{"id":37610,"date":"2021-06-01T21:31:49","date_gmt":"2021-06-02T00:31:49","guid":{"rendered":"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/?p=37610"},"modified":"2021-12-01T19:47:48","modified_gmt":"2021-12-01T22:47:48","slug":"pedras-e-pessoas-esquecidas-a-quebra-de-pedras-e-a-destruicao-de-pinturas-rupestres-em-paulo-afonso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/pedras-e-pessoas-esquecidas-a-quebra-de-pedras-e-a-destruicao-de-pinturas-rupestres-em-paulo-afonso\/","title":{"rendered":"Pedras e pessoas esquecidas: A quebra de pedras e a destrui\u00e7\u00e3o de pinturas rupestres em Paulo Afonso"},"content":{"rendered":"\n<p>Por conta da pandemia, o trabalho em s\u00edtios arqueol\u00f3gicos baianos est\u00e1 parado e o local corre risco de&nbsp; passar por mais destrui\u00e7\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:left\">\u00c1rea de preserva\u00e7\u00e3o ambiental desde 2002, o complexo arqueol\u00f3gico localizado&nbsp; no munic\u00edpio de Paulo Afonso, Bahia, conta com mais de 100 s\u00edtios de pinturas rupestres com cerca de 12.000 anos. Atualmente, o local \u00e9 um s\u00edtio escola coordenado pelo Centro de Arqueologia e Antropologia de Paulo Afonso (CAAPA), \u00f3rg\u00e3o suplementar da Universidade Estadual da Bahia (UNEB). Mas foi um longo trajeto at\u00e9 conseguir a prote\u00e7\u00e3o devida para o local e, hoje, os riscos voltaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Cleonice Vergne, uma das respons\u00e1veis pelo descobrimento da \u00e1rea e coordenadora do CAAPA, conta que o local pode ter muito mais do que as pinturas rupestres. Atualmente, o centro tem a inten\u00e7\u00e3o de destinar um s\u00edtio para cada universidade parceira, viabilizando, assim, as escava\u00e7\u00f5es no local a fim de achar artefatos hist\u00f3ricos. Universidades Federais, como a de Pernambuco e a de Campina Grande, j\u00e1 iniciaram os trabalhos, mas tiveram suas atividades suspensas devido a pandemia por COVID-19. Cleonice conta que hoje os pesquisadores apenas passam de carro pelo local para certificar que a \u00e1rea n\u00e3o foi alvo de alguma depreda\u00e7\u00e3o, mas infelizmente existem muitos s\u00edtios que n\u00e3o s\u00e3o vistos da estrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Situada em povoados como o Rio do Sal, Lagoa da Pedra e Malhada Grande, os s\u00edtios, que at\u00e9 fizeram parte de projeto tur\u00edstico da regi\u00e3o, j\u00e1 foram alvo de grande destrui\u00e7\u00e3o. Entretanto, depois de uma luta encabe\u00e7ada por Cleonice e tantas outras pessoas, a regi\u00e3o agora conta com a fiscaliza\u00e7\u00e3o da Secretaria do Meio Ambiente (SEMA).&nbsp; Recentemente, o CAAPA foi informado de uma den\u00fancia de poss\u00edvel destrui\u00e7\u00e3o na \u00e1rea, mas foi constatado que n\u00e3o era na regi\u00e3o dos s\u00edtios. Cleonice, mesmo receosa, segue positiva em rela\u00e7\u00e3o a preserva\u00e7\u00e3o da \u00e1rea, \u201celes (a comunidade local) sabem que est\u00e3o proibidos, que podem ser punidos, eles t\u00eam consci\u00eancia disso, (mas) pedimos a Deus e aos encantados que preservem o patrim\u00f4nio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"5472\" height=\"3072\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_631472.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-38209\"\/><figcaption>Cleonice Vergne ao lado do s\u00edtio &#8220;Rapazinho&#8221;, um dos seus preferidos\u00a0<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No passado, por se localizarem pr\u00f3ximo ao Rio S\u00e3o Francisco, os matac\u00f5es de granito foram os primeiros abrigos de povos antigos da regi\u00e3o. Provas documentais da presen\u00e7a humana pr\u00e9-hist\u00f3rica, as pedras permitem estudar a identidade dos que viveram em nosso territ\u00f3rio, e, em Paulo Afonso, a falta de informa\u00e7\u00e3o aliada \u00e0 gan\u00e2ncia causaram perdas imensur\u00e1veis no local. &#8220;Provavelmente, sem medo de errar, ali era um universo para mais de tr\u00eas centenas de s\u00edtios.\u201d, destaca Cleonice ao dimensionar o potencial hist\u00f3rico do local.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"561\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/sitio-flor-de-liz-IMG_6634-6672.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-38210\"\/><figcaption><br><strong>Matac\u00e3o em que se localiza o S\u00edtio Flor de Liz, em que se encontram vest\u00edgios de poss\u00edveis abrigos pr\u00e9-coloniais<\/strong><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>A descoberta <\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>No final da d\u00e9cada de 1980, com a constru\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica do Xing\u00f3, uma equipe de pesquisadores fez um salvamento arqueol\u00f3gico no local. Atrav\u00e9s do contrato da Petrobr\u00e1s com&nbsp; a UNEB, os antrop\u00f3logos, dentre eles Cleonice, mapearam s\u00edtios arqueol\u00f3gicos entre o eixo da barragem de Xing\u00f3 e a foz do rio S\u00e3o Francisco, nas margens alagoana e sergipana, localizando 204 s\u00edtios. Segundo a pesquisadora, quando a equipe chegou em P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, Alagoas, o secret\u00e1rio de educa\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio da \u00e9poca relatou que em uma outra \u00e1rea da regi\u00e3o haviam pinturas rupestres, ao chegar no local a equipe se deparou com um matac\u00e3o de granito com pinturas rupestres. Esse matac\u00e3o de granito fez com que um dos arque\u00f3logos que trabalhava no salvamento se lembrasse de um outro: o de Paulo Afonso.