{"id":38461,"date":"2021-12-01T18:47:33","date_gmt":"2021-12-01T21:47:33","guid":{"rendered":"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/?p=38461"},"modified":"2021-12-01T18:47:37","modified_gmt":"2021-12-01T21:47:37","slug":"o-cinema-e-a-rua-historias-de-quem-viveu-o-cinema-de-rua-de-salvador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/o-cinema-e-a-rua-historias-de-quem-viveu-o-cinema-de-rua-de-salvador\/","title":{"rendered":"O cinema e a rua: hist\u00f3rias de quem viveu o cinema de rua de Salvador"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Entenda o que aconteceu entre a \u00e9poca de ouro do cinema de rua e a expans\u00e3o das grandes redes<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Tomar um caf\u00e9 enquanto espera o hor\u00e1rio do filme, entrar numa sala de cinema pequena, com menos de 100 lugares, para assistir a uma produ\u00e7\u00e3o nacional. Esse ritual, muito comum at\u00e9 a d\u00e9cada de 1990, \u00e9 cada vez mais raro. Salvador, que j\u00e1 chegou a ter mais de 20 cinemas de rua, hoje conta somente com o Cine Metha Glauber Rocha, a <a href=\"http:\/\/www.dimas.ba.gov.br\/modules\/conteudo\/conteudo.php?conteudo=138\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sala Walter da Silveira<\/a> e os equipamentos do projeto <a href=\"http:\/\/saladearte.art.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sala de Arte<\/a>: Cine MAM, Sala da UFBA e Sala do Museu. O quarto cinema fica no interior do Shopping Paseo. O movimento de ida dos cinemas para os shoppings center tem suas vantagens e desvantagens, conforme apontam especialistas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O cineasta e diretor do Cine Metha Glauber Rocha, Cl\u00e1udio Marques, aponta que a chegada de novidades como a TV e o videocassete, al\u00e9m da decad\u00eancia dos centros das cidades motivaram o abandono dos cinemas de rua. \u201cAntigamente, voc\u00ea tinha o circo e cinema, basicamente, como equipamentos de divers\u00e3o. Depois isso mudou e o cinema teve que se reestruturar. Mas chega um ponto que n\u00e3o tem muito jeito; cinemas, lojas, tudo que era essencialmente de rua acaba migrando para os shoppings center\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Marques, nos anos 80, o Brasil tinha cerca de 3 mil salas de cinema. J\u00e1 no in\u00edcio dos anos 90, eram 800 salas. O gestor do Circuito de Cinema Sala de Arte, Marcelo S\u00e1, concorda com Cl\u00e1udio Marques. \u201cAntes, os encontros e as sa\u00eddas eram nas pra\u00e7as, na rua mesmo. A\u00ed a gente tem a inseguran\u00e7a, a viol\u00eancia e o boom dos lugares fechados, como os shoppings\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o diretor do Glauber Rocha, o movimento teve suas vantagens. Com a ida dos cinemas para os shoppings, o n\u00famero de salas voltou a crescer e houve investimentos nos equipamentos. \u201cOs cinemas de rua n\u00e3o eram t\u00e3o bem equipados. O som era muito prec\u00e1rio. Existe uma cr\u00f4nica famosa de Walter da Silveira em que ele escreve sobre a estreia de O Drag\u00e3o da Maldade Contra o Santo Guerreiro aqui em Salvador. Ele j\u00e1 tinha assistido fora daqui em um festival internacional e ficou horrorizado quando assistiu em Salvador porque n\u00e3o dava para entender as falas. Muitos falavam que o cinema brasileiro era ruim, mas era a qualidade do som das salas de cinema que deixavam a desejar\u201d, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, existem as desvantagens. A migra\u00e7\u00e3o para shopping deixou o cinema mais caro, mais elitizado e padronizado. \u201cA gente perdeu em termos de democratiza\u00e7\u00e3o e da diversidade do cinema porque eles passaram a exibir os mesmos filmes no mundo inteiro. A partir disso, come\u00e7a a ser criado um movimento em defesa do cinema de rua, que tamb\u00e9m est\u00e1 agregado a outros espa\u00e7os da cidade que estavam abandonados. A Pra\u00e7a Castro Alves, por exemplo, quando chegamos no Glauber Rocha, estava abandonada e depois foi toda reformada\u201d, conta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com a decad\u00eancia dos cinemas na segunda metade do s\u00e9culo XX, alguns cinemas de rua buscaram o g\u00eanero pornogr\u00e1fico como sa\u00edda. S\u00f3 nos anos de 1970, havia cinco cines porn\u00f4s em Salvador: Jandaia, Pax, Liceu, Tupy e Astor. O Tupy e o Astor, por exemplo, acabaram tamb\u00e9m se tornando ponto de encontro para pr\u00e1ticas sexuais. O p\u00fablico variava desde jovens a idosos, mas a maioria dos frequentadores era do sexo masculino. Havia tamb\u00e9m transexuais, garotas de programa e mich\u00eas que ofereciam servi\u00e7os sexuais nas salas.