{"id":34021,"date":"2017-08-31T09:20:56","date_gmt":"2017-08-31T12:20:56","guid":{"rendered":"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/?p=34021"},"modified":"2017-11-04T09:26:24","modified_gmt":"2017-11-04T12:26:24","slug":"a-perspectiva-das-torcidas-organizadas-sobre-violencia-no-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/a-perspectiva-das-torcidas-organizadas-sobre-violencia-no-futebol\/","title":{"rendered":"A perspectiva das torcidas organizadas sobre viol\u00eancia no futebol"},"content":{"rendered":"<p><em>Membros de torcidas reclamam de preconceito e crucificam atos de viol\u00eancia<\/em><\/p>\n<h6><span style=\"color: #808080;\">BRUNO LUIZ E MATHEUS CALDAS<\/span><\/h6>\n<p>O Ba-Vi do dia 9 de abril de 2017 prometia ser um marco. Presidentes de Bahia e Vit\u00f3ria entraram em acordo para que, no primeiro cl\u00e1ssico do ano, com mando tricolor, houvesse um setor destinado \u00e0 torcida mista. No entanto, o efeito esperado foi totalmente o oposto. Membros de torcidas organizadas, suspensas para aquele jogo, entraram em confronto do lado de fora da Arena Fonte Nova. Instantes depois do triunfo rubro-negro por 2 a 1, Carlos Henrique de Deus, de 17 anos, torcedor do Bahia, que n\u00e3o havia ido ao duelo, foi morto a tiros, na Avenida Vasco da Gama, em Salvador. Familiares atribu\u00edram a morte \u00e0 rivalidade de torcidas. O que era para ser o cl\u00e1ssico s\u00edmbolo da uni\u00e3o entre torcedores, marcou o \u00faltimo Ba-Vi com torcedores dos dois clubes nos est\u00e1dios. Uma recomenda\u00e7\u00e3o expedida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico da Bahia (MP-BA), acatada pela Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol (CBF), estabeleceu que, desde ent\u00e3o, todos os embates entre Le\u00e3o e Esquadr\u00e3o ser\u00e3o com torcida \u00fanica. A medida causou pol\u00eamica. As organizadas defendem que a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 efetiva e, al\u00e9m disso, reclamam de sofrer preconceito e pagarem pela atitude de poucos.<\/p>\n<div id=\"attachment_34040\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-34040\" class=\"wp-image-34040 size-medium\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/carloshenriquedossantosdias-300x256.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"256\" srcset=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/carloshenriquedossantosdias-300x256.jpg 300w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/carloshenriquedossantosdias.jpg 620w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-34040\" class=\"wp-caption-text\">Carlos Henrique de Deus, 17 anos, foi morto em abril deste ano. Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ Facebook<\/p><\/div>\n<p>Um dos organizados que comungam dessa opini\u00e3o \u00e9 o presidente da Torcida Organizada Bamor (TOB), Luciano Ven\u00e2ncio \u2013 a maior dentro do Esporte Clube Bahia. Para ele, as brigas entre torcedores acabam agregando uma imagem ruim \u00e0s agremia\u00e7\u00f5es. \u201cEu me sinto mal porque n\u00e3o \u00e9 isso que a gente quer passar. O nome da torcida j\u00e1 diz tudo: Bahia com amor. A ideologia da gente \u00e9 vibrar, cantar, viver pelo Bahia e para o Bahia\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m membro da Bamor, o associado Rodrigo do Carmo relata sentir preconceito at\u00e9 mesmo de pessoas mais pr\u00f3ximas, como amigos e vizinhos. Para ele, o prejulgamento vem por conta de pessoas que entram em confronto, mas n\u00e3o s\u00e3o, necessariamente, vinculadas \u00e0s torcidas organizadas. \u201cEles dizem que torcida organizada \u00e9 coisa de marginal, de vagabundo. E n\u00e3o \u00e9 isso. Acontece que as brigas mancham. A minoria mancha a maioria. A Bamor tem advogado, jornalista. Aqui tem pessoas de bem\u201d, defende.