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2scVQJjuA_Y\n<\/div><figcaption>Assista a entrevista da professora Cleonice Vergne contando o processo enfrentado para preserva\u00e7\u00e3o dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No final de 1997, ao terminar a pesquisa em P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, a equipe retornou \u00e0 base, em Xing\u00f3, e foram at\u00e9 Paulo Afonso averiguar. Cleonice conta que, ao chegar na regi\u00e3o de Malhada Grande, perceberam que ali vivia uma comunidade tradicional de fundo de pasto, \u201ce ficou interessante porque tamb\u00e9m \u00e9 uma cultura material, dentro da arqueologia j\u00e1 tinha uma fundamenta\u00e7\u00e3o, era uma comunidade tradicional vivendo ali, e entendemos um pouco aquela realidade (da popula\u00e7\u00e3o local)\u201d.&nbsp; A equipe se deparou com uma regi\u00e3o cheia de matac\u00f5es de granito que possu\u00edam pinturas rupestres da tradi\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica, mas encontram grandes vazios e \u201cera percept\u00edvel que ali havia outros matac\u00f5es que n\u00e3o tinham mais. E a\u00ed a pergunta veio: qual o problema de n\u00e3o ter mais matac\u00f5es?\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"5472\" height=\"3072\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_555772.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-38211\"\/><figcaption><br>Restos da atividade de quebra de pedra, que h\u00e1 50 anos \u00e9 muito comum na regi\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>O conflito&nbsp;<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>&#8220;Voc\u00eas s\u00f3 fazem isso porque n\u00e3o tem um filho passando fome em casa. Duvido que se tivessem voc\u00eas estavam protegendo as pedras, tava n\u00e3o. E t\u00e3o errados, porque pedra nasce. Voc\u00ea destr\u00f3i uma aqui e Deus faz ela nascer\u201d&nbsp; <\/strong><\/p><cite><br><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores foram informados que uma atividade comum, desenvolvida h\u00e1 mais de 50 anos na regi\u00e3o, era a quebra de pedra. Desempenhada por fam\u00edlias inteiras, do mais velho ao mais novo, a quebra de pedra n\u00e3o s\u00f3 deu fim a quantidades inestim\u00e1veis de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, como tamb\u00e9m prejudicou a sa\u00fade dos quebradores. Os arque\u00f3logos entraram em contato com a UNEB e com o IPHAN para comunicar o achado, mas naquele momento pouco podiam fazer, j\u00e1 que na \u00e9poca da descoberta, no final de 1997 e in\u00edcio de 1998, tinham um contrato com a Petrobr\u00e1s e aquela regi\u00e3o n\u00e3o estava inclu\u00edda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1080\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/foto-jura.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-37627\"\/><figcaption>Juracy Marques, pesquisador e ec\u00f3logo autor de diversos livros como &#8220;Pedras Pintadas&#8221;, escrito em parceria com a Professora Cleonice Vergne<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Cerca de um ano depois, o antrop\u00f3logo e ec\u00f3logo Juracy Marques entrou em contato com a professora a fim de elaborarem um livro em conjunto, \u201cPedras Pintadas: Dilemas socioambientais do complexo arqueol\u00f3gico de Paulo Afonso\u201d, que aborda os s\u00edtios arqueol\u00f3gicos encontrados na regi\u00e3o e a realidade dos quebradores de pedras, al\u00e9m disso, ele tamb\u00e9m abriu uma den\u00fancia p\u00fablica no Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual (MPE). Com a constru\u00e7\u00e3o do livro, os professores passaram a entender como se dava a atividade de quebra de pedra, os riscos e, sobretudo, o porqu\u00ea da atividade ser t\u00e3o explorada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"5472\" height=\"3072\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_6394-172.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-38214\"\/><figcaption><br>Matac\u00e3o em processo de destrui\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 transformado em pequenos blocos para paralelep\u00edpedos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Sem carteira assinada, ganhando 100 reais a cada 1.000 blocos, quebrados sob exaust\u00e3o, e com muitos danos f\u00edsicos causados pela atividade, os quebradores de pedra eram m\u00e3o de obra barata de prefeituras e grandes empresas da regi\u00e3o. Em 2004, o IBAMA interditou a explora\u00e7\u00e3o de pedras dos s\u00edtios e por diversas vezes tentou conscientizar a comunidade, mas faltou uma uni\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o com os pesquisadores que vinham desenvolvendo esse trabalho social cultural na comunidade.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/documentos-pedras-02.