{"id":33948,"date":"2017-08-31T09:03:38","date_gmt":"2017-08-31T12:03:38","guid":{"rendered":"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/?p=33948"},"modified":"2017-11-04T09:15:28","modified_gmt":"2017-11-04T12:15:28","slug":"cena-dramaturgica-quando-a-voz-da-mulher-e-projetada-pelo-corpo-masculino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/cena-dramaturgica-quando-a-voz-da-mulher-e-projetada-pelo-corpo-masculino\/","title":{"rendered":"Cena dramat\u00fargica: quando a voz da mulher \u00e9 projetada pelo corpo masculino"},"content":{"rendered":"<p><em>Discuss\u00f5es acerca da teatralidade de homens interpretarem pap\u00e9is femininos<\/em><\/p>\n<h6>J\u00fanior Moreira e Thiago Concei\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na adolesc\u00eancia, em S\u00e3o Paulo, o jovem Herbert Silva Le\u00e3o criou a Lility Buck, personagem que surgiu como forma de reconhecimento, ratifica\u00e7\u00e3o e empoderamento de uma classe mais marginalizada, vista como minoria dentro da sociedade, a drag queen. Hoje, aos 29 anos, o ator e diretor teatral que migrou da capital paulista para Salvador, reverbera seu discurso em todos as produ\u00e7\u00f5es que prop\u00f5e na Bahia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim como ele, na dramaturgia n\u00e3o \u00e9 novidade ver homens interpretando pap\u00e9is femininos. Enquanto uns reproduzem estere\u00f3tipos, outros buscam entender a atmosfera. Na arte encontra-se de tudo. Seja como as pr\u00f3prias drags, travestis ou mulheres, volta e meia, eles aparecem e muitas vezes levantam debate. Paulo Gustavo virou Dona Herm\u00ednia em \u201cMinha M\u00e3e \u00e9 uma Pe\u00e7a\u201d, John Travolta encarnou a Edna Turnblad em \u201cHairspray\u201d, Shawn Wayans e Marlons Wayans fizeram sucesso como \u201cAs Branquelas\u201d em 2004 e at\u00e9 Kayky Brito, ainda adolescente, viveu a Bernadette, rapaz criado como menina por sua m\u00e3e em \u201cChocolate com Pimenta\u201d. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33992\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/4.gif\" alt=\"\" width=\"380\" height=\"380\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na Bahia, uma das grandes expoentes desse aspecto interpretativo \u00e9 a Companhia Baiana de Patifaria que, como parte da comemora\u00e7\u00e3o pelos 30 anos, resolveu remontar pela terceira vez um dos seus maiores sucessos: \u201cAs Novi\u00e7as Rebeldes\u201d. Assim como das outras vezes (1995 e 2005), a Cia manteve a dire\u00e7\u00e3o de Wolf Maia e o elenco formado apenas por homens para abordar a hist\u00f3ria de cinco freiras, que sobreviveram a sopa contaminada servida no convento da Irmandade Salue Marie, e agora precisam arrecadar dinheiro para o sepultamento de outras quatro irm\u00e3s da congrega\u00e7\u00e3o que n\u00e3o foram enterradas, principalmente depois que a madre decidiu comprar um iPhone 7 Plus e acabou com as economias da ordem religiosa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cTem gera\u00e7\u00f5es que n\u00e3o viram Novi\u00e7as em 95, mas agora podem olhar pela primeira vez. A melhor forma de voltar era resgatando as personagens, puxando do acervo. Existe uma faixa de p\u00fablico que pede muito por esse estilo de espet\u00e1culo\u201d, explica Lelo Filho, criador da Companhia. Em seguida, ele pontua algumas das complexidades de trabalhos desse formato. \u201cNem todo ator consegue a transi\u00e7\u00e3o entre o seu g\u00eanero e o oposto. Cada integrante come\u00e7a a sentir as dificuldades de usar elemento, como um salto alto. Existe, no nosso caso, o objetivo de tornar a personagem mais org\u00e2nica\u201d.