<\/p>\n<p>Pelo lado rubro-negro, o torcedor Jorge Tadeu tamb\u00e9m sente os olhares preconceituosos quando veste a camisa com o s\u00edmbolo de sua organizada, a Pavilh\u00e3o Jovem, uma esp\u00e9cie de dissid\u00eancia da Torcida Uniformizada Os Imbat\u00edveis (TUI), maior do Vit\u00f3ria. \u201cSe voc\u00ea tiver com camisa de torcida organizada, eles generalizam muito por baixo, como se todos fossem daquela forma, todos pensassem da mesma forma. E, na verdade, n\u00e3o \u00e9 o que queremos que aconte\u00e7a com nossa torcida\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Para Ven\u00e2ncio, a imprensa tem papel crucial na constru\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio de viol\u00eancia que envolve as organizadas. Ele argumenta que parte do preconceito vem do direcionamento dado nas coberturas sobre os confrontos entre torcedores. E ele ressente-se desse tratamento. \u201cViol\u00eancia vende\u201d, reclama.<\/p>\n<div id=\"attachment_34050\" style=\"width: 2058px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-34050\" class=\"wp-image-34050 size-full\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/BaVi_Ca\u00edqueBouzas-2.jpg\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"1365\" srcset=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/BaVi_Ca\u00edqueBouzas-2.jpg 2048w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/BaVi_Ca\u00edqueBouzas-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/BaVi_Ca\u00edqueBouzas-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/BaVi_Ca\u00edqueBouzas-2-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><p id=\"caption-attachment-34050\" class=\"wp-caption-text\">Membros da Bamor fazem festa do lado de fora da Arena Fonte Nova. Cr\u00e9dito: Ca\u00edque Bouzas<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_34067\" style=\"width: 970px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-34067\" class=\"size-full wp-image-34067\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Foto-3.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Foto-3.jpg 960w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Foto-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Foto-3-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><p id=\"caption-attachment-34067\" class=\"wp-caption-text\">Membros da TUI participam do Corredor Rubro-negro, na entrada do Barrad\u00e3o (Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Facebook Vit\u00f3ria at\u00e9 o fim)<\/p><\/div>\n<p>Procurada pela reportagem, a TUI n\u00e3o teve nenhum representante encontrado para falar sobre o tema.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3rico de confrontos<\/strong><\/p>\n<p>Estar a par de brigas e provoca\u00e7\u00f5es faz parte do cotidiano dos membros de torcidas organizadas, por mais pac\u00edfica que a pessoa seja. Tadeu admite presenciar confrontos desde o in\u00edcio dos anos 2000, quando conheceu o universo das agremia\u00e7\u00f5es. Ele relata que, para alguns colegas, capturar um s\u00edmbolo de uma torcida rival \u00e9 uma esp\u00e9cie de trof\u00e9u. No entanto, hoje em dia, os \u201cpr\u00eamios\u201d est\u00e3o ficando mais caros. Muitos chegam a pagar com a pr\u00f3pria vida. \u201cJ\u00e1 presenciei v\u00e1rias correrias. Era diferente antigamente. Era m\u00e3o com m\u00e3o, pedra com pedra. Hoje n\u00e3o. \u00c9 pau, \u00e9 facada, \u00e9 tiro. Ent\u00e3o, descambou. Antigamente, o trof\u00e9u [da briga] era uma camisa da torcida rival. Hoje, \u00e9 uma vida\u201d, conta.<\/p>\n<p>Por ser o porta-voz da Bamor, Ven\u00e2ncio se diz mais maduro nos dias atuais e, por conta disso, tenta ter uma postura mais serena em momentos de tens\u00e3o. No entanto, ele admite j\u00e1 ter sido punido por uma briga dentro do est\u00e1dio. O presidente da torcida tricolor concorda ter recebido a puni\u00e7\u00e3o adequada, uma vez que a Bamor n\u00e3o recebeu nenhum tipo de san\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mandat\u00e1rio da Bamor defende que medidas sejam tomadas apenas contra quem se envolveu nos confrontos, e n\u00e3o em detrimento das institui\u00e7\u00f5es. \u201cEu vi um rapaz fumando um cigarro na arquibancada, pedi para ele apagar, ele n\u00e3o apagou e, infelizmente, a gente entrou em vias de fato. Peguei seis jogos de puni\u00e7\u00e3o. Foi correto. Eu sou contra pegar um grupo de uniformizados e punir a institui\u00e7\u00e3o\u201d, conta.