<\/p>\n\n\n\n<p>O engenheiro civil Oswaldo Cruz, 65, vivenciou os tempos \u00e1ureos do cinema de rua at\u00e9 a sua fat\u00eddica decad\u00eancia. Ainda adolescente, Oswaldo frequentava quantos cinemas pudesse. Apenas puxando pela mem\u00f3ria, contando os cinemas de rua que gostava de ir, Oswaldo precisaria de duas m\u00e3os e ainda faltariam dedos para terminar a conta. Ao todo, o engenheiro listou 14 cinemas de rua a qual era cativo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Suas mem\u00f3rias com o cinema se misturam com as lembran\u00e7as da inf\u00e2ncia. A pipoca e as balas que chupava enquanto assistia aos filmes aparecem logo em seu relato. No cinema, a sensa\u00e7\u00e3o era de que estava sendo puxado para um outro mundo, m\u00e1gico. \u201cAs imagens projetadas se tornavam reais \u00e0 medida do meu envolvimento, era como se temporariamente estivesse numa nova vida, com percep\u00e7\u00f5es, sentimentos, enfim fazendo parte do outro lado da tela\u201d, relembra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como Marques havia citado anteriormente, a inseguran\u00e7a foi um dos motivos que fizeram com que os cinemas de rua perdessem lugar para os cinemas de shopping. E Oswaldo compartilha da mesma opini\u00e3o. Parou de frequentar os poucos cinemas de rua que restaram por conta da sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a. Hoje, a magia do cinema o invade muito menos do que antes. Se tornou adepto da Netflix e outros servi\u00e7os de streaming. \u201cMas isso nunca substituir\u00e1 o brilho de um cinema, que tem expectativa, intera\u00e7\u00e3o, integra\u00e7\u00e3o, \u00e9 inigual\u00e1vel\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>O futuro do cinema<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Marques admite que esse movimento de defesa do cinema de rua tem seus limites e diz n\u00e3o acreditar na retomada desses espa\u00e7os. &#8220;\u00c9 uma luta muito dura. O que eu fiz eu sei que n\u00e3o \u00e9 simples, \u00e9 preciso muita resili\u00eancia. Eu tenho muito orgulho desse projeto ter dado certo, mas eu sei que poderia n\u00e3o ter dado, eu entendo por que as pessoas n\u00e3o querem se lan\u00e7ar nessa aventura. Ent\u00e3o, por isso, eu n\u00e3o tenho esperan\u00e7a de que os cinemas de rua abandonados v\u00e3o ser ressuscitados ou que novos sejam constru\u00eddos. Seria lindo se isso acontecesse, mas eu sinceramente acho que n\u00e3o vai\u201d, lamenta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de n\u00e3o acreditar no futuro do cinema de rua, n\u00e3o deixa de acreditar no modelo de cinema de um modo geral. \u201cO streaming \u00e9 uma febre, como a TV, o DVD, o videocassete. O streaming \u00e9 muito legal, \u00e9 \u00f3timo, mas n\u00e3o tem compara\u00e7\u00e3o. Ver um filme numa TV, numa tela do computador ou no celular nunca vai ser o mesmo que sair de casa, encontrar pessoas e assistir em uma tela de cinema. \u00c9 todo um ritual que \u00e9 insubstitu\u00edvel\u201d, finaliza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, Marcelo S\u00e1 n\u00e3o perde a confian\u00e7a no modelo de cinema de rua e defende que a experi\u00eancia que esses locais proporcionam \u00e9 insubstitu\u00edvel. \u201cA gente v\u00ea as pessoas apaixonadas por cinema indo ver filmes, vemos, inclusive, o p\u00fablico se renovando, com pessoas mais jovens. Quando olhamos para Europa, vemos este costume muito forte de ir ao cinema e as salas s\u00e3o, muitas vezes, mantidas pelo governo. A\u00ed a gente tem as diferen\u00e7as de um lugar para outro, temos o cinema se redimensionando por raz\u00f5es de mercado, inclusive, mas acabar n\u00e3o vai\u201d, opina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs pessoas querem ir para a rua e os cinemas do Sala de Arte trazem essa ideia, substituem as antigas pra\u00e7as onde as pessoas se encontravam, porque voc\u00ea tem um caf\u00e9, uma livraria, um espa\u00e7o mesmo agregado ao cinema em si. A\u00ed as pessoas