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-37661\" width=\"357\" height=\"561\"\/><figcaption>Documento do IBAMA cobrando interdi\u00e7\u00e3o da parada da atividade de quebra de pedra na regi\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Em uma das tentativas de cessar imediatamente a quebra de pedra, o Instituto teve que solicitar o apoio da Pol\u00edcia Militar e do Ex\u00e9rcito para fazer valer suas determina\u00e7\u00f5es, o que foi criticado por alguns pesquisadores, mesmo entendendo o papel do \u00f3rg\u00e3o, por ter sido uma a\u00e7\u00e3o impactante. Juracy afirma que, apesar disso, a a\u00e7\u00e3o foi um marco importante para o fim da quebra de pedra na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s as tentativas falhas, o IBAMA estabeleceu um di\u00e1logo com os pesquisadores. Na \u00e9poca, Cleonice era gerente do Museu Arqueol\u00f3gico do Xing\u00f3 (MAX) e realizou reuni\u00f5es, junto ao \u00f3rg\u00e3o, visando tra\u00e7ar um plano para impedir a quebra de pedra no local, sendo uma delas realizada na Prefeitura de Paulo Afonso. Vergne apresentou um plano de turismo sustent\u00e1vel, que visava garantir o sustento das fam\u00edlias, mas os quebradores voltaram para a atividade por orienta\u00e7\u00e3o da prefeitura do munic\u00edpio, que emitiu uma licen\u00e7a simplificada para a Associa\u00e7\u00e3o dos Quebradores de Pedras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"11800\" height=\"17600\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/documentos-pedras-04-1.jpg\" alt=\"\" data-id=\"37665\" class=\"wp-image-37665\"\/><figcaption>A pol\u00eamica Licen\u00e7a Simplificada concedida pela Prefeitura de Paulo Afonso para \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o de quebradores de Pedra do Povoado Rio do Sal<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"3721\" height=\"5400\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/documentos-pedras-05-3-1.jpg\" alt=\"\" data-id=\"37671\" data-link=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/pedras-e-pessoas-esquecidas-a-quebra-de-pedras-e-a-destruicao-de-pinturas-rupestres-em-paulo-afonso\/documentos-pedras-05-3-2\/\" class=\"wp-image-37671\"\/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"12100\" height=\"16967\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/documentos-pedras-03.jpg\" alt=\"\" data-id=\"37673\" data-link=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/pedras-e-pessoas-esquecidas-a-quebra-de-pedras-e-a-destruicao-de-pinturas-rupestres-em-paulo-afonso\/documentos-pedras-03\/\" class=\"wp-image-37673\"\/><\/figure><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Z\u00e9 Ivaldo Ferreira, vereador na \u00e9poca, relembra momentos das audi\u00eancias na C\u00e2mara e destaca a fala de um dos camaristas direcionada aos pesquisadores, que achava necess\u00e1rio que \u201cdeixassem aquilo de lado, porque estava atrapalhando a vida das pessoas que viviam da quebra de pedra\u201d. Outro momento conturbado foi relatado por Juracy no livro, em uma das sess\u00f5es um parlamentar, que se opunha \u00e0 parada da atividade de quebra de pedra, afirmou que \u201cvoc\u00eas s\u00f3 fazem isso porque n\u00e3o tem um filho passando fome em casa. Duvido que se tivessem voc\u00eas estavam protegendo as pedras, tava n\u00e3o. E est\u00e3o errados, porque pedra nasce. Voc\u00ea destr\u00f3i uma aqui e Deus faz ela nascer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"561\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/sitio-41-IMG_6066-4072.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-38215\"\/><figcaption><br>Restos de lasca de pedra exatamente em frente a um grande painel de pinturas, no S\u00edtio 41<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Assim se desenvolve um conflito socioecon\u00f4mico que dura seis d\u00e9cadas. De um lado cerca de 300 pessoas humildes que dependem economicamente da quebra de pedra a v\u00e1rios anos e sem oportunidade de desenvolver outras atividades econ\u00f4micas, do outro lado a necessidade eminente de se preservar um patrim\u00f4nio material universal.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>A solu\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Ainda em 2004, ao assumir o cargo de professora na UNEB, Cleonice cria um setor na universidade voltado para estudo e prote\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. O CAAPA transformou a \u00e1rea em um laborat\u00f3rio a c\u00e9u aberto, e se tornou pe\u00e7a essencial na preserva\u00e7\u00e3o dos s\u00edtios e encontrou grandes aliados na sociedade e no MPE.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"13200\" height=\"8622\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/fotozeivaldo.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-37700\"\/><figcaption>Z\u00e9 Ivaldo, ex-prefeito de Paulo Afonso e atual professor de direito da UNEB &#8211; Campos VIII<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Professor de Direito da UNEB, Z\u00e9 Ivaldo Ferreira foi um aliado imprescind\u00edvel na luta pela preserva\u00e7\u00e3o dos s\u00edtios. Para ele, o trabalho iniciado pelo MAX e depois continuado pelo CAAPA, foi importante no sentido de descobrir, de catalogar, de solicitar o registro e o tombamento pelo IPHAN desses s\u00edtios de arte rupestres, \u201cmas o fato concreto foi que a prote\u00e7\u00e3o de um patrim\u00f4nio arqueol\u00f3gico n\u00e3o se d\u00e1 somente por uma declara\u00e7\u00e3o. Declarar, escrever em um livro tombo n\u00e3o resolve o problema da prote\u00e7\u00e3o do bem\u201d, enfatiza Ferreira.<\/p>\n\n\n\n<p>Ex-vereador e ex-secret\u00e1rio de turismo, Z\u00e9 participou ativamente do processo inicial dos s\u00edtios no munic\u00edpio e buscou trazer o tema para ser debatido na C\u00e2mara de vereadores. Sendo, inclusive, autor da Lei 926\/2002, aprovada com algumas altera\u00e7\u00f5es, que declarava como \u00c1rea de Conserva\u00e7\u00e3o Ambiental as \u00e1reas entre os povoados Rio do Sal, Malhada Grande e Lagoa da Pedra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"3773\" height=\"5400\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/documentos-pedras-06-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-37669\"\/><figcaption>Lei Municipal&nbsp;Lei 926 de 2002, tornava os povoados que atualmente englobam os s\u00edtios como \u00c1rea de Conserva\u00e7\u00e3o Ambiental, escrita por Z\u00e9 Ivaldo e aprovada com modifica\u00e7\u00f5es pela Prefeitura Municipal de Paulo Afonso<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Uma outra defensora importante dos s\u00edtios foi a promotora Luciana Khoury, que conseguiu levar o processo para a esfera Federal e iniciar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), com base na Lei 3924\/61.