15:26","date_gmt":"2017-08-02T12:15:26","guid":{"rendered":"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/?p=33684"},"modified":"2017-08-14T16:02:15","modified_gmt":"2017-08-14T19:02:15","slug":"grandes-e-invisiveis-relatos-sobre-fetichizacao-no-corpo-da-mulher-gorda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/grandes-e-invisiveis-relatos-sobre-fetichizacao-no-corpo-da-mulher-gorda\/","title":{"rendered":"Grandes e invis\u00edveis: relatos sobre fetichiza\u00e7\u00e3o no corpo da mulher gorda"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 10.0pt 0cm;\"><em><span style=\"color: black;\">Mulheres gordas buscam as redes sociais para desabafar contra o fato de serem vistas apenas como objetos sexuais<\/span><\/em><\/p>\n<h6 style=\"margin: 0cm 0cm 10.0pt 0cm;\"><strong><span style=\"color: #808080;\">J\u00fanior Moreira e Thiago Concei\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/h6>\n<div id=\"attachment_33739\" style=\"width: 4138px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/?attachment_id=33739\" rel=\"attachment wp-att-33739\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-33739\" class=\"wp-image-33739 size-full\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/abre_mulheres_reportagem.jpg\" alt=\"\" width=\"4128\" height=\"2322\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-33739\" class=\"wp-caption-text\">Geane Pereira, 33 anos, j\u00e1 terminou relacionamento porque o rapaz exigia que ela emagrecesse (Foto: J\u00fanior Moreira)<\/p><\/div>\n<p>\u201c\u2018Minha del\u00edcia, adoro mulheres como voc\u00ea\u2019. Quando o homem chega assim, j\u00e1 sei que s\u00f3 est\u00e1 me vendo como um peda\u00e7o de carne\u201d. Esta fala \u00e9 da cabeleireira soteropolitana Geane Pereira, 33 anos, mas poderia ser\u00a0de diversas gordas que, com o tempo, aprenderam a lidar com a fetichiza\u00e7\u00e3o das suas curvas. Ao retroceder na hist\u00f3ria da humanidade, percebe-se que o corpo da mulher sempre foi alvo de especula\u00e7\u00f5es, desejos e restri\u00e7\u00f5es. Do molde curvil\u00edneo da antiguidade, em que elas eram retratadas com seios fartos e quadril largo, como s\u00edmbolo de fertilidade, passando pelos anos de 1960, momento em que o desenho feminino passou a ser mais erotizado e \u00e0 mostra, chegando aos musculosos corpos dos anos 2000, a sociedade constantemente tenta enquadrar um padr\u00e3o. E aquelas que n\u00e3o se encaixam, tendem ser vistas como segunda, terceira, quarta op\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo como alvos apenas de desejos masculinos.<\/p>\n<p>Para a psicologia, fetiche, que vem do ingl\u00eas fetish, significa um interesse sexual por objetos espec\u00edficos ou partes do corpo &#8211; exceto as genit\u00e1lias &#8211; que d\u00e3o gratifica\u00e7\u00e3o sexual, a exemplo do p\u00e9 ou uma farda de militar. Ou seja, \u00e9 um desejo estritamente ligada ao sexo, e que, quando aplicado na pessoa, acarreta em objetifica\u00e7\u00e3o desse ser apenas por uma caracter\u00edstica f\u00edsica. Este \u00e9 o problema levantado pelas diversas \u201cGeanes\u201d. Quem \u00e9 alvo desse olhar pode se sentir reduzida, afinal suas qualidades, anseios pessoais e projetos de vida n\u00e3o ser\u00e3o levados em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A analista t\u00e9cnica, Leila Ferreira, 33 anos, convive com a press\u00e3o desde sempre. Gorda, tenta driblar esse reducionismo direcionado \u00e0s mulheres fora \u201cdos padr\u00f5es pr\u00e9-estabelecidos\u201d na hora de buscar parceiros. \u201c\u00c9 complicado, pois voc\u00ea j\u00e1 sofre preconceito por ser mulher gorda. Se ainda for negra, quanto mais \u2018escurinha\u2019, pior a rejei\u00e7\u00e3o\u201d, pontua e lembra:<\/p>\n<blockquote>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>\u201cNa