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_33953\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-33953\" class=\"wp-image-33953 size-full\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/2.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/2.jpg 620w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><p id=\"caption-attachment-33953\" class=\"wp-caption-text\">Elenco da nova temporada tem Lelo Filho, M\u00e1rio Bezerra, Marcos Barretto, Rodrigo Villa e L\u00e1zaro Reinaldo (Foto: Diney Araujo)<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m de Lelo, o elenco \u00e9 formado por M\u00e1rio Bezerra, Rodrigo Villa, L\u00e1zaro Reinaldo, escolhido atrav\u00e9s de audi\u00e7\u00e3o, e Marcos Barretto, que est\u00e1 h\u00e1 dois anos na Companhia. \u201cQuando recebi o convite de Lelo para fazer uma leitura e em seguida entrar no grupo, achei maravilhoso pois era a oportunidade de me aprofundar nessa com\u00e9dia rasgada, n\u00e9? De dar vida a tipos muito importantes na hist\u00f3ria do teatro brasileiro\u201d, reitera. Para Marcos, n\u00e3o existe uma grande dificuldade para compor essas mulheres, \u00e9 preciso respeitar os limites e caracter\u00edsticas de cada uma, distanciando-se do que ele \u00e9. \u201cO maior cuidado \u00e9 de n\u00e3o cair na coisa caricata. \u00c9 convencer mesmo diante de um texto. Construir uma mulher sem trejeitos masculinos, entende? Naturalizar esse ser\u201d.<\/span><\/p>\n<p><strong>Lugar de fala<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em uma \u00e9poca que a busca pela representatividade \u00e9 t\u00e3o debatida, ter homens dando voz e contexto a falas que n\u00e3o s\u00e3o suas, levantando causas que, diante do atual discurso, n\u00e3o lhes cabem, devem trazer algumas retalia\u00e7\u00f5es. Quanto a isso, Lelo \u00e9 direto. \u201cEsse tamb\u00e9m \u00e9 o trabalho do ator. Algumas mulheres criticam e acham os pap\u00e9is escrachados, mas a maioria ama e cria la\u00e7os com os int\u00e9rpretes\u201d, defende sendo completado por Marcos: \u201cFui construindo essa consci\u00eancia de que o papel do artista \u00e9 de dar voz a um personagem, seja ele feminino ou n\u00e3o. \u00c9 como qualquer outro personagem\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A jornalista Rubian Melo, que \u00e9 feminista, militante e colaboradora do Blogueira Negras e da Revista Afirmativa discorda desse posicionamento. \u201cAt\u00e9 pouco tempo, os homens eram maioria no teatro e por isso faziam pap\u00e9is femininos. Isso era aceit\u00e1vel, pois compreendendo o contexto sociocultural em que havia poucas mulheres trabalhando fora do lar. Por\u00e9m, hoje em dia, j\u00e1 existem muitas mulheres atuando e, por isso, n\u00e3o faz sentido ainda ver homens realizando tais pap\u00e9is\u201d, reclama e completando que o inc\u00f4modo tamb\u00e9m \u00e9 presente por se tratar de espet\u00e1culos de humor, o que pode induzir o p\u00fablico a pensar que apenas homens conseguem ser engra\u00e7ados: \u201cEstamos na era de piadas sem preconceito, estere\u00f3tipos e bullying; piadas que n\u00e3o deteriore ou incomodem. Os humoristas precisam se reciclar e entender que as mulheres podem realizar seus pr\u00f3prios pap\u00e9is seja no teatro ou em qualquer outra \u00e1rea\u201d. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>Cena LGBT<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de depoimentos como o de Rubian, que representam a busca pelo seu lugar de fala e atua\u00e7\u00e3o, a arte tamb\u00e9m \u00e9 espa\u00e7o para liberta\u00e7\u00e3o pessoal. Por esse motivo, a discuss\u00e3o sobre homens em pap\u00e9is femininos migra para outro ponto. Herbet representa esse tipo. Como dito, sua Lility surgiu como protesto de um sistema vigente. \u201cQuando a gente escolhe ser homem, socialmente no g\u00eanero masculino, existe uma melancolia pelo fato de perder o lado feminino. A quest\u00e3o de me montar como Lility traz esse resgate. Ela apresenta um pouco da minha cultura, da forma de entender o mundo como bissexual. Gosto de pessoas, n\u00e3o de vaginas ou p\u00eanis. Meu prazer \u00e9 sentir os outros no seu jeito de ser, na sua ess\u00eancia\u201d, destaca.