&nbsp; O termo tinha o objetivo de defender o patrim\u00f4nio arqueol\u00f3gico e natural e proporcionar uma condi\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia econ\u00f4mica das fam\u00edlias por um ou dois anos, tempo em que elas aprenderiam outras atividades econ\u00f4micas. Com a garantia do recebimento de um sal\u00e1rio m\u00ednimo, o TAC foi assinado por 62 das 86 fam\u00edlias que participavam da atividade de quebra de pedra na regi\u00e3o, e que se comprometeram em cessar imediatamente suas atividades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Cleonice conta que as exig\u00eancias dos quebradores tamb\u00e9m foram atendidas e juntos pensaram em poss\u00edveis of\u00edcios, tendo como prioridade atividades manuais, uma vez que essa era a especialidade deles. Luciana mobilizou a ONG Assessoria e Gest\u00e3o em Estudo da Natureza Desenvolvimento Humano e Agroecologia (AGENDHA) para o desenvolvimento de uma horta, pensando em atender os tr\u00eas povoados, e ainda artesanato t\u00eaxtil e cer\u00e2mica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"3008\" height=\"2000\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/DSC_0322-172.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-38216\"\/><figcaption><br>Professora Cleonice em aula com alunos das escolas das comunidades envolvidas, buscando mostrar a import\u00e2ncia das pinturas para a nossa hist\u00f3ria<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Entretanto, foi constatado que boa parte da popula\u00e7\u00e3o envolvida n\u00e3o tinha os documentos necess\u00e1rios e, mesmo com a prefeitura dando suporte para obt\u00ea-los, ocorreu um grande atraso. Ao iniciar os projetos previstos no TAC e o aporte financeiro, o mandato do prefeito da \u00e9poca estava no fim, com a troca de gest\u00e3o, o aux\u00edlio e as atividades foram suspensas. Luciana explica que, como o TAC n\u00e3o era para eternizar o pagamento de um sal\u00e1rio, e sim dar condi\u00e7\u00f5es para que as fam\u00edlias tivessem recursos at\u00e9 que um projeto se implementasse, n\u00e3o teria problemas legais em rela\u00e7\u00e3o ao rompimento que a nova gest\u00e3o municipal optou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto previsto no TAC n\u00e3o foi o \u00fanico plano ceifado no processo de preserva\u00e7\u00e3o dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos de Paulo Afonso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"561\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/sitio-61-IMG_5551-772.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-38221\"\/><figcaption><br>Diversos restos de quebra de pedra, na frente do S\u00edtio 61<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&nbsp;&#8220;Professora, cuidado! Porque quem tem fome n\u00e3o tem pensamento&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Amea\u00e7as e destrui\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNunca tivemos problemas com os quebradores, quebraram (os s\u00edtios arqueol\u00f3gicos) pela necessidade, eles eram apenas m\u00e3o de obra barata\u201d. Apesar de Cleonice ser enf\u00e1tica acerca do bom relacionamento com os quebradores, engana-se quem pensa que o processo de preserva\u00e7\u00e3o dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos em Paulo Afonso tenha sido tranquilo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos planos do CAAPA era transformar a \u00e1rea dos s\u00edtios em um museu a c\u00e9u aberto e, em parceria com a SEMA, eles conseguiram. Foram eleitos cinco s\u00edtios, o local foi organizado por meio de placas e as passarelas, estruturas que facilitariam o acesso dos turistas. Entretanto, com menos de um m\u00eas ap\u00f3s a inaugura\u00e7\u00e3o o museu foi completamente destru\u00eddo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"3008\" height=\"2000\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/DSC_0511-172.jpg\" alt=\"\" data-id=\"38238\" data-link=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/pedras-e-pessoas-esquecidas-a-quebra-de-pedras-e-a-destruicao-de-pinturas-rupestres-em-paulo-afonso\/dsc_0511-172\/\" class=\"wp-image-38238\"\/><figcaption>Passarelas quebradas, placas amassadas e com tiros de escopeta, esse foi o resultado do Museu<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"3008\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/DSC_059172.jpg\" alt=\"\" data-id=\"38237\" data-link=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/pedras-e-pessoas-esquecidas-a-quebra-de-pedras-e-a-destruicao-de-pinturas-rupestres-em-paulo-afonso\/dsc_059172\/\" class=\"wp-image-38237\"\/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"5472\" height=\"3072\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_632872-1.jpg\" alt=\"\" data-id=\"38240\" data-link=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/pedras-e-pessoas-esquecidas-a-quebra-de-pedras-e-a-destruicao-de-pinturas-rupestres-em-paulo-afonso\/img_632872-2\/\" class=\"wp-image-38240\"\/><\/figure><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>\u201cTeve quem dissesse que dever\u00edamos nos preocupar com os vivos e n\u00e3o com os mortos\u201d, relembra a professora ao relatar a destrui\u00e7\u00e3o e amea\u00e7as. O museu n\u00e3o s\u00f3 foi destru\u00eddo, como tamb\u00e9m as placas serviram para um tiro ao alvo, muito provavelmente com arma do tipo escopeta, como consta na averigua\u00e7\u00e3o. Por orienta\u00e7\u00e3o da UNEB e pelo teor da periculosidade, o CAAPA recuou com o projeto e nunca mais o retomou.