maioria das oportunidades, a gente n\u00e3o vai encontrar um cara que nos assuma oficial e socialmente. Para n\u00e3o ficarmos sozinhas, nos relacionamos com eles, mesmo sabendo que somos s\u00f3 fetiches. Pelo menos para mim, sempre funcionou desse jeito\u201d, confessou Leila Ferreira, de 33 anos<\/strong><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Internet torna-se suporte para apoio<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Leila, na tentativa de disfar\u00e7ar os reais interesses, muitos homens prop\u00f5em a ideia do relacionamento aberto. \u201c\u00c9 desculpa para n\u00e3o nos assumir. Claro que existem pessoas que realmente t\u00eam isso como meta de vida. No entanto, \u00e9 raro no caso da mulher gorda. E se o cara liga depois das 22h, ele s\u00f3 quer sexo mesmo\u201d, acrescenta. Diante desse argumento, em mar\u00e7o de 2017, ela decidiu fazer um \u201ctext\u00e3o\u201d no Facebook em resposta a um \u201cOi, sumida\u201d que recebeu de um homem na madrugada. Confira o desabafo:<\/p>\n<div id=\"attachment_33722\" style=\"width: 778px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-33722\" class=\"wp-image-33722 size-medium_large\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/quartacerta-1-e1501603040786-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/quartacerta-1-e1501603040786-768x1024.jpg 768w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/quartacerta-1-e1501603040786-225x300.jpg 225w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/quartacerta-1-e1501603040786.jpg 1399w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><p id=\"caption-attachment-33722\" class=\"wp-caption-text\">Design: Thiago Concei\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>O texto acima foi publicado no grupo \u201cGordinhas Lindas da Bahia \u2013 Oficial (GLB-O)\u201d, criado em 2012, que possui mais de 5,4\u00a0mil membros. O espa\u00e7o foi criado para funcionar como meio de discuss\u00e3o dos assuntos referentes ao universo da mulher gorda, como a busca pela autoestima, problemas cotidianos, d\u00favidas gerais etc. Por conta disso, este tema n\u00e3o fica de fora. Volta e meia, relatos semelhantes s\u00e3o depositados nos f\u00f3runs para debate coletivo. Administrado por Sandra Santos, Katia Mauricia, Jozy Soares, Janaina Vieira e Jhan Hebertt, o GLB-O tem um esquema de funcionamento pr\u00f3prio, com diversas regras de conviv\u00eancia, em que o respeito \u00e9 um dos pilares principais. \u00a0\u201cO grupo foi criado como fruto da necessidade de ter um espa\u00e7o para a mulher gorda de Salvador. O principal objetivo \u00e9 empoderar \u00e0s mulheres. Quando a gente passa a entender que somos iguais a qualquer outra, percebemos que n\u00e3o precisamos aceitar qualquer tipo de relacionamento\u201d, alertou Sandra.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>\u00a0\u201cEsses tipos que n\u00e3o assumem, chamamos de \u2018ca\u00e7adores\u2019. Eles mentem para se aproximar, fazem o papel do bom mo\u00e7o, mas s\u00f3 querem sexo\u201d, explica Geane Pereira<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>\u00danico homem na organiza\u00e7\u00e3o do grupo, Jhan entende o seu lugar de fala. Por isso, sua atua\u00e7\u00e3o \u00e9 inibir as a\u00e7\u00f5es de pessoas que t\u00eam posturas gordof\u00f3bicas, organizar algumas din\u00e2micas internas, al\u00e9m de banir indiv\u00edduos que entram para colocar propagandas de produtos para emagrecimento. \u201cParticipava das atividades, um dia conheci as administradoras e fui convidado para integrar o time, pois sentiram a necessidade de uma figura masculina na modera\u00e7\u00e3o\u201d, ponderou. O administrador recrimina a postura masculina de reduzir essas mulheres ao \u00e2mbito do sexo. \u201cFetiche todo mundo vai sentir, de um jeito ou de outro. O que acho errado \u00e9 a manipula\u00e7\u00e3o de pessoas que aproveitam a car\u00eancia para sua satisfa\u00e7\u00e3o. E isso \u00e9 resultado dessa sociedade que n\u00e3o aceita a mulher gorda. Para eles, no m\u00e1ximo, o cara pode se relacionar com aquelas que tenham curvas de estilo \u2018Panicat\u2019\u201d, critica.