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_33957\" style=\"width: 778px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-33957\" class=\"size-medium_large wp-image-33957\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/3-768x512.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/3-768x512.jpg 768w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/3-300x200.jpg 300w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/3.jpg 960w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><p id=\"caption-attachment-33957\" class=\"wp-caption-text\">A personagem Lility em cena com suas duas colegas ao lado (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com rela\u00e7\u00e3o a discuss\u00e3o de g\u00eanero sobre a sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o profissional, ele enxerga como uma quest\u00e3o de afirma\u00e7\u00e3o social e acredita que \u00a0muitos dos homens que fazem personagens oposto ao seu\u00a0de forma espont\u00e2nea n\u00e3o t\u00eam a ideia de defender uma luta que o n\u00e3o considera como algo negativo. \u201cPor\u00e9m, o meu objetivo com a Lility \u00e9 passar a mensagem de afirma\u00e7\u00e3o para a sociedade. O g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tico. \u00c9 constru\u00e7\u00e3o. Assim, tenho o foco em mostrar que existem outras possibilidades no mundo, lembran\u00e7as feitas por meio da personagem\u201d. Por fim, ainda destaca que cabe ao ator trazer esses posicionamentos para os trabalhos, pois, para ele, \u00e9 uma quest\u00e3o de tomada de consci\u00eancia. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para atriz Mila Maria, pior do que um homem interpretar uma mulher \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o em si. \u201cExiste a tend\u00eancia ao estere\u00f3tipo e isso s\u00f3 refor\u00e7a o pensamento machista e superficial que a sociedade tem sobre n\u00f3s. A n\u00e3o ser que o estere\u00f3tipo seja o fim, como nas com\u00e9dias, mas, ainda assim, \u00e9 preciso ter cuidado\u201d, frisa. Em rela\u00e7\u00e3o aos tipos da cena LGBT, como apresentado por Herbet, ela pondera: \u201cAs drags, antes de mais nada, s\u00e3o s\u00edmbolos de luta. Foi a forma que essas pessoas encontraram de se enxergar, de se encontrar e de serem vistas, ou melhor, ouvidas. Mas tamb\u00e9m isso \u00e9 apenas uma das milhares de interpreta\u00e7\u00e3o, afinal, n\u00e3o me encontro no meu lugar de fala\u201d, lembra.<\/span><\/p>\n<p><strong>Mainha fora da curva<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diante do cen\u00e1rio dos que s\u00e3o contra e daqueles a favor, \u00e0s vezes, o personagem pode cair no gosto popular e essa discuss\u00e3o sobre um homem interpretar o personagem feminino acaba saindo de foco. Um bom exemplo contempor\u00e2neo \u00e9 o que conseguiu fazer o ator Suliv\u00e3 Bispo com sua Mainha, da p\u00e1gina \u201cFrases de Mainha\u201d. Idealizado inicialmente pelos amigos Caio Cezar Oliveira e Erick Paz, o projeto de\u00a0cards\u00a0sobre dizeres maternais nordestinos ganhou forma, cor, tom e voz atrav\u00e9s dos atores\u00a0Suliv\u00e3 e Thiago\u00a0Almasy\u00a0(J\u00fanior). De l\u00e1 pra c\u00e1, a p\u00e1gina saltou de 5 mil curtidas para quase 400 mil e muito se deve ao tipo