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do Monumento Natural tamb\u00e9m foi em meio a amea\u00e7as. O CAAPA foi convidado para participar do projeto, j\u00e1 que a \u00e1rea envolveria os s\u00edtios e, durante uma das audi\u00eancias p\u00fablicas, Cleonice recebeu mais uma amea\u00e7a.&nbsp; &#8220;Professora, cuidado! Porque quem tem fome n\u00e3o tem pensamento&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Monumento Natural&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"561\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/sema-geral-2-sitio-93-IMG_5167-2072.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-38241\"\/><figcaption><br>S\u00edtio arqueol\u00f3gico 93, no Rio do Sal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em Paulo Afonso, a luta pela preserva\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nios vai muito al\u00e9m dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos. No in\u00edcio dos anos 2000, visando substituir um dos primeiros parques nacionais criados no Brasil, o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente tinha como objetivo criar o Parque Nacional de Paulo Afonso. Localizado no munic\u00edpio, o espa\u00e7o foi cedido a CHESF em troca de uma \u00e1rea ao redor do reservat\u00f3rio do Xing\u00f3 para o novo parque.<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9 Ivaldo participou do processo, primeiro como chefe de gabinete da prefeitura e depois como secret\u00e1rio de turismo.&nbsp; Segundo ele, com o somat\u00f3rio dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, havia uma discuss\u00e3o sobre a possibilidade de criar no munic\u00edpio o primeiro Monumento Natural (MoNa) do Brasil, uma outra categoria de preserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"21778\" height=\"13067\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/mapa-reportagem2-02-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-37684\"\/><figcaption>\u00c1rea do MoNa e dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O professor explica que o monumento abrangeria, dentre outros, os povoados de Rio do Sal, Malhada Grande, Lagoa Seca, Pinheiros e at\u00e9 Xingozinho. A proposta era que englobasse a partir da cachoeira de Paulo Afonso, pois a ideia do Parque era \u201ca partir da ponte met\u00e1lica, e eu propunha que envolvesse a parte da cachoeira de Paulo Afonso, acima da ponte, at\u00e9 por ser uma \u00e1rea extremamente significativa\u201d, mas o projeto encontrou duas barreiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Diversos povoados estavam inteiros localizados no MoNa e n\u00e3o poderiam continuar morando no local, qui\u00e7\u00e1 manter suas atividades econ\u00f4micas. O Monumento foi criado em 2008, mas n\u00e3o houve um plano para as comunidades, sem processo de indeniza\u00e7\u00e3o ou redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea para tirar os povoados, a popula\u00e7\u00e3o segue no local. Z\u00e9 considera um processo inacabado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"5472\" height=\"3072\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_491972.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-38246\"\/><figcaption><br>Matac\u00e3o de granito pr\u00f3ximo a S\u00edtios Arqueol\u00f3gicos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A outra barreira \u00e9 a disputa pol\u00edtica e socioecon\u00f4mica que acontece na regi\u00e3o. O ex secret\u00e1rio de turismo comenta que o MoNa e a preserva\u00e7\u00e3o dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos geravam um tensionamento dentro do governo da \u00e9poca,\u201cporque existiam aqueles que defendiam essa alternativa econ\u00f4mica de quebra de pedra, (e n\u00e3o queriam) que fosse criada nenhuma \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o ambiental naquele trecho do rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-soundcloud wp-block-embed is-type-rich is-provider-soundcloud wp-embed-aspect-1-1 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Resumo do Processo dos Sitios Arqueol\u00f3gicos de Paulo Afonso - Juracy Marques by impress\u00e3o digital 126\" width=\"500\" height=\"400\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?visual=true&#038;url=https%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F1058751805&#038;show_artwork=true&#038;maxheight=750&#038;maxwidth=500\"><\/iframe>\n<\/div><figcaption>Para entender todo esse processo de descoberta, os conflitos envolvendo a comunidade e os s\u00edtios o Professor Juracy Marques apresenta sua vis\u00e3o dessa hist\u00f3ria<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"blob:http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/eeb1142e-08ef-409f-97e0-0df826cb2484\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Desenvolvimento tur\u00edstico na regi\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muito al\u00e9m do que estava somente no TAC, a gest\u00e3o da \u00e9poca, apesar das diverg\u00eancias internas, tinha planos para absorver a m\u00e3o de obra dos quebradores. Z\u00e9 Ivaldo relata um projeto tur\u00edstico, de 2006, audacioso que n\u00e3o s\u00f3 geraria empregos, como tamb\u00e9m colocaria Paulo Afonso na rota do turismo ecol\u00f3gico brasileiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"5472\" height=\"3072\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_503972.