<\/p>\n<p>Como toda regra tem exce\u00e7\u00e3o, Jhan pode ser considerado a exce\u00e7\u00e3o que confirma a regra. Desde pequeno se sente atra\u00eddo por esse bi\u00f3tipo feminino, e, por isso, enfrenta com frequ\u00eancia os olhares de reprova\u00e7\u00e3o das pessoas, incluindo familiares e conhecidos. \u201cPercebi o desejo com uns oito anos de idade, mais ou menos. Ficava interessado nas minhas colegas gordinhas. Sempre assumo meus relacionamentos e isso \u00e9 questionado por onde vou. Tenho amigos que falam \u2018n\u00e3o entendo o que te leva a ficar com aquela gorda, tem tanta mulher bonita no mundo\u2019\u201d, lembra e finaliza: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o pode ficar com uma pessoa de bra\u00e7os largos, barrig\u00e3o, pois ser\u00e1 criticado. Se a pessoa n\u00e3o tem uma cabe\u00e7a legal e se deixa levar, ela n\u00e3o ir\u00e1 assumir o relacionamento\u201d.<\/p>\n<p>Foi por vivenciar hist\u00f3rias assim que a Geane procurou o grupo para dividir suas dores. \u201cEsses tipos que n\u00e3o assumem, chamamos de \u2018ca\u00e7adores\u2019. Eles mentem para se aproximar, fazem o papel do bom mo\u00e7o, mas s\u00f3 querem sexo\u201d. A cabeleireira lembra que se deu conta deste preconceito com um antigo namorado ap\u00f3s engordar. \u201cCome\u00e7amos a ficar juntos quando tinha uns 17 anos. Na \u00e9poca, estava mais magra. Era alta, muito peito e bunda. Quando fui engordando, ele parou de querer sair comigo. Um dia, sentei ao seu lado, ele simplesmente levantou e foi para a outra cadeira. Parei para pensar: \u2018Ser\u00e1 que ele tem vergonha de mim?\u2019\u201d. Em seguida, confessou que em outro momento ele disse: \u201cQuando voc\u00ea vai emagrecer? Se n\u00e3o ficar mais magra, a gente vai ter que terminar\u201d. \u00a0Para Geane, essa situa\u00e7\u00e3o resultou no hiato de tr\u00eas anos sem querer ficar com ningu\u00e9m. \u201cEstava esperando encontrar o pr\u00edncipe encantado, coisa que n\u00e3o aconteceu at\u00e9 hoje\u201d.<\/p>\n<p><strong>Solid\u00e3o como companhia<\/strong><\/p>\n<p>O fato \u00e9 que as mulheres gordas s\u00e3o julgadas por todos os lados por serem como s\u00e3o. \u201cNossa, voc\u00ea tem at\u00e9 um rosto bonitinho\u201d, \u201cSe emagrecesse um pouquinho ficaria linda\u201d, s\u00e3o frases escutadas no cotidiano delas. Al\u00e9m da rejei\u00e7\u00e3o, em que s\u00e3o vistas apenas como \u2018passatempos\u2019 para os homens, o que inviabiliza uma vida amorosa est\u00e1vel, para aquelas que almejam esse status, elas s\u00e3o, muitas vezes, ignoradas no mercado de trabalho, na TV, no cinema, na publicidade, sem nem terem o direito de reclamar, pois ser\u00e3o tachadas como o comportamento desviante do aceit\u00e1vel. \u00a0\u201cA mulher gorda precisa aprender a se amar, entender um pouco sobre o feminismo, n\u00e3o permitir ficar ref\u00e9m de relacionamentos abusivos em casa e em namoros\u201d, reafirmou Sandra.