{"id":36014,"date":"2018-11-27T19:51:03","date_gmt":"2018-11-27T22:51:03","guid":{"rendered":"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/?p=36014"},"modified":"2018-11-28T11:17:55","modified_gmt":"2018-11-28T14:17:55","slug":"venezuelanos-tentam-nova-vida-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/venezuelanos-tentam-nova-vida-no-brasil\/","title":{"rendered":"Venezuelanos tentam nova vida no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Fugindo de uma grave crise pol\u00edtico-econ\u00f4mica, aproximadamente 200 venezuelanos tentam uma nova vida na Bahia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Deixar para tr\u00e1s sua resid\u00eancia e seu pa\u00eds de origem n\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o f\u00e1cil. O drama \u00e9 ainda maior quando o \u00eaxodo \u00e9, na verdade, uma fuga. Por conta de uma grave crise s\u00f3cio-econ\u00f4mica, milhares de venezuelanos t\u00eam fugido para o Brasil&nbsp; atravessando a fronteira com Roraima em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida.Uma parcela desse fluxo migrat\u00f3rio teve como destino a Bahia. A Par\u00f3quia da Ascens\u00e3o do Senhor, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), estima ter acolhido cerca de 100 venezuelanos. J\u00e1 o projeto&nbsp;\u2018Ref\u00fagio em Salvador\u2019, da Unifacs, organizado por Rafaela Ludolf, coordenadora do N\u00facleo de Pr\u00e1ticas em Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, atende cerca de 30 venezuelanos com aulas de portugu\u00eas e gram\u00e1tica. No interior, as cidades de Alagoinhas e Jequi\u00e9 somam mais 30 refugiados.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Numa parceria entre o Governo Federal do Brasil, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e uma ONG, criou-se uma <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/ba\/bahia\/noticia\/2018\/10\/30\/refugiados-venezuelanos-levados-para-a-bahia-com-emprego-garantido-comecam-a-trabalhar-em-alagoinhas.ghtml\">a\u00e7\u00e3o de interioriza\u00e7\u00e3o de refugiados<\/a>, a partir do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados (Acnur), que auxilia a rela\u00e7\u00e3o dos venezuelanos no pedido de ref\u00fagio com&nbsp;Brasil. A Bahia \u00e9 o primeiro estado brasileiro a receber refugiados venezuelanos com ocupa\u00e7\u00e3o remunerada garantida. No total, 25 venezuelanos foram para Alagoinhas, onde j\u00e1 t\u00eam emprego numa empresa peruana de bebidas. Outros cinco refugiados permanecem em Salvador.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Jequi\u00e9, sudoeste da Bahia, a Igreja Batista local tamb\u00e9m acolheu venezuelanos, como \u00e9 o caso da fam\u00edlia de Pedro Salcedo Gonz\u00e1lez, de 50 anos, que chegou \u00e0 cidade h\u00e1 10 meses. Sua esposa, Norelis, est\u00e1 gr\u00e1vida de 5 meses, e eles pretendem ter o filho em Jequi\u00e9. Pedro conta que \u00e9<em> chef <\/em>de cozinha crioula nacional, e que abandonou a Venezuela por conta do governo opressivo de Maduro e a situa\u00e7\u00e3o fora de controle no pa\u00eds. Passaram um tempo em Boa Vista, capital de Roraima, mas nada conseguiram. Em contato com grupos crist\u00e3os, conseguiram seguir para a Igreja Batista de S\u00e3o Paulo com ajuda da ONU, juntos a outros 28 refugiados. Por meio de contato com um pastor de Jequi\u00e9, conseguiram partir para a cidade baiana com recursos da Igreja.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><a href=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG-20181106-WA0075.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG-20181106-WA0075.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-36016\" width=\"387\" height=\"516\"\/><\/a><figcaption>Pedro Salcedo Gonz\u00e1lez, chef de cozinha venezuelano (Fonte: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Acervo Pessoal)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Pedro e sua esposa foram bem recebidos pela comunidade local e t\u00eam planos de permanecer em Jequi\u00e9 at\u00e9 o governante da Venezuela mudar e o pa\u00eds se reerguer. Segundo ele, o desejo dos refugiados \u00e9 o de retornar para sua p\u00e1tria m\u00e3e futuramente. Sobre o novo governo que assumir\u00e1 o Brasil, ele acredita que seja solid\u00e1rio com todos os imigrantes e espera que ajude a Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Crise come\u00e7ou no governo de Hugo Chavez<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo antes da morte do presidente Hugo Ch\u00e1vez, h\u00e1 cinco anos, a Venezuela j\u00e1 dava sinais de decl\u00ednio: o pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo, que \u00e9 a base da economia da Venezuela, apresentava baixa de pre\u00e7o. Nicol\u00e1s Maduro assumiu o pa\u00eds tentando manter a mesma pol\u00edtica populista bolivariana de seu antecessor. O resultado foi