<\/p>\n<p>Apesar da configura\u00e7\u00e3o dos cl\u00e1ssicos Ba-Vi com torcida \u00fanica, a maioria das brigas e confrontos acontece longe dos est\u00e1dios. Com isso, fica dif\u00edcil para as diretorias controlarem o \u00edmpeto dos torcedores. \u201c\u00c0s vezes, n\u00e3o h\u00e1 nenhum tipo de jogo, mas as pessoas est\u00e3o reunidas fazendo um churrasco, acontece uma briga e a institui\u00e7\u00e3o Bamor \u00e9 punida\u201d, brada Ven\u00e2ncio.<\/p>\n<div id=\"attachment_34068\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-34068\" class=\"wp-image-34068 size-full\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Foto-2.jpg\" alt=\"\" width=\"690\" height=\"379\" srcset=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Foto-2.jpg 690w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Foto-2-300x165.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 690px) 100vw, 690px\" \/><p id=\"caption-attachment-34068\" class=\"wp-caption-text\">Torcedor \u00e9 apreendido por policiais militares ap\u00f3s briga. (Cr\u00e9dito: Ruan Melo)<\/p><\/div>\n<p>A prova disto, na vis\u00e3o de Rodrigo, \u00e9 que as tens\u00f5es nos arredores dos locais em que as partidas s\u00e3o realizadas v\u00eam diminuindo. H\u00e1 um controle cada vez maior da pol\u00edcia para conduzir os torcedores antes e depois dos jogos. \u201cIsso a\u00ed est\u00e1 acabando mais. Quando tem cl\u00e1ssico, as torcidas visitantes chegam bem cedo ao est\u00e1dio e saem bem depois do jogo, para evitar este tipo de conflito\u201d, contrap\u00f5e.<\/p>\n<p>Segundo Tadeu, as medidas tomadas pelas institui\u00e7\u00f5es para coibir os atos de viol\u00eancia t\u00eam sido efetivas. Ele cita como exemplo o trabalho do Batalh\u00e3o Especializado em Policiamento de Eventos (BEPE), da Pol\u00edcia Militar. Criado em 2012, o grupamento atua realizando a seguran\u00e7a em partidas de futebol, al\u00e9m de outros grandes eventos na capital baiana. Com um trabalho que \u201cpega pesado\u201d, na avalia\u00e7\u00e3o do dirigente da torcida rubro-negro, o BEPE tem tra\u00e7ado boas estrat\u00e9gias para evitar confrontos entre integrantes de torcidas rivais. \u201cN\u00f3s somos registrados no BEPE. Tem reuni\u00f5es. A gente vai participar do projeto Torcida Legal, que o BEPE est\u00e1 convocando. Toda vez que h\u00e1 um cl\u00e1ssico h\u00e1 reuni\u00e3o no QG deles. A gente sempre recebe instru\u00e7\u00f5es. Eles fazem uma preven\u00e7\u00e3o muito grande, muito rigorosa. Ent\u00e3o, a gente j\u00e1 tem um di\u00e1logo melhor com o BEPE\u201d, relata.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Membro de torcida organizada reclama de preconceito\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0KmpVqpBpDk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Torcida \u00fanica gera diverg\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o do promotor de Justi\u00e7a do Consumidor, Ol\u00edmpio Campinho, de instituir a torcida \u00fanica nos cl\u00e1ssicos Ba-Vi gerou controv\u00e9rsia. A avalia\u00e7\u00e3o un\u00e2nime entre os tr\u00eas torcedores ouvidos pelo ID 126 \u00e9 de que a medida acaba desagregando ao esp\u00edrito esportivo do mais tradicional embate do futebol baiano. No entanto, para Tadeu, a interven\u00e7\u00e3o do MP-BA era necess\u00e1ria. \u201cEu acho v\u00e1lido, por enquanto, fazer essa separa\u00e7\u00e3o um pouco, at\u00e9 fazer a poeira baixar. \u00c9 preciso alinhar todo mundo em um mesmo pensamento\u201d, defende.<\/p>\n<p>J\u00e1 na avalia\u00e7\u00e3o de Ven\u00e2ncio, com a torcida \u00fanica, o Brasil deixa de \u201cassistir \u00e0 festa\u201d existente no cl\u00e1ssico. \u201c\u00c9 um carnaval, as torcidas fazendo festa nas arquibancadas. Com a torcida \u00fanica, fica meio apagado o cl\u00e1ssico. Quem acaba perdendo \u00e9 o cl\u00e1ssico, somos n\u00f3s que gostamos da festa\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Para ele, entretanto, as torcidas possuem, sim, sua parcela de culpa na constru\u00e7\u00e3o da imagem quase generalizada de que elas s\u00e3o violentas. O dirigente da Bamor afirma que as agremia\u00e7\u00f5es podem tomar iniciativas para reduzir a quantidade de confrontos. Uma delas \u00e9 realizar uma triagem mais rigorosa daquelas que buscam se associar. \u201cPrecisamos buscar os l\u00edderes de bairro, saber quem est\u00e1 representando as torcidas. Buscar o cadastro dos associados, fazer triagem de quem \u00e9 a pessoa. E sempre tentando colocar o real do que a torcida representa para o clube para cada um. Cada um que veste a camisa tem uma responsabilidade enorme de representar o clube. Muitos vestem a camisa da torcida e pensam que pode tudo\u201d, defende.