v\u00e3o namorar, levam o computador para ficar fazendo um trabalho, estudam. O cinema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o filme, \u00e9 uma experi\u00eancia que se completa com o filme. E a grande vantagem \u00e9 a diversidade porque voc\u00ea vai aos cinemas de shopping e a programa\u00e7\u00e3o \u00e9 igual, sempre os mesmos tipos de filmes. O chamado cinema de rua sai da caixinha, traz coisas diferentes\u201d, completa S\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Procurada, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), afirmou que \u201cn\u00e3o tem ger\u00eancia alguma sobre os cinemas da cidade\u201d e que investe \u201cem produ\u00e7\u00f5es audiovisuais, atrav\u00e9s da Funda\u00e7\u00e3o Greg\u00f3rio de Mattos, mas n\u00e3o em exibi\u00e7\u00e3o\u201d. A Secretaria de Cultura da Bahia (Secult), tamb\u00e9m disse que n\u00e3o tem ger\u00eancia sobre os cinemas de Salvador, destacou sua participa\u00e7\u00e3o no acordo de continuidade do Glauber Rocha e tamb\u00e9m no projeto Panorama Coisa de Cinema. A Diretoria de Audiovisual (Dimas) da Funda\u00e7\u00e3o Cultural do Estado da Bahia (Funceb), n\u00e3o respondeu ao contato.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Cine Metha Glauber Rocha<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Quem frequenta ama de paix\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 pela vista espetacular, mas pelo ambiente acolhedor. A programa\u00e7\u00e3o vai de filme cabe\u00e7a at\u00e9 o blockbuster hollywoodiano, mas sempre com foco no cinema nacional. O espa\u00e7o foi inaugurado em 1919, com o nome de Kursaal Baiano. Foi renomeado para Cine Guarany e, posteriormente, para Cine Glauber Rocha em 1981, encerrando atividades em 1998, quando era administrado pela Art Films. Foi reaberto em dezembro de 2008 ap\u00f3s a reforma, com patroc\u00ednio do Unibanco e, em seguida, Ita\u00fa.<\/p>\n\n\n\n<p>Este ano, a parceria com o Ita\u00fa chegou ao fim e o cinema anunciou o fechamento. Ap\u00f3s quase dois meses amargando a not\u00edcia, o grupo Metha, antiga OAS, decidiu manter o espa\u00e7o vivo e firmou o contrato com o equipamento cultural, que passa a se chamar Cine Metha Glauber Rocha. O local exibiu o primeiro filme falado, o primeiro filme colorido e tamb\u00e9m a estreia do primeiro longa de fic\u00e7\u00e3o baiano Reden\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Parte da paisagem e da vida cultural da cidade h\u00e1 mais de 100 anos, o espa\u00e7o tamb\u00e9m guarda as hist\u00f3rias de quem passa por l\u00e1. Do Glauber, a radialista Juliana Rodrigues, 26, costuma colecionar ingressos e gravar lembran\u00e7as especiais na mem\u00f3ria. Dos encontros rom\u00e2nticos no terra\u00e7o com a famosa vista para a Ba\u00eda de Todos os Santos at\u00e9 os filmes que costumava assistir com a m\u00e3e no fim do expediente de trabalho, o lugar se tornou plano de fundo de passagens marcantes em sua vida. \u201cLembro de um bilhete que entreguei para uma pessoa que eu gostava muito e fui apaixonada por um tempo. Na semana seguinte, a gente marcou de se encontrar no Glauber Rocha e conversamos sobre esse bilhete no terra\u00e7o do cinema, tentando definir o que iria ser da rela\u00e7\u00e3o a partir dali. Isso me marcou muito\u201d, recorda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo indo frequentemente acompanhada ao cinema, a falta de companhia nunca a impediu de conferir as novidades em cartaz. O tempo apertado tamb\u00e9m n\u00e3o era um problema, j\u00e1 que ela sempre fez quest\u00e3o de encaixar a atividade cultural na rotina. \u201cV\u00e1rias vezes eu emendava uma sess\u00e3o de cinema entre um compromisso e outro de tarde sempre \u00e0s quartas-feiras, que era o dia da minha sess\u00e3o de terapia\u201d, conta. At\u00e9 mesmo antes de um show ela encontrava uma brecha para assistir alguma produ\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o. \u201cAconteceu, por exemplo, quando eu vi \u2018A vida invis\u00edvel de Eur\u00eddice Gusm\u00e3o\u2019, antes do show de Milton Nascimento na Concha Ac\u00fastica\u201d, admite.