{"id":40961,"date":"2023-12-06T11:23:52","date_gmt":"2023-12-06T14:23:52","guid":{"rendered":"https:\/\/id126ufba.com.br\/?p=40961"},"modified":"2023-12-06T15:39:35","modified_gmt":"2023-12-06T18:39:35","slug":"pegue-a-sua-calcinha-abra-um-onlyfans-e-fique-rico-voce-tambem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/pegue-a-sua-calcinha-abra-um-onlyfans-e-fique-rico-voce-tambem\/","title":{"rendered":"Pegue a sua calcinha, abra um OnlyFans e fique rico voc\u00ea tamb\u00e9m"},"content":{"rendered":"\n<p>Promessas de emancipa\u00e7\u00e3o financeira, autogest\u00e3o e trabalho f\u00e1cil ampliam o mercado sexual plataformizado<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><em>Jo\u00e3o Francisco Ara\u00fajo, Maria Raquel Brito, Pedro Antunes de Paula, Samantha Freire<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">\u201c\u00c9 uma grande contradi\u00e7\u00e3o, porque na cabe\u00e7a das pessoas ou voc\u00ea \u2018ganha dinheiro f\u00e1cil, s\u00f3 vendendo foto da buc*ta\u2019 ou [dizem] \u2018nossa, \u00e9 uma vida de explora\u00e7\u00e3o, meu Deus, essas meninas s\u00e3o exploradas!\u2019. Cara, decide. Ou eu t\u00f4 sendo explorada com uma bola de ferro, trabalhando igual uma cachorra dentro de casa, ou eu tenho uma vida f\u00e1cil. Voc\u00ea n\u00e3o consegue nem se decidir na narrativa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2018, Sany era estagi\u00e1ria de uma empresa petroleira. Natural de Maca\u00e9, Rio de Janeiro, a jovem de ent\u00e3o 20 anos havia se mudado exclusivamente para estar na mesma cidade que o emprego. Quando, no entanto, Sany n\u00e3o teve seu contrato de est\u00e1gio renovado no auge da crise do petr\u00f3leo, atividade econ\u00f4mica dominante do norte fluminense, ela precisou de estrat\u00e9gias para conseguir se sustentar em uma cidade igualmente devastada pela crise.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"http:\/\/id126ufba.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/12063.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<p>Foi um amigo que costumava sair com garotas de programa que despertou em Sany a curiosidade sobre aquela possibilidade de ganhar dinheiro. Com a resposta de que bastava se cadastrar em alguns sites para entrar no &#8220;cat\u00e1logo&#8221;, ela passou um tempo pesquisando para descobrir onde poderia estar se envolvendo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu fiz um c\u00e1lculo b\u00e1sico. Ganhava em torno de quinhentos e pouco de est\u00e1gio, at\u00e9 que eu vi que eu conseguia fazer esse valor em quest\u00e3o de horas. A\u00ed eu entrei no trabalho sexual. Me cadastrei no site, comecei a atender no meu apartamento mesmo. O primeiro valor que eu recebi foi R$150 em 15 minutos, e falei: &#8216;bom, n\u00e3o vou mais sair daqui'&#8221;, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, outra crise amea\u00e7ou interromper o fluxo de trabalho de Sany, ou Beatriz, seu alter-ego para os programas. Com o decreto da pandemia do Covid-19, o trabalho sexual realizado corpo a corpo se tornava invi\u00e1vel. Na \u00e9poca, o ent\u00e3o Minist\u00e9rio da Mulher, da Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos indicou como solu\u00e7\u00e3o o trabalho nas plataformas, conforme cartilha voltada para a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ publicada no in\u00edcio de abril de 2020. No trecho da cartilha que se refere a trabalhadores sexuais, lia-se:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/VW9VuamZDtv5_dzy9HCS_jT6wUVUaxK9lmZFnD2NG7rRop3CQaVKB-tLiqrtXu9aLL9Wker5WSXSxz_LO6t3k13mdB0mV0FcxwvgwXwhJN9TnHyEoo15YYChPgsNFDZDMOmmJF78XE0EfzTxsNTNxuU\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em resposta, o grupo SOMOS &#8211; Comunica\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade e Sexualidade, organiza\u00e7\u00e3o ga\u00facha que luta pelos direitos LGBTQIA+, publicou uma carta manifestando preocupa\u00e7\u00e3o com o tratamento destinado (ou a falta dele) \u00e0 comunidade. O grupo defendeu a ingenuidade da medida, que priorizava o uso de equipamentos tecnol\u00f3gicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAt\u00e9 agora, as \u00fanicas medidas do governo federal divulgadas amplamente pela imprensa d\u00e3o conta de uma recomenda\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Mulher, da Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos, orientando que trabalhadores sexuais optem por realizar programas por meios virtuais, o que al\u00e9m de ing\u00eanuo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 efetividade da alternativa, demonstra o desconhecimento sobre a realidade da maioria das trabalhadoras e