<\/p>\n<p><strong>\u201cIsso a imprensa n\u00e3o mostra\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto a credibilidade das organizadas se esfarela junto \u00e0 sociedade, elas tentam vender uma imagem diferente daquela que a popula\u00e7\u00e3o se acostumou a comprar. Luciano Ven\u00e2ncio fala sobre o que, segundo ele, a imprensa prefere n\u00e3o mostrar: os projetos sociais tocados pela Bamor. Segundo o dirigente da maior torcida do Bahia, a institui\u00e7\u00e3o, a despeito das confus\u00f5es em que recorrentemente se v\u00ea envolvida, tem um \u201cimportante papel social\u201d. \u201cUm deles \u00e9 com um trabalho de percuss\u00e3o. Aprendendo a tocar, os membros movimentam a mente, saem de v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es de risco na sociedade. A parte social que a gente vem fazendo sempre \u00e9 entrega de alimentos em institui\u00e7\u00f5es de caridade. Fazemos isso mensalmente\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Do lado do Vit\u00f3ria, a Pavilh\u00e3o Jovem tamb\u00e9m busca realizar trabalhos sociais. \u201cTem campanha do agasalho. Oferecemos tamb\u00e9m alimentos para moradores de rua, fazemos doa\u00e7\u00e3o de sangue para o Hemoba. A gente sempre est\u00e1 promovendo algo em prol das pessoas que necessitam mais que a gente\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>Batalh\u00e3o especializado tenta conter viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Para frear o aumento dos \u00edndices de viol\u00eancia entre as torcidas no estado, foi criado, em 2012, o Batalh\u00e3o Especializado em Policiamento de Eventos (Bepe). Determina\u00e7\u00e3o da Fifa para cidades que sediaram a Copa das Confedera\u00e7\u00f5es e a Copa do Mundo, no caso de Salvador, o grupamento acompanha, desde ent\u00e3o, os passos das organizadas, sobretudo em dias de cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p>De acordo com o comandante do Bepe, tenente coronel Saulo, o acompanhamento das atividades das agremia\u00e7\u00f5es come\u00e7a pela internet. \u201cMonitoramos as p\u00e1ginas das torcidas. \u00c0s vezes, elas marcam alguns encontros em pontos da cidade para se confrontar. Nisso, a gente vai monitorando durante a semana que antecede o jogo e vamos repassando para outras unidades de pol\u00edcia darem apoio\u201d, explica.<\/p>\n<p>Praticamente nada pode deixar de passar pelo crivo do batalh\u00e3o. Todo ano, as torcidas organizadas precisam disponibilizar o cadastro de todos seus associados, conforme previsto no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com o Minist\u00e9rio P\u00fablico da Bahia (MP-BA) e revisado anualmente. Antes dos jogos de maior preocupa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o marcadas reuni\u00f5es entre membros da torcida, Bepe, Pol\u00edcia Civil, PM e Comando de Opera\u00e7\u00f5es Especiais. \u201cFazemos a busca pessoal com vistas a quest\u00e3o de drogas, armas e armas brancas, al\u00e9m de fogos de artif\u00edcio. Conduzimos todos eles [torcida do time advers\u00e1rio] ao est\u00e1dio com previs\u00e3o de duas horas de anteced\u00eancia, para evitar confrontos\u201d, conta o tenente coronel. Na tentativa de evitar embates, as torcidas ficam em espa\u00e7os separados no est\u00e1dio. Ao t\u00e9rmino do jogo, os torcedores do time rival ao que possui o mando de campo s\u00f3 deixam o local ap\u00f3s a sa\u00edda da torcida do clube da casa.