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Juliana, al\u00e9m das mem\u00f3rias afetivas criadas no cinema, o que atrai mesmo \u00e9 a oferta de filmes fora da rota comercial dos shoppings centers. Afinal, as com\u00e9dias rom\u00e2nticas e as sagas intermin\u00e1veis dos super-her\u00f3is nunca a cativaram. \u201cSempre senti que eu encontrava nos cinemas de rua uma programa\u00e7\u00e3o diversificada com filmes que jamais entrariam num circuito comercial porque n\u00e3o tem potencial de venda, mas que me desafiam e me agregam\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com uma prefer\u00eancia mais do que declarada, a pandemia e a falta de seguran\u00e7a na cidade foram respons\u00e1veis por tirar o Cine Metha Glauber Rocha da sua programa\u00e7\u00e3o. Apaixonada pelo espa\u00e7o, ela garante que a aus\u00eancia \u00e9 passageira. \u201cEu gostaria de retornar. Talvez um dia, quando eu voltar a me sentir segura para andar na rua, eu consiga vislumbrar uma situa\u00e7\u00e3o de voltar ao cinema, porque \u00e9 uma coisa que eu sinto falta dos tempos pr\u00e9-pandemia\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>A Sala Walter da Silveira<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Foi batizada com o nome atual em 1986, 16 anos ap\u00f3s a inaugura\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio da Biblioteca P\u00fablica do Estado da Bahia, e \u00e9 um espa\u00e7o p\u00fablico de difus\u00e3o inteiramente dedicado ao audiovisual, administrado pelo Governo da Bahia. Promove, de maneira gratuita e sistem\u00e1tica, o acesso a conte\u00fados baianos, brasileiros e internacionais, com \u00eanfase na filmografia latino-americana, atrav\u00e9s de sess\u00f5es di\u00e1rias (estreias e lan\u00e7amentos), mostras especiais, atividades cineclubistas e retrospectivas hist\u00f3ricas. A sala homenageia o advogado, cr\u00edtico de cinema e cin\u00e9filo Walter da Silveira.<\/p>\n\n\n\n<p>A sala Walter da Silveira, hoje funciona tamb\u00e9m como espa\u00e7o de difus\u00e3o da rec\u00e9m-implantada Cinemateca da Bahia. Al\u00e9m da programa\u00e7\u00e3o regular, a sala atende aproximadamente 100 solicita\u00e7\u00f5es de cess\u00e3o pauta, por temporada; sem qualquer cobran\u00e7a de taxa, o espa\u00e7o \u00e9 requisitado por produtores independentes, artistas, institui\u00e7\u00f5es internacionais e organiza\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Localizada no bairro dos Barris, a sala Walter da Silveira fica bem pr\u00f3xima ao cora\u00e7\u00e3o da cidade de Salvador: o seu Centro Hist\u00f3rico. \u00c9 l\u00e1 que a capital baiana pulsa e exala todo o fervor cultural pelo qual somos reconhecidos nacional e internacionalmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa caracter\u00edstica \u00e9, na verdade, bem comum aos cinemas remanescentes de rua em Salvador. Em sua maior parte est\u00e3o localizados pr\u00f3ximos ao centro da cidade. Para uns, isso pode dificultar o acesso &#8211; tendo em vista que, na participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico atrav\u00e9s do formul\u00e1rio para esta reportagem, a maioria das pessoas respondeu que frequenta mais cinemas de shopping pela comodidade e mobilidade. Para outros, essa caracter\u00edstica \u00e9 uma oportunidade de explorar a sua pr\u00f3pria cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Leonardo Valverde, 25, come\u00e7ou a frequentar a sala Walter da Silveira em 2019, com um de seus melhores amigos. Leo \u00e9 formado em publicidade, mas se denomina como escritor e roteirista, ainda assim, o que mais o marcou naquele cinema est\u00e1 longe de ser os filmes. Ele se lembra de marcar de se encontrar na Walter da Silveira, assistir algo e depois sair para bater perna pelo centro. Por vezes, Leo confessa, nem assistir ao filme assistia. Em outras, era na recep\u00e7\u00e3o da sala Walter da Silveira mesmo que ficava \u201cde resenha\u201d com os amigos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente marcava l\u00e1, a\u00ed sempre estava tendo uma programa\u00e7\u00e3o alternativa, o filme que estava em cartaz era sempre uma coisa fora do circuito. E, geralmente, a sala estava sempre vazia, com o ar-condicionado no talo, assim, um absurdo de gelo aquilo, mas era gostoso, sabe? Eu sinto muita saudade\u201d, conta Leo que, desde a pandemia, n\u00e3o retornou \u00e0 sala Walter da Silveira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, que \u00e9 morador do sub\u00farbio de Salvador, mais precisamente do bairro de Castelo Branco, no quesito acessibilidade, a sala Walter da Silveira fica \u00e0 frente de qualquer shopping da cidade. Era s\u00f3 o pre\u00e7o da passagem para integrar o \u201cbusu\u201d e o metr\u00f4. Em nenhuma de suas idas, pagou pela sess\u00e3o de cinema. Com sess\u00f5es gratuitas, a Walter da Silveira se prop\u00f5e a, verdadeiramente, democratizar o acesso \u00e0 cultura.