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-38247\"\/><figcaption>Matac\u00f5es de Granito<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Inicialmente, o projeto da secretaria era a implementa\u00e7\u00e3o de um catamar\u00e3, visando desenvolver o turismo n\u00e1utico em Paulo Afonso, j\u00e1 que o munic\u00edpio era um dos poucos da regi\u00e3o que ainda n\u00e3o exploravam essa possibilidade no Rio S\u00e3o Francisco. Com a proximidade da \u00e1rea com os s\u00edtios de arte rupestre, do povoado Malhada da Cai\u00e7ara, local em que nasceu Maria Bonita, e de \u00e1reas importantes para o canga\u00e7o, o projeto englobaria a rota n\u00e1utica, do canga\u00e7o, dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos e do artesanato local, al\u00e9m do est\u00edmulo do com\u00e9rcio na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia era ter um receptivo tur\u00edstico em Rio do Sal, com o com\u00e9rcio local voltado para os turistas, de onde os visitantes partiram, com os guias, para os passeios que a regi\u00e3o poderia oferecer.&nbsp; Com a cria\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e um poss\u00edvel aumento da venda de artesanato local, o munic\u00edpio conseguiria absorver, tamb\u00e9m, a m\u00e3o de obra dos quebradores para essas atividades tur\u00edsticas. Na \u00e9poca, Z\u00e9 Ivaldo ainda conseguiu criar o Museu Maria Bonita, na antiga casa em que a cangaceira nasceu e cresceu, mas o restante do projeto n\u00e3o se desenvolveu como planejado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"5472\" height=\"3072\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_503772.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-38249\"\/><figcaption><br>Grande conjunto de matac\u00f5es de granito<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Quinze anos depois, parte da proposta tenta ganhar espa\u00e7o no contexto atual. A rota n\u00e1utica come\u00e7ou a ser desenvolvida com parcerias do setor privado, a rota do canga\u00e7o est\u00e1 se estruturando, com o complexo da Graciosa e o Museu Maria Bonita, al\u00e9m do planejamento de uma cataloga\u00e7\u00e3o e incentivo de pequenos com\u00e9rcios com comidas e produtos regionais, segundo o atual Secret\u00e1rio de Turismo, Nino Rangel.<\/p>\n\n\n\n<p>O Secret\u00e1rio tamb\u00e9m contou que antes da pandemia foi reaberta uma Escola de Arte Mineral no Rio do Sal, com o intuito de transformar restos de pedra em pe\u00e7as de arte e dar aos jovens do local outras oportunidades de trabalho. \u201cHoje, por conta da pandemia, a gente n\u00e3o pode formar as turmas como a gente queria, mas ela j\u00e1 est\u00e1 funcionando.\u201d e comemora, \u201cTemos cinco pessoas que est\u00e3o produzindo artesanato a partir da pedra, com as pedras que tem na regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"5472\" height=\"3072\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6625.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-37773\"\/><figcaption>Belas e \u00fanicas os matac\u00f5es guardam a hist\u00f3ria dos grupos pr\u00e9-coloniais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Ancestralidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esse povo ancestral era n\u00f4made e vivia nos plat\u00f4s e principalmente nos terra\u00e7os, \u00e1rea que se d\u00e1 a deposi\u00e7\u00e3o de \u00e1guas acima do leito natural do rio e, mesmo com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que intensificam as chuvas ao longo do ano, aumentando o n\u00edvel do rio, n\u00e3o s\u00e3o atingidas pelas cheias naturais. Esses ancestrais e essas pinturas, de acordo com Cleonice, poderiam indicar \u201cdemarca\u00e7\u00e3o territorial, rituais m\u00e1gicos-simb\u00f3licos, auto afirma\u00e7\u00e3o de identidades \u00e9tnicas, descri\u00e7\u00e3o de atos do cotidiano\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora lembra que na \u00e9poca do salvamento em Xing\u00f3 conheceu seu Justino, que morava numa \u00e1rea de terra\u00e7o pr\u00f3ximo ao rio. Sua fam\u00edlia morava l\u00e1 h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es, eram grupos ca\u00e7adores-coletores e horticultores. A arque\u00f3loga relembra que quando comunicaram a Justino sobre a necessidade de sair do local ele n\u00e3o acreditou, \u201cdizia que j\u00e1 tinha av\u00f3 e bisav\u00f3 dele falando da cheia, mas que lavava o terreno da casa, mas n\u00e3o entrava na casa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Salvamentos arqueol\u00f3gicos&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"561\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/sitio-41-IMG_5975-3672.