<\/p>\n<p>Apesar do debate atual, esse tema j\u00e1 era discutido h\u00e1 alguns anos. Uma pesquisa intitulada \u201cPor que o mundo odeia as gordas\u201d, de 2006, revelou que 52% das leitoras acham que \u00e9 pior engordar 15 quilos do que reduzir o sal\u00e1rio em 30%; 37% ficam incomodadas vendo uma mulher gorda comer hamb\u00farguer com batatas fritas e 66% admitiram j\u00e1 ter feito um coment\u00e1rio maldoso ao ver uma mulher gorda usando biqu\u00edni. Os dados s\u00e3o da revista Marie Claire. Sendo assim, das formas de discrimina\u00e7\u00e3o discutidas, talvez a que envolva as mulheres gordas seja a mais delicada, pois ao analisar que atitudes racistas ou homof\u00f3bicas s\u00e3o conden\u00e1veis, aparentemente n\u00e3o h\u00e1 problemas em condenar algu\u00e9m acima do peso esperado. Com isso, a solid\u00e3o vira uma realidade na vida de centenas delas. Muitas se isentam do mundo por n\u00e3o saber lidar com os frequentes ataques e descasos das pessoas; outras que idealizaram durante anos uma rela\u00e7\u00e3o est\u00e1vel enclausuram-se por frustra\u00e7\u00e3o ao perceber que ser\u00e3o encaradas apenas para prazeres sexuais.<\/p>\n<p>Segundo a psic\u00f3loga Julianna Brito, que apresenta experi\u00eancia com pessoas indicadas \u00e0 cirurgia de redu\u00e7\u00e3o de est\u00f4mago (bari\u00e1trica), muitas de suas pacientes chegam ao consult\u00f3rio com grau elevado de baixa autoestima. O diagn\u00f3stico pode ser associado \u00e0s dificuldades do cotidiano. \u201cAtendo muitas mulheres que se queixam da dificuldade em encontrar roupas, de comprar apenas o que cabe e n\u00e3o o que as agradam. Citam que muitas vezes n\u00e3o conseguem emprego ou at\u00e9 mesmo uma promo\u00e7\u00e3o no trabalho em fun\u00e7\u00e3o da apar\u00eancia, da obesidade. Por vivermos em uma sociedade, que cultiva como padr\u00e3o de beleza a magreza, e podemos perceber isso desde as barbies, as propagandas de TV at\u00e9 a maioria das atrizes. Essas mulheres, muitas vezes, desenvolvem o sentimento de rejei\u00e7\u00e3o, come\u00e7am a n\u00e3o ter o sentimento de perten\u00e7a e iniciam cren\u00e7as negativas sobre si, o que contribui diretamente para a constru\u00e7\u00e3o de uma baixa autoestima&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>A jornalista e youtuber Alexandra Gurgel tem levantado questionamentos sobre a invisibilidade desta popula\u00e7\u00e3o, especialmente das mulheres. No final de 2016, ela publicou no seu canal um v\u00eddeo de 17 minutos elencando os motivos que formam a equa\u00e7\u00e3o da \u201cSolid\u00e3o da mulher gorda\u201d. Em um misto de desabafo e estudo, Alexandra toca nas principais feridas do assunto. Assista:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A SOLID\u00c3O DA MULHER GORDA \u00c9 REAL - Alexandrismos\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rC01h9GHGLI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Concurso de Miss Plus Size apoia ou limita? <\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_33702\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-33702\" class=\"wp-image-33702 size-medium\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/1-300x200.jpg 300w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/1-768x512.jpg 768w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/1.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-33702\" class=\"wp-caption-text\">Fl\u00e1via participando de um desfile plus size. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/Facebook Fl\u00e1via Xavier)<\/p><\/div>\n<p>Na contram\u00e3o das mulheres que se isolam por n\u00e3o conseguirem lidar com as press\u00f5es sociais oriundas das suas formas, outras come\u00e7am a despontar em busca de valoriza\u00e7\u00e3o dos seus contornos. Militantes gordas passam a ocupar seus espa\u00e7os e com isso, obviamente, o mercado se atenta.<\/p>\n<p>Nessa l\u00f3gica, surgem, aqui no Brasil, em 2011, as modelos plus sizes (tamanho grande). A ideia, que se vende, \u00e9 da representatividade, de buscar fazer uma moda para todas. No entanto, dentro de movimentos feministas e nas opini\u00f5es de diferentes estudiosos da moda, existem questionamentos quanto ao fato da metodologia do Miss Plus Size contribuir para a cultura da objetifica\u00e7\u00e3o desta mulheres. Entre as discuss\u00f5es, a problem\u00e1tica de que no momento em que tenta se criar um padr\u00e3o da mulher grande, o evento vai colocar a margem quem n\u00e3o pertence ao quadro est\u00e9tico.