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Circuito de Cinema Sala de Arte<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O projeto, de Salvador, exibe apenas filmes do circuito alternativo. Foi fundado em 7 de julho de 2000 com a inaugura\u00e7\u00e3o da Sala de Arte do Clube Baiano de T\u00eanis. Gra\u00e7as ao \u00eaxito financeiro do primeiro cinema, se ampliou em 2002 com a inaugura\u00e7\u00e3o do Cine XIV, no Pelourinho, e o Cinema do Museu Geol\u00f3gico da Bahia em 2003.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o fechamento da Sala do Baiano de T\u00eanis, em 2006, em virtude de cess\u00e3o de parte do im\u00f3vel para a rede Perini, houve uma crise no grupo, pois aquela sala representava 45% do seu p\u00fablico e renda,<sup> <\/sup>sendo registrados protestos por parte da comunidade cin\u00e9fila soteropolitana, que realizou um abra\u00e7o simb\u00f3lico em 16 de janeiro de 2006 reunindo cerca de 300 pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, novas salas foram abertas no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM) em 2006, no Teatro Moli\u00e8re da Alian\u00e7a Francesa de Salvador, no mesmo ano, e no Pavilh\u00e3o de Aulas do Canela da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2007. Finalmente, em 2009, foi aberto um complexo de duas salas no Shopping Paseo Itaigara.<\/p>\n\n\n\n<p>As unidades do Museu Geol\u00f3gico e do Paseo ficaram sob amea\u00e7a de fechamento em 2015, mas campanhas foram realizadas e os locais permaneceram abertos. O Cine XIV teve uma queda brusca de p\u00fablico a partir de 2007, foi fechado em 2008 e reabriu em 2009. Em 2014, fechou novamente. Em 2016, reabriu as portas, mas, um ano depois, um inc\u00eandio destruiu o local, que nunca mais foi reativado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a pandemia, as salas ficaram fechadas por 1 ano e 8 meses. Foi realizada uma campanha de apoio e, no dia 7 de outubro deste ano, a Sala do MAM foi reativada. As demais est\u00e3o passando por manuten\u00e7\u00e3o, mas, de acordo com Marcelo S\u00e1, a previs\u00e3o de reabertura da unidade Paseo est\u00e1 prevista para acontecer ainda em dezembro. As salas do Museu Geol\u00f3gico e a da UFBA t\u00eam previs\u00e3o para janeiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pandemia foi um baque. Foi 1 ano e 8 meses de salas fechadas. A\u00ed fizemos uma campanha linda para reabrir a sala do MAM e conseguimos. \u00c9 para reabrir, n\u00e3o para sustentar, n\u00e3o d\u00e1 para quitar as nossas d\u00edvidas, mas a ideia \u00e9 que, com a reabertura, o fluxo nos ajude. Agora, mais do que nunca, estamos em busca de patrocinadores para abrir as demais\u201d, afirma S\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tem cinema no Sub\u00farbio<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Confira o depoimento da produtora cultural Neusin\u00e9a Maciel, de 27 anos. Ela \u00e9 respons\u00e1vel pelo projeto para crian\u00e7as e adolescentes <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cinemanosuburbio\/\">Cinema do Parque<\/a>, que acontece no Centro de Refer\u00eancia do Parque S\u00e3o Bartolomeu, no Sub\u00farbio Ferrovi\u00e1rio de Salvador. Neusin\u00e9a defende que, atrav\u00e9s do cinema, as crian\u00e7as podem ter acesso ao lazer e ao conhecimento ao mesmo tempo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-soundcloud wp-block-embed-soundcloud\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Neusin\u00e9a Maciel by impress\u00e3o digital 126\" width=\"500\" height=\"400\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?visual=true&#038;url=https%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F1166075377&#038;show_artwork=true&#038;maxheight=750&#038;maxwidth=500\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Hist\u00f3rias reais:&nbsp;<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Para esta reportagem, fizemos um formul\u00e1rio sobre o consumo de cinema do soteropolitano. Tivemos como resultado um total de 80 respostas. Confira os pontos principais:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>A maioria dos que responderam ao formul\u00e1rio tinha entre 19 e 26 anos (57,5%). Ou seja, a experi\u00eancia com cinemas de rua para estes j\u00e1 se inicia em seu decl\u00ednio.