desastroso. Nos mercados, imperam as grandes filas e faltam alimentos, al\u00e9m de produtos de higiene e rem\u00e9dios. Para 2018, <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2018\/10\/09\/fmi-preve-que-inflacao-na-venezuela-chegara-a-10000000-em-2019.ghtml\">o FMI prev\u00ea que a infla\u00e7\u00e3o atingir\u00e1 1.350.000% ao ano<\/a>, com aumento exorbitante do pre\u00e7o de insumos b\u00e1sicos. A economia, ainda de acordo com o Fundo, recuar\u00e1 18% em 2018, e 5% em 2019. Em 2017, o PIB (Produto Interno Bruto) da Venezuela recuou 14% \u2014 quarta queda anual consecutiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto deste ano, Maduro lan\u00e7ou um pacote para conter a hiperinfla\u00e7\u00e3o e anunciou o corte de cinco zeros da moeda local, que passou a se chamar bol\u00edvar soberano. Por\u00e9m, as medidas n\u00e3o t\u00eam surtido efeito, e a repress\u00e3o aos movimentos contr\u00e1rios fica cada vez mais forte. As ruas se enchem de uma oposi\u00e7\u00e3o cada vez mais radical, que encontra uma resposta tamb\u00e9m radical por parte do governo do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), j\u00e1 h\u00e1 18 anos no poder.<strong> \u201c<\/strong>O governo opressivo de Maduro age quando o povo n\u00e3o gosta de suas regras. Estamos cansados da ditadura do regime de Maduro \u2014 somos um povo de protesto, mas eles nos calam\u201d, conta o chef Pedro Salcedo Gonz\u00e1lez.<\/p>\n\n\n\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/time.graphics\/embed?v=1&amp;id=174091\" width=\"100%\" height=\"400\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<div><a style=\"font-size: 12px; text-decoration: none;\" title=\"Gantt chart maker\" href=\"https:\/\/time.graphics\">Gantt chart maker<\/a><\/div>\n\n\n\n<p><em>Cronologia da crise na Venezuela<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Igrejas ajudam no deslocamento e abrigo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A crise econ\u00f4mica \u00e9, hoje, a maior respons\u00e1vel pelo aumento no n\u00famero de venezuelanos que pedem ref\u00fagio. No Brasil h\u00e1 um m\u00eas, Daniel, 34, e Daniela, 36, e o filho Aaron, 7, s\u00e3o uma fam\u00edlia de venezuelanos, que, diante da crise, decidiram sair do pa\u00eds. \u201cEm nosso caso, o problema \u00e9 econ\u00f4mico \u2014 como o de muitos. O que nos fez sair foi a falta de apoio na \u00e1rea de sa\u00fade, de n\u00e3o ter rem\u00e9dio para nosso filho, e a comida \u00e9 muito cara. Desejo dar o melhor para o meu filho e me do\u00eda muito ir para um hospital e saber que n\u00e3o tinha um m\u00e9dico. Essa foi uma das raz\u00f5es para sair do pa\u00eds\u201d, revela Daniela.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes moradores do Estado de Carabobo, a norte da Venezuela, a fam\u00edlia decidiu vir para o Brasil, que fica a 30h de dist\u00e2ncia, em vez da Col\u00f4mbia. Apesar de mais pr\u00f3ximo, o pa\u00eds se encontrava sobrecarregado com a chegada de refugiados venezuelanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, com o aux\u00edlio do Acnur, a cidade de Pacaraima, em Roraima, fronteira com a Venezuela, ajuda os venezuelanos a conseguirem documenta\u00e7\u00e3o para continuar no Brasil. Daniel conta que durante o processo de vinda ao Brasil, o posto da ONU resolveu todos os problemas burocr\u00e1ticos com a entrada no pa\u00eds. \u201cEnquanto faz\u00edamos os documentos, fic\u00e1vamos em Santa Helena, na Venezuela, que fica a 15 minutos de Pacaraima. Dorm\u00edamos l\u00e1 e volt\u00e1vamos ao Brasil\u201d, recorda Daniel.<\/p>\n\n\n\n<p>A estadia deles em Roraima foi curta \u2014 foram apenas quatro dias. Testemunhas de Jeov\u00e1, a fam\u00edlia contou com o aux\u00edlio de outros companheiros de f\u00e9, que fizeram a articula\u00e7\u00e3o com outros membros da religi\u00e3o de Salvador para traz\u00ea-los \u00e0 Bahia. \u201cNossa solidariedade \u00e9 internacional e isso certamente nos ajudou\u201d, conta Daniela.<\/p>\n\n\n\n<p>O clima de apreens\u00e3o que toma a Venezuela\u00a0cria situa\u00e7\u00f5es desesperadoras. Contudo, muitos n\u00e3o preferem esperar. \u201cQuando fomos de Pacaraima para Boa Vista, capital do Estado, vimos pessoas caminhando \u2014 e \u00e9 uma caminhada que levam dias. Por causa da crise, as pessoas n\u00e3o t\u00eam dinheiro e acabam indo andando at\u00e9 Boa Vista\u201d, revela Daniela.