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-38256\"\/><figcaption><br>O lindo painel do S\u00edtio arqueol\u00f3gico 41, localizado no Rio do Sal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No salvamento feito na propriedade, inicialmente encontraram fragmentos de cer\u00e2micas e pediram autoriza\u00e7\u00e3o de seu Justino para prosseguir com as pesquisas. Quando come\u00e7aram o estudo e investiga\u00e7\u00e3o na \u00e1rea, os pesquisadores ficaram chocados com o tamanho da descoberta: encontraram esqueletos, cer\u00e2micas e descobriram um gigante cemit\u00e9rio pr\u00e9-hist\u00f3rico, com 188 tumbas, que ficou conhecido como S\u00edtio Arqueol\u00f3gico Justino, uma das maiores necr\u00f3poles ind\u00edgenas do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da Legisla\u00e7\u00e3o ambiental de 1986, ficou obrigat\u00f3rio o salvamento arqueol\u00f3gico antes da constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas, ou seja, antes de subir o n\u00edvel do rio e diversas regi\u00f5es serem inundadas, deve ser feito uma pesquisa realizada por arque\u00f3logos para se verificar a exist\u00eancia de s\u00edtios e vest\u00edgios ancestrais. Na constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Xing\u00f3, apesar de ter se perdido uma parte desse patrim\u00f4nio cultural, causada principalmente por uma interrup\u00e7\u00e3o do trabalho por cerca de dois anos, foi realizado esse salvamento que descobriu um potencial cultural muito grande, \u201c Se n\u00e3o tivesse o salvamento arqueol\u00f3gico de Xing\u00f3, n\u00f3s n\u00e3o ter\u00edamos encontrado (os patrim\u00f4nios arqueol\u00f3gicos). S\u00e3o 56 s\u00edtios encontrados, dois cemit\u00e9rios, as pinturas rupestres, s\u00f3 teve um s\u00edtio que ficou submerso, de registro gr\u00e1fico\u201d, destaca Cleonice.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"5472\" height=\"3072\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_448072.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-38258\"\/><figcaption><br>Matac\u00f5es de granito pr\u00f3ximos aos s\u00edtios<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Z\u00e9 Ivaldo ressalta a import\u00e2ncia desses salvamentos e da perda de patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, que se teve com a cria\u00e7\u00e3o do complexo hidrel\u00e9trico de Paulo Afonso,\u201cse perdeu um patrim\u00f4nio que deve ser gigantesco e est\u00e1 coberto pelas \u00e1guas. Somente em Itaparica e em Xing\u00f3 \u00e9 que houve o trabalho de salvamento arqueol\u00f3gico, ent\u00e3o PA 1, 2, 3 e 4 n\u00e3o teve salvamento arqueol\u00f3gico\u201d, e conclui \u201cse perdeu uma parte significativa da hist\u00f3ria que poderia ter sido resgatada aqui nessa regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"632\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/sitio-61-IMG_5525-572.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-38259\"\/><figcaption><br>Pintura encontrada no S\u00edtio 61, em frente ao painel se encontram diversos restos de quebra de pedra<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/sema-geral-2-sitio-93-IMG_6261-4772.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-38260\" width=\"242\" height=\"431\"\/><figcaption><br>S\u00edtio bem conhecido na regi\u00e3o, chamado de &#8220;Rapazinho&#8221;<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\">Essas \u00e1reas pr\u00f3ximas ao rio tamb\u00e9m eram habitat de popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas antigas, que pertencem a esses antepassados. Al\u00e9m disso, nessas \u00e1reas havia grande circula\u00e7\u00e3o de grupos pr\u00e9-coloniais pois, segundo Cleonice, \u201cos rios s\u00e3o vias de tramita\u00e7\u00e3o natural do homem do litoral para o interior e do interior para o litoral\u201d. Juracy infere, a partir dos achados em Xing\u00f3, que quem pintou as gravuras nos s\u00edtios em Paulo Afonso \u201cforam os mesmo grupos humanos que estavam um pouco abaixo e vinham dessa parte mais baixa do rio contar essas hist\u00f3rias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando pensamos no potencial arqueol\u00f3gico que pode estar submerso pelas barragens percebemos que os impactos n\u00e3o foram apenas os s\u00edtios submersos, agora inacess\u00edveis. Z\u00e9 relembra a import\u00e2ncia das cachoeiras e o que especula acerca das perdas, \u201cporque a cachoeira, para os povos ind\u00edgenas da regi\u00e3o, tinha uma liga\u00e7\u00e3o muito vinculada \u00e0s pr\u00e1ticas religiosas desenvolvidas por esses povos e isso se perdeu\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"5472\" height=\"3072\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_6409-172.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-38261\"\/><figcaption><br>Matac\u00f5es de granito, parte dos S\u00edtios Arqueol\u00f3gicos de Paulo Afonso, destru\u00eddos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O caminho das pedras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os povos que moravam na regi\u00e3o na d\u00e9cada de 1950 tamb\u00e9m sofreram duras perdas. A comunidade sobrevivia de pesca artesanal e, com a constru\u00e7\u00e3o das barragens, viu sua fonte de renda ruir com&nbsp; a consequente mudan\u00e7a do curso da cachoeira, uma vez que a t\u00e9cnica de pesca, antes usada especificamente em cachoeira, n\u00e3o podia ser utilizada com a subida do n\u00edvel do rio. Al\u00e9m disso, a t\u00e9cnica de pesca em rede tamb\u00e9m n\u00e3o pode ocorrer, pois a Companhia Hidroel\u00e9trica do S\u00e3o Francisco (CHESF) n\u00e3o cortou os galhos das \u00e1rvores submersas, que se enrolam nas redes, rasgando-as.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso os peixes t\u00edpicos de cachoeira, que precisam da piracema para se reproduzir, em sua maioria foram extintos, encontrando-se ainda esp\u00e9cies como Cari e Corvina Branca, al\u00e9m de esp\u00e9cies amaz\u00f4nicas introduzidas pela CHESF, como o peixe carn\u00edvoro Tucunar\u00e9, que tamb\u00e9m se alimenta dos filhotes de outros peixes, gerando um grande impacto no ecossistema local.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"5472\" height=\"3072\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_619072.