&nbsp;<\/li><li>A divis\u00e3o de g\u00eanero foi equiparada. 50% dos respondentes se consideram do sexo feminino, 47,5% masculino, 1,2% preferiu n\u00e3o dizer e 1,2% se considera ag\u00eanero.&nbsp;<\/li><li>Muitos bairros foram citados pelos respondentes, no entanto, um se sobressaiu: 16,2%, ou seja, 13 dos entrevistados moram na Pituba.&nbsp;<\/li><li>Quanto ao costume de frequentar espa\u00e7os culturais em Salvador, o cinema aparece em primeiro lugar disparado. Lembrando que os respondentes puderam marcar mais de uma op\u00e7\u00e3o.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/QnSEEhBVKo64ykxxHY1SFx7Sir69O7ge6g7y3h96K8qwwUIg9hFkUHvukIWf5L_Tc8W4b7B7zJd2OmBHukpiTSoeUPVYaZsXJnR6RAQYleffyXSKTXA8SFD3CVkRjW1DSiB9Q2Cd\" alt=\"Gr\u00e1fico de respostas do Formul\u00e1rios Google. T\u00edtulo da pergunta: Voc\u00ea tem o costume de frequentar espa\u00e7os culturais em Salvador? Se sim, quais? (Desconsidere o per\u00edodo de pandemia). N\u00famero de respostas: 80 respostas.\"\/><\/figure>\n\n\n\n<ul><li>Sobre a prefer\u00eancia entre cinemas de shopping e cinemas de rua, o shopping fica em primeiro lugar:<\/li><\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/fTAk3y2MfCN7E0JIr80JrYKoXhcNDX9GvqazH0dosT8yuX6cSjBPcMS5H3fbHxTlLSncqY-zqxcVCdFAXtUZNMowCmUN-vmq6mS5E8j7J-JB1zNeHiuKToAX8RP8-J_EgQ1THs5G\" alt=\"Gr\u00e1fico de respostas do Formul\u00e1rios Google. T\u00edtulo da pergunta: Voc\u00ea frequenta os cinemas da cidade? (Desconsidere o per\u00edodo de pandemia). N\u00famero de respostas: 80 respostas.\"\/><\/figure>\n\n\n\n<ul><li>Quanto \u00e0s respostas sobre o porqu\u00ea de frequentar cinema de shopping ou de rua, separamos quatro que melhor sintetizam o que foi dito no geral:<\/li><\/ul>\n\n\n\n<div class=\"alignnormal\"><div id=\"metaslider-id-38614\" style=\"max-width: 600px; margin: 0 auto;\" class=\"ml-slider-3-90-1 metaslider metaslider-responsive metaslider-38614 ml-slider ms-theme-default\" role=\"region\" aria-roledescription=\"Slideshow\" aria-label=\"Aspas\">\n    <div id=\"metaslider_container_38614\">\n        <ul id='metaslider_38614' class='rslides'>\n            <li aria-roledescription='slide' aria-labelledby='slide-0'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/1-6-600x400.png\" height=\"400\" width=\"600\" alt=\"\" class=\"slider-38614 slide-38615\" title=\"1-6\" \/><\/li>\n            <li style='display: none;' aria-roledescription='slide' aria-labelledby='slide-1'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2-4-600x400.png\" height=\"400\" width=\"600\" alt=\"\" class=\"slider-38614 slide-38616\" title=\"2-4\" \/><\/li>\n            <li style='display: none;' aria-roledescription='slide' aria-labelledby='slide-2'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/3-4-600x400.png\" height=\"400\" width=\"600\" alt=\"\" class=\"slider-38614 slide-38617\" title=\"3-4\" \/><\/li>\n            <li style='display: none;' aria-roledescription='slide' aria-labelledby='slide-3'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/4-3-600x400.png\" height=\"400\" width=\"600\" alt=\"\" class=\"slider-38614 slide-38619\" title=\"4-3\" \/><\/li>\n        <\/ul>\n        \n    <\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cinemas que Salvador j\u00e1 teve e n\u00e3o existem mais<\/strong>:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Astor <\/strong>&#8211; Inaugurado com o nome de Cine Art em 1953, na Rua da Ajuda<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bristol<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1973 e transformado em Cine Art 1 e Art 2 em 1983. Deu lugar \u00e0 uma igreja em 2000.