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma nova oportunidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Pol\u00edcia Federal, 127 mil pessoas cruzaram a fronteira da Venezuela para o Brasil de 2017 at\u00e9 o primeiro semestre deste ano. A situa\u00e7\u00e3o de crise no territ\u00f3rio brasileiro levou a uma s\u00e9rie de ataques xenof\u00f3bicos a venezuelanos, levando at\u00e9 a <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rr\/roraima\/noticia\/2018\/09\/01\/venezuelano-morador-de-rua-e-morto-a-tiros-e-golpes-de-facao-em-cidade-no-interior-de-roraima.ghtml\">casos de morte<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O plano de interioriza\u00e7\u00e3o de refugiados levou a <a href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticia\/nid\/refugiados-em-salvador\/\">1.098 venezuelanos serem transferidos<\/a> para estados como S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Paran\u00e1. Alguns destes vieram para a Bahia e dezenas de venezuelanos j\u00e1 fazem presen\u00e7a em Salvador. Coordenadora do programa Refugiados na Unifacs, a professora Rafaela Ludolf conta que aproximadamente 25 pessoas participam do programa dela, em sua maioria, venezuelanos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m das aulas de portugu\u00eas instrumental, ajudamos tamb\u00e9m com aulas de empreendedorismo para que eles possam entrar no mercado de trabalho\u201d, conta Rafaela. Apesar da proximidade dos idiomas, a barreira ainda prejudica a conviv\u00eancia dos venezuelanos no Brasil. \u201cAs pessoas n\u00e3o est\u00e3o acostumadas com pessoas que n\u00e3o falam portugu\u00eas. Uma vez, na farm\u00e1cia, perguntei por um rem\u00e9dio para comprar, mas n\u00e3o lembrava o nome exato. Quando fui perguntar a funcion\u00e1ria, ela disse que n\u00e3o falava ingl\u00eas\u201d, lembra Daniela, \u00e0s gargalhadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem ela, nem seu marido, Daniel, est\u00e3o trabalhando formalmente. Mesmo com as dificuldades, eles contam que esse m\u00eas j\u00e1 apresentou melhoras na qualidade de vida.\u00a0\u201cL\u00e1, se a gente escolhia comer carne, t\u00ednhamos que escolher se ir\u00edamos comer frango; se escolher frango, n\u00e3o teria dinheiro para gr\u00e3os; se escolher comer arroz, n\u00e3o teria como comprar macarr\u00e3o. Aqui podemos escolher o que vamos comer&#8221;, conta Daniel. \u201cNa Venezuela, n\u00e3o s\u00e3o todos que t\u00eam <em>smartphones<\/em>. Meu marido, que trabalhava com vendas por l\u00e1, teve que usar o mesmo telefone por quatro anos, dividindo comigo ainda\u201d, diz Daniela. \u201cTenho o meu telefone tamb\u00e9m!\u201d, avisa o pequeno Aaron, ao ouvir sua m\u00e3e falar sobre <em>smartphones<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><p><strong>Document\u00e1rio apoia refugiados<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n<p>Foi assinado em 24 de julho de 1998, em Ushuaia, na Argentina, inicialmente pelos quatro estados membros de MERCOSUL, (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), mais dois Estados associados (Bol\u00edvia e Chile), um tratado reafirmando o compromisso democr\u00e1tico entre os Estados membros do MERCOSUL. A Venezuela entrou no acordo em 2005.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\">\n<div id=\"attachment_36036\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-36036\" class=\"wp-image-36036\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/FOTO.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"486\" \/><p id=\"caption-attachment-36036\" class=\"wp-caption-text\">Documentarista Dado Galv\u00e3o (centro) junto a pol\u00edticos de outras pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, no Congresso do Uruguai. 11 de setembro de 2018. Fonte:\u00a0http:\/\/www.missaoushuaia.org\/<\/p><\/div>\n<figcaption><br \/><br \/><\/figcaption>\n<\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Dado Galv\u00e3o \u00e9 um documentarista e ativista pol\u00edtico que reside atualmente em Jequi\u00e9 e toca o projeto Miss\u00e3o Ushuaia. O projeto, de cunho cultural e humanit\u00e1rio, nasceu em 2015, quando foi enviada uma bandeira do Mercosul para o autor Carlos Javier Arenciba Castro, autor do livro &#8220;Testimonios de la represi\u00f3n&#8221;. Na bandeira, aparecem assinaturas e mensagens com pedido de que se protocolo de Ushuaia, que garante o cumprimento de todos os direitos humanos aos cidad\u00e3os destes pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles tamb\u00e9m estimulam que pessoas de v\u00e1rios pa\u00edses escrevam cartas, que ser\u00e3o entregues aos parlamentares dos pa\u00edses membros do MERCOSUL. Tudo ser\u00e1 arquivado para um futuro document\u00e1rio, que conta com colabora\u00e7\u00e3o do fot\u00f3grafo Arlen Cezar e a ativista Evelyn Pinto Diaz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Miss\u00e3o Ushuaia, Venezuela\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZfC46wNRvFc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fugindo de uma grave crise pol\u00edtico-econ\u00f4mica, aproximadamente 200 venezuelanos tentam uma nova vida na Bahia Deixar para tr\u00e1s sua resid\u00eancia e seu pa\u00eds de origem n\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o f\u00e1cil. 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