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>\u201cTorcedores avulsos t\u00eam receio de estar perto das torcidas organizadas. O que move elas, pelo menos o que a gente v\u00ea no Brasil, \u00e9 a viol\u00eancia, at\u00e9 por uma quest\u00e3o de demonstrar poder\u201d, diz o comandante do Bepe o tenente coronel Saulo<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>Desde a cria\u00e7\u00e3o do Bepe, as maiores torcidas de Bahia e Vit\u00f3ria j\u00e1 receberam algumas puni\u00e7\u00f5es. A Bamor chegou a ficar 180 dias suspensa dos jogos, em 2016, no Campeonato Brasileiro, a maior san\u00e7\u00e3o imposta pelo grupamento. No Baiano, levou sete puni\u00e7\u00f5es. Os Imbat\u00edveis, por sua vez, ficaram de fora dos est\u00e1dios por 30 dias, tamb\u00e9m no Brasileir\u00e3o. Em um jogo entre Vit\u00f3ria e Vasco, a TUI hasteou, nas arquibancadas do Barrad\u00e3o, uma bandeira de um grupo organizado do Flamengo, maior rival vasca\u00edno. A atitude \u00e9 vetada pelo TAC.<\/p>\n<p>Sobre o fato de as puni\u00e7\u00f5es serem mais para as institui\u00e7\u00f5es do que circunscritas \u00e0queles que participaram dos atos de viol\u00eancia, alvo de reclama\u00e7\u00e3o de Luciano Ven\u00e2ncio, presidente da Bamor, Saulo afirma que isto ocorre por uma postura das pr\u00f3prias organizadas, que muitas vezes se negam a fornecer dados de torcedores. N\u00f3s convocamos os l\u00edderes das torcidas e pedimos que eles apresentem documentos com o nome dos torcedores. Damos prazo para eles apresentarem esse documento. E, como eles n\u00e3o apresentam, e isso \u00e9 cultural, uma quest\u00e3o de \u00e9tica deles, para n\u00e3o ficarem como \u2018entreg\u00f5es\u2019, ent\u00e3o a institui\u00e7\u00e3o \u00e9 punida\u201d, relata.<\/p>\n<p>Na tentativa de estreitar as rela\u00e7\u00f5es com as torcidas, o Bepe criou o programa Torcedor Legal. O objetivo \u00e9 fornecer a torcedores no\u00e7\u00f5es de direito, lei penal, informa\u00e7\u00f5es sobre o Estatuto do Torcedor e do TAC firmado com as organizadas, para que os integrantes delas fiquem cientes do que podem ou n\u00e3o fazer. \u201cA torcida vai disponibilizar alguns membros deles para passar um dia tendo v\u00e1rias no\u00e7\u00f5es dessas no\u00e7\u00f5es, para que a gente tente socializar os indiv\u00edduos a n\u00e3o participarem destes atos violentos. Ao fim, ele recebe um adesivo de que participou do projeto para colocar na camisa do time e n\u00f3s poderemos identific\u00e1-lo no est\u00e1dio\u201d, explica o comandante do Batalh\u00e3o.<\/p>\n<p>E, enquanto as organizadas reclamam da torcida \u00fanica, Saulo afirma que os chamados \u201ctorcedores avulsos\u201d, n\u00e3o vinculados a nenhuma agremia\u00e7\u00e3o, t\u00eam elogiado a medida. Segundo o tenente coronel, ap\u00f3s a recomenda\u00e7\u00e3o do MP ter sido expedida, o n\u00famero de torcedores nos est\u00e1dios aumentou, pois eles se sentem mais seguros ao saberem que a possibilidade de conflitos violentos entre rivais diminui.<\/p>\n<p>Para Saulo, as organizadas passam uma m\u00e1 impress\u00e3o para os demais torcedores que frequentam os jogos de futebol. \u201cTorcedores avulsos t\u00eam receio de estar perto das torcidas organizadas. O que move elas, pelo menos o que a gente v\u00ea no Brasil, \u00e9 a viol\u00eancia, at\u00e9 por uma quest\u00e3o de demonstrar poder\u201d, argumenta. No entanto, ele v\u00ea import\u00e2ncia na presen\u00e7a de qualquer torcida nos est\u00e1dios e cr\u00ea que esse cen\u00e1rio pode ser melhorado. \u201c\u00c9 uma tentativa nossa que eles mudem, pois as torcidas fazem parte dos jogos de futebol. A torcida faz com que os jogos fiquem vivos. \u00c9 importante que os torcedores das torcidas organizadas aprendam que aflorar os sintomas de derrota ou vit\u00f3ria n\u00e3o podem descambar em viol\u00eancia\u201d, destaca.<\/p>\n<p><strong>Brasil: o pa\u00eds da morte em torcidas organizadas<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_34066\" style=\"width: 1210px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-34066\" class=\"wp-image-34066 size-full\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Foto-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Foto-1.jpg 1200w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Foto-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Foto-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Foto-1-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><p id=\"caption-attachment-34066\" class=\"wp-caption-text\">Segundo estudo, apenas 3% dos processos de viol\u00eancia no \u00e2mbito esportivo terminam em condena\u00e7\u00e3o (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o \/ Itaipava Arena Fonte Nova)<\/p><\/div>\n<p>A virul\u00eancia nos confrontos entre os torcedores \u00e9 algo que preocupa no mundo, sobretudo no Brasil. O pa\u00eds \u00e9 onde mais se morre no mundo em decorr\u00eancia dos embates. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 do soci\u00f3logo Maur\u00edcio Murad, professor da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), que contabiliza as mortes no futebol desde 2012. A falta de puni\u00e7\u00e3o \u00e9 algo que contribui para a reincid\u00eancia dos ca\u00e7adores de briga. Segundo dados do Minist\u00e9rio dos Esportes, apenas 3% dos processos de viol\u00eancia no \u00e2mbito esportivo terminam em condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas quando o quadro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia nas organizadas se agravou no pa\u00eds? Segundo um estudo realizado pelo soci\u00f3logo Carlos Alberto M\u00e1ximo Pimenta, que tem um mestrado sobre o tema, foi a partir da d\u00e9cada de 80 que o comportamento do torcedor mudou consideravelmente. \u201cIsso se deu pelo surgimento de configura\u00e7\u00f5es organizativas com caracter\u00edstica burocr\u00e1tica\/militar, fen\u00f4meno essencialmente urbano que cria uma nova categoria de torcedor, ou seja, o chamado \u2018torcedor organizado\u2019\u201d, diz o autor no artigo \u201cViol\u00eancia nas torcidas organizadas de futebol\u201d.<\/p>\n<p>O especialista aponta tamb\u00e9m que a g\u00eanese destes agrupamentos est\u00e1 no fim da d\u00e9cada de 60 para o in\u00edcio da d\u00e9cada de 70, em um contexto de crescente desenvolvimento econ\u00f4mico, desarticulado das bases sociais. Com isso, a viol\u00eancia entre as agremia\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e1 separado dos aspectos pol\u00edtico, econ\u00f4mico e socioculturais vividos nas rela\u00e7\u00f5es individuais e grupais na sociedade brasileira contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Ainda segundo Pimenta, \u00e9 comum se atribuir como uma das causas da viol\u00eancia entre torcedores quest\u00f5es de classe social ou fatores estritamente econ\u00f4micos. Ele lembra que as torcidas s\u00e3o compostas pelos mais diversos tipos de pessoas, de todas as classes e com diferenciado poder aquisitivo.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo, no entanto, chega a tr\u00eas fatores que podem explicar essa situa\u00e7\u00e3o. \u201cA juventude, cada vez mais esvaziada de consci\u00eancia social e coletiva; o modelo de sociedade de consumo instaurado no Brasil, que valoriza a individualidade, o banal e o vazio; e o prazer e a excita\u00e7\u00e3o gerados pela viol\u00eancia ou pelos confrontos agressivos\u201d, enumera.<\/p>\n<p>Enquanto os l\u00edderes das organizadas reclamam de preconceito, os n\u00fameros da viol\u00eancia e medidas tomadas pelo poder p\u00fablico mostram que os torcedores n\u00e3o associados t\u00eam motivos que justifiquem o medo de comparecerem aos est\u00e1dios. No entanto, todos tentam se reunir em torno de uma s\u00f3 causa: a paz no futebol.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Envoltas em imagin\u00e1rio de viol\u00eancia, torcidas organizadas tentam vender outra imagem para a sociedade.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":34066,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[40,23,19,2677,1487,2676,302],"acf":[],"aioseo_notices":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v24.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>A perspectiva das torcidas organizadas sobre viol\u00eancia no futebol - Impressao Digital 126<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/a-perspectiva-das-torcidas-organizadas-sobre-violencia-no-futebol\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A perspectiva das torcidas organizadas sobre viol\u00eancia no futebol - 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