<\/p>\n<p>Ao olhar um pouco para tr\u00e1s e analisar o mais tradicional concurso de misses, que \u00e9 o Miss Universo, criado em 1952, nota-se que ele foi e \u00e9 fundamental para refor\u00e7ar e criar novas concep\u00e7\u00f5es da ditadura da beleza, al\u00e9m de colocar as mulheres em situa\u00e7\u00e3o de objeto \u00e0\u00a0espera da avalia\u00e7\u00e3o masculina. Sandra reconhece ter problemas com concursos do tipo. \u201cN\u00e3o entendo voc\u00ea pagar para ser reconhecida como uma mulher bonita. S\u00e3o gastos com inscri\u00e7\u00f5es, roupas, maquiagens e cabelo. Muitas nem tem esse dinheiro, sabe? Al\u00e9m do mais, \u00e9 complicado, pois n\u00e3o veremos representatividade. \u00c9 pouco prov\u00e1vel encontrar uma vencedora que vista 60, mesmo que tenho o rosto mais bonito\u201d, frisou.<\/p>\n<p>Para Fl\u00e1via Xavier, que foi uma das candidatas no miss plus size em Uberl\u00e2ndia, Minas Gerais, e hoje trabalha como modelo, o concurso \u00e9 \u201cum pouco fachada\u201d. \u201cN\u00e3o \u00e9 para gorda. Ele n\u00e3o vai pegar algu\u00e9m que veste mais de 60 e trabalhar para colocar no desfile, sabe? Hoje, percebo que se trata de algo mais para o lado financeiro\u201d, iniciou. Depois, teceu cr\u00edticas aos organizadores do evento. \u201cO pessoal que organizou o trabalho de miss aqui [Uberl\u00e2ndia] n\u00e3o deve gostar muito das caracter\u00edsticas da gorda. N\u00e3o sei como funciona nos outros estados, mas aqui \u00e9 assim\u201d, frisou.<\/p>\n<p>Fl\u00e1via diz que sempre foi acima do peso \u201cideal\u201d e que tamb\u00e9m \u00e9 alvo de fetichiza\u00e7\u00e3o. \u201cNos meus 12 para 13 anos, sofri muito. Depois, tive relacionamentos onde n\u00e3o era assumida. O cara virava e dizia: \u2018Se voc\u00ea falar que est\u00e1 namorando comigo, a gente n\u00e3o fica mais\u2019. Era dif\u00edcil ouvir coisas desse tipo. Existe tamb\u00e9m a quest\u00e3o de que eles dizem que a gordinha \u00e9 s\u00f3 boa de cama, fora outros desrespeitos absurdos que a gente vai ouvindo\u201d, criticou.<\/p>\n<p>A modelo reconhece que h\u00e1 diferentes formas de objetifica\u00e7\u00e3o da mulher gorda, sendo miss ou n\u00e3o, por isso, \u00e9 preciso o olhar atento das pessoas. \u201cN\u00f3s precisamos nos valorizar. A sociedade \u00e9 um reflexo dos nossos comportamentos\u201d, concluiu Fl\u00e1via.<\/p>\n<div id=\"attachment_33735\" style=\"width: 431px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/?attachment_id=33735\" rel=\"attachment wp-att-33735\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-33735\" class=\" wp-image-33735\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/caixadetextocerta-2.jpg\" alt=\"\" width=\"421\" height=\"981\" srcset=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/caixadetextocerta-2.jpg 1410w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/caixadetextocerta-2-129x300.jpg 129w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/caixadetextocerta-2-768x1790.jpg 768w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/caixadetextocerta-2-439x1024.jpg 439w\" sizes=\"(max-width: 421px) 100vw, 421px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-33735\" class=\"wp-caption-text\">Design: Thiago Concei\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres gordas buscam as redes sociais para desabafar contra o fato de serem vistas apenas como objetos sexuais J\u00fanior Moreira e Thiago Concei\u00e7\u00e3o \u201c\u2018Minha del\u00edcia, adoro mulheres como voc\u00ea\u2019. 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