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-38262\"\/><figcaption><br>Restos de pedras quebradas exatamente embaixo de um painel de pinturas rupestres<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Assim, essas fam\u00edlias encontraram na quebra de pedra uma forma de subsistir a sua antiga atividade econ\u00f4mica. Inclusive, a Dra. Luciana Khoury afirma que \u201caquelas pessoas que foram parar l\u00e1, para quebrar pedras, foram parar l\u00e1 induzidas pela CHESF, a partir da constru\u00e7\u00e3o de Paulo Afonso, por conta da hidrel\u00e9trica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, percebemos que as quest\u00f5es que impactam essas comunidades que vivem pr\u00f3ximas desses s\u00edtios \u00e9 delicada e vem precisando de aten\u00e7\u00e3o h\u00e1 muitos anos. De um lado, precisamos preservar esse patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, encontrando formas de reinserir essas pessoas dando oportunidades de aprendizado e emprego, de outro lado observamos comunidades que v\u00eam sendo constantemente rejeitadas e esquecidas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"553\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/chesf-IMG_6335-572.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-38263\"\/><figcaption><br>Painel de pinturas rupestre que pode-se inferir possuir cerca de 12 mil anos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Os desdobramentos do TAC&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com o projeto que foi pensado na elabora\u00e7\u00e3o do TAC descartado, essa comunidade pareceu ser, mais uma vez, negligenciada pelo poder p\u00fablico e pela sociedade no geral. Mas Luciana conta que at\u00e9 hoje, 2021, o MP est\u00e1 na luta por um projeto que proporcione uma melhoria na vida dessas pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o rompimento do TAC, os promotores respons\u00e1veis pelo caso tentaram negociar com a prefeitura a inclus\u00e3o das fam\u00edlias em projetos de gera\u00e7\u00e3o de renda, mas sem sucesso. Tamb\u00e9m pleitearam a CHESF um projeto de repara\u00e7\u00e3o de danos, onde haveria uma pesquisa realizada pela UNEB voltada para a cataloga\u00e7\u00e3o dos s\u00edtios e uma educa\u00e7\u00e3o patrimonial para a popula\u00e7\u00e3o compreender a import\u00e2ncia do local, mas a empresa tamb\u00e9m n\u00e3o aceitou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"5472\" height=\"3072\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/proximo-a-si\u0301tio-IMG_4384.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-37775\"\/><figcaption>Matac\u00e3o de granito destru\u00eddo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Sendo assim, o MP precisou fazer uma verifica\u00e7\u00e3o dos danos \u00e0 comunidade para que, ent\u00e3o, tomassem medidas cab\u00edveis, mas essa etapa do processo foi longo por uma s\u00e9rie de quest\u00f5es, sobretudo no que tange uma licita\u00e7\u00e3o para contrata\u00e7\u00e3o de pessoal, feita com apoio do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e visando obter uma equipe preparada para o caso. Segundo Luciana, foi preciso contratar uma consultoria multidisciplinar para fazer a valoriza\u00e7\u00e3o e verifica\u00e7\u00e3o dos danos reais, o MP sozinho n\u00e3o conseguiria montar uma equipe com as especializa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias. \u201cEnt\u00e3o n\u00e3o finalizamos a atua\u00e7\u00e3o jur\u00eddica ainda, mas estamos ainda com demandas para avan\u00e7ar na repara\u00e7\u00e3o dos passivos\u201d, conclui a promotora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"561\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/sitio-131-IMG_5071-1872.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-38264\"\/><figcaption><br>Os matac\u00f5es s\u00e3o estruturas gigantes e bel\u00edssimas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Sem o aux\u00edlio financeiro, sem a possibilidade de outro of\u00edcio e sem poder quebrar as pedras em Paulo Afonso, a comunidade passou a procurar outras regi\u00f5es para desempenhar a atividade. De acordo com Luciana, a prefeitura chegou a disponibilizar um \u00f4nibus para ajudar no deslocamento do pessoal, que estava indo \u00e0 Alagoas e Sergipe para realizar a quebra de pedras, mas a ajuda parece se limitar a isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, o MPE e o MPF tentam di\u00e1logo com novos atores da prefeitura e da CHESF e, caso n\u00e3o obtenham \u00eaxito, v\u00e3o judicializar a quest\u00e3o. Mas Luciana aponta que \u00e9 preciso, ainda, um novo diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias. \u201cMas tenho esperan\u00e7a de que consigamos retomar as tratativas o quanto antes\u201d, finaliza Khoury.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"2000\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Amarelo-Verde-e-Azul-Futurista-Processo-de-Organiza\u00e7\u00e3o-Linha-do-Tempo-Infogr\u00e1fico-1-1-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-37837\"\/><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por conta da pandemia, o trabalho em s\u00edtios arqueol\u00f3gicos baianos est\u00e1 parado e o local corre risco de&nbsp; passar por mais destrui\u00e7\u00f5es \u00c1rea de preserva\u00e7\u00e3o ambiental desde 2002, o complexo arqueol\u00f3gico localizado&nbsp; no munic\u00edpio de Paulo Afonso, Bahia, conta com mais de 100 s\u00edtios de pinturas rupestres com cerca de 12.000 anos. 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