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cine Teatro Jandaia &#8211; <\/strong>Inaugurado em 1911, na<strong> <\/strong>Avenida J.J. Seabra, a famosa Baixa dos Sapateiros<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lumi\u00e8re<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1906, na Rua Carlos Gomes<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00e3o Braz<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1906, em Plataforma<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Politeama&nbsp; Baiano &#8211; <\/strong>Inaugurado em 1882, no Politeama, foi demolido em 1933. Exibiu a primeira sess\u00e3o de cinema em Salvador. Hoje d\u00e1 lugar ao Instituto Feminino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lux<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1948, no Toror\u00f3<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00e3o Joaquim <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1931, na Avenida Jequitaia<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Imp\u00e9rio <\/strong>&#8211; Inaugurado como Cal\u00e7ada em 1927, na Cal\u00e7ada do Bonfim<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Panth\u00e9 <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1928, no Barbalho<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ideal Cinema <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1913, na Ladeira de S\u00e3o Bento<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Soledade <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1913, na Soledade<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Itapu\u00e3 <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1949, em Itapu\u00e3<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Centro Cat\u00f3lico <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1918, na Mouraria<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cine Cabaret Na Cavean<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1919, na Pra\u00e7a Castro Alves<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tenentes do Diabo <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1919, em Paripe<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Avenida <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1910, no Rio Vermelho<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Itacaranha <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1911, em Itacaranha<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Recreativo Fratelli Vita<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1911, na Cal\u00e7ada do Bonfim<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Petti Cinema <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1913, em Brotas<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Forte de S\u00e3o Pedro <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1914, no Forte de S\u00e3o Pedro<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Plataforma<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1960, em Plataforma<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jorge Amado <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1961 como Nazar\u00e9, em Nazar\u00e9<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Santo Ant\u00f4nio da Barra&nbsp; <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1914, na Barra<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cinema&nbsp; Recreativo <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1913, no Rio Vermelho<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pax <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1939<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Oceania<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1946, na Barra<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tamoio <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1930 com o nome de Cine Gl\u00f3ria, na Pra\u00e7a Castro Alves<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bahia<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1909, na Rua Chile.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Itapagipe<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1920, na Ribeira<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Central <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1910, na Pra\u00e7a Castro Alves<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ideal <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1910, no Largo do Papagaio<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alian\u00e7a <\/strong>&#8211; Inaugurado em em 1912, como \u00cdris Theatre, depois em 1935 como Ol\u00edmpia, na Baixa dos Sapateiros<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amparo <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1968, no Engenho Velho de Brotas<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amaralina <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1952, em Amaralina<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Liceu &#8211; <\/strong>Inaugurado em 1911, como Rio Branco, na Cal\u00e7ada do Bonfim<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Santo Ant\u00f4nio &#8211; <\/strong>Inaugurado em 1907, em Santo Ant\u00f4nio Al\u00e9m do Carmo<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Santo Ant\u00f4nio da Mouraria <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1908, na Mouraria<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cine Casa de Santo Ant\u00f4nio <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1932, na Rua S\u00e3o Francisco\/Centro<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sete Portas &#8211;<\/strong> Inaugurado em 1909, na Sete Portas<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Brasil <\/strong>&#8211; Inaugurado 1951, na Liberdade<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00e3o Jorge <\/strong>&#8211; Inaugurado com o nome de Liberdade em 1937, na Liberdade<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uruguai<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1962, no Uruguai<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Itapagipe <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1920, na Ribeira<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bijou Th\u00e9\u00e2tre<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1910, na Cal\u00e7ada do Bonfim<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bonfim<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1937, na Cal\u00e7ada do Bonfim<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cinema&nbsp; Parisiense<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1914, no Campo Grande<\/p>\n\n\n\n<p><strong>V\u00eanus<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1916, na Rua Carlos Gomes<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Capri <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1956, no Largo Dois de Julho<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cine Bangalow de Nazar\u00e9<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1927, em Nazar\u00e9<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Merc\u00fario<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1958, na Cidade Nova<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Roma <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1948, no bairro de Roma<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Popular <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1910, no Largo da Madragoa<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Castro Alves <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1910, no Largo do Carmo<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Excelsior<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1935 na Pra\u00e7a da S\u00e9<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Odeon<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1936, na Belvedere da S\u00e9&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00e3o Caetano<\/strong> &#8211; Inaugurado em 1951, em S\u00e3o Caetano<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pax <\/strong>&#8211; Inaugurado em 1939, na Baixa dos Sapateiros<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Periperi <\/strong>&#8211; &nbsp;Inaugurado em 1964, em Periperi<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fontes: TCC \u201c<\/em><a href=\"https:\/\/repositorio.ufba.br\/ri\/bitstream\/ri\/12191\/1\/TCC%20ELETICE%20RANGEL%20SANTOS.pdf\"><em>O SISTEMA MULTIPLEX E A CRISE DAS SALAS DE CINEMAS TRADICIONAIS EM SALVADOR<\/em><\/a><em>\u201d, de Eletice Rangel Santos, 2000, baseado em dados retirados do Jornal A TARDE; Leal e Leal Filho,1997<\/em><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entenda o que aconteceu entre a \u00e9poca de ouro do cinema de rua e a expans\u00e3o das grandes redes Tomar um caf\u00e9 enquanto espera o hor\u00e1rio do filme, entrar numa sala de cinema pequena, com menos de 100 lugares, para assistir a uma produ\u00e7\u00e3o nacional. 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