criado para essa matriarca. Mainha \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o da mulher negra, perif\u00e9rica e que faz o que pode para criar seu filho. \u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=mtoHjS_S7-Y\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=mtoHjS_S7-Y<\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSempre quando as pessoas me perguntam em que me inspirei para fazer essa personagem, digo que veio do \u00fatero de minha m\u00e3e. Ent\u00e3o, existe todo o respeito ao fazer um tipo feminino. N\u00e3o \u00e9 um menino tentando fazer uma mulher, \u00e9 um menino mostrando como ele v\u00ea essas mulheres, essas matriarcas do nosso cotidiano\u201d, constata \u00a0e exemplifica ao dizer que o tipo \u00e9 um dos seus primeiros personagens femininos. \u201cTive a preocupa\u00e7\u00e3o da n\u00e3o hipersexualiza\u00e7\u00e3o do corpo negro. Um ator pode fazer uma mulher e n\u00e3o s\u00f3 de maneira estereotipada, mas trazendo a gra\u00e7a e beleza regional e popular\u201d, assegura. Quanto \u00e0s respostas positivas nas ruas, ele \u00e9 sincero: \u201cFico muito surpreso e feliz. Se eu fizesse Mainha muito caricata, estaria falando mal de mim, minha m\u00e3e, minha av\u00f3 e l\u00e1 fora j\u00e1 fazem muito isso, n\u00e9? Falam mal de gordo, viado, preto&#8230; Esse n\u00e3o \u00e9 o meu lugar. N\u00e3o posso falar mal de mim. Tento representar bem a nossa hist\u00f3ria\u201d.<\/span><\/p>\n<p><strong>Virada de \u00e2ngulo<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Do outro lado da moeda, existem exemplos de mulheres que interpretaram personagens pensados inicialmente para serem ocupados por atores masculinos. Apesar de n\u00e3o se vestirem de homens, elas aceitaram fazer os pap\u00e9is sem realizar altera\u00e7\u00f5es nos roteiros. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre saltos por cima de carros, socos e tiros, Angelina Jolie fez nas cenas do filme Salt (2010) todas as a\u00e7\u00f5es que seriam executadas por Tom Cruise, primeiro ator idealizado pelo diretor do longa. Para sair de Edwin Salt para Evelyn Salt, interpretada pela atriz, bastou apenas uma troca dos nomes.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34005\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/5.gif\" alt=\"\" width=\"380\" height=\"380\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No caso da personagem Kyle do filme Plano de Voo (2004), nem o nome precisou ser alterado. Ap\u00f3s a entrada da atriz Jodie Foster no elenco, a narrativa que deveria ser de um pai que vai resgatar a sua filha, virou a de uma m\u00e3e que corre atr\u00e1s do mesmo objetivo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Voltando um pouco no tempo, em 1979, a Tenente Ripley de Alien, o Oitavo Passageiro era um segundo, de acordo com relatos do diretor Ridley Scott. No entanto, depois de pensar que o papel poderia ser feito por uma mulher, ele organizou testes e selecionou a atriz Sigourney Weaver, que se transformou protagonista e pediu que n\u00e3o fossem feitas mudan\u00e7as no roteiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Perda ou n\u00e3o de representatividade, a verdade \u00e9 que na maioria dos casos os atores vivem personagens que t\u00eam o objetivo de gerar de forma proposital debates sociais. Lugar de fala, caracter\u00edsticas do feminino e do masculino, seja qual for o tema, o palco do teatro ou as telonas do cinema parecem ser \u00f3timos lugares para as quebras de padr\u00f5es. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na dramaturgia n\u00e3o \u00e9 novidade ver homens interpretando pap\u00e9is femininos. 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