trabalhadores sexuais que, vivendo em periferias e sem estrutura b\u00e1sica de sobreviv\u00eancia, sequer tem acesso \u00e0 internet e a smartphones ou computadores. \u00c9 inadmiss\u00edvel que o Estado brasileiro tenha como a\u00e7\u00e3o apenas recomenda\u00e7\u00f5es difusas e deslocadas da realidade\u201d, diz trecho da carta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Sany, a solu\u00e7\u00e3o foi, de fato, criar sua primeira conta em alguma das plataformas que, no per\u00edodo, ganhavam propuls\u00e3o: o OnlyFans. A burocracia, no entanto, afastou a profissional do site brit\u00e2nico, e ela migrou ent\u00e3o para o Privacy, plataforma brasileira. Na Privacy, Sany teve problemas com vazamento de conte\u00fado, bloqueio de sua conta sem aviso pr\u00e9vio e outras burocracias. Atualmente, com 26, Sany, Deusaynas ou Beatriz, segue seu sonho de estudar biologia na universidade, com o tempo restante como prostituta apaixonada pelo que faz e criadora no 2Close, plataforma tamb\u00e9m brasileira que surge com um diferencial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s anteriores: foi criada por outra trabalhadora sexual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Em setembro de 2022, <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/carros\/noticias\/redacao\/2023\/11\/20\/quer-me-ver-pelada-opala-de-beicola-da-privacy-vende-conteudo-explicito.htm\">Martina Oliveira<\/a> virou not\u00edcia ao mandar instalar em Porto Alegre outdoors com uma foto acompanhada de uma pergunta em destaque: \u201cQuer me ver pelada?\u201d. O outdoor, que continha um QR code que redirecionava quem o acessasse aos perfis de Martina no OnlyFans e Privacy, rendeu uma notifica\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio Grande do Sul e o dobro da aten\u00e7\u00e3o almejada. Quem n\u00e3o viu os cartazes originais, ou suas reprodu\u00e7\u00f5es no X, antigo Twitter, passou a conhecer a \u201cBei\u00e7ola do Onlyfans\u201d nos meses subsequentes por uma divulga\u00e7\u00e3o n\u00e3o intencional feita por outros usu\u00e1rios, que debatiam a moralidade e dignidade n\u00e3o s\u00f3 da estrat\u00e9gia de publicidade como tamb\u00e9m do trabalho sexual e sexualidade feminina como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os TikToks e outras \u201cpe\u00e7as publicit\u00e1rias\u201d feitas por Martina para divulgar seu trabalho, pr\u00e1tica comum tamb\u00e9m entre outras criadoras de conte\u00fado, s\u00e3o exemplos do que B\u00e1rbara Mendes Lima, mestre em Antropologia pela Universidade Federal de Santa Catarina e pesquisadora do mercado sexual, se refere como \u201cobrigatoriedade de se tornar vis\u00edvel em m\u00faltiplas plataformas simultaneamente\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cBoa parte do trabalho \u00e9 feito em muitas plataformas, como o Twitter. Eu acho que o Twitter centraliza bastante. Voc\u00ea tem acesso, a partir da divulga\u00e7\u00e3o dessas pessoas nas m\u00eddias digitais, a uma coisa que separa muito da pornografia tradicional, porque voc\u00ea acessa o ordin\u00e1rio da vida delas. A pessoa n\u00e3o est\u00e1 consumindo s\u00f3 conte\u00fado sexual, diferente da pornografia tradicional, onde n\u00e3o se conhecia muito sobre a vida da atriz em quest\u00e3o\u201d afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a dessas trabalhadoras, seja pelo marketing de seu conte\u00fado ou pela mistura do conte\u00fado sexual com relatos do ordin\u00e1rio em seus perfis, colocou a prostitui\u00e7\u00e3o (que, nos tweets descompromissados dos internautas, engloba todo tipo de trabalho sexual) nos ciclos de \u201cdebates\u201d acalorados alimentados pelos algoritmos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o aspecto sexual do trabalho nessas plataformas, permeado por um estigma baseado em moralismo e misoginia, d\u00e3o novos contornos \u00e0 conversa de um trabalho mediado. Em uma postagem recente, em que Martina relata ter comprado seu segundo carro e agradece \u00e0 Privacy, os coment\u00e1rios e cita\u00e7\u00f5es refletem alguns dos caminhos pelos quais o debate segue nas redes: OnlyFans \u00e9 trabalho? Se sim, \u00e9 digno? \u00c9 um trabalho ou uma renda extra mais f\u00e1cil que os outros? \u00c9 uma forma de empoderamento da sexualidade feminina ou outro sequestro dela? \u00c9 coisa de mulher valorosa? Quem faz merece respeito? O crescimento dessas plataformas tem a ver com o v\u00edcio em pornografia? Sendo assim, essas mulheres contribuem para a sexualiza\u00e7\u00e3o feminina? O conte\u00fado \u00e9 banaliza\u00e7\u00e3o e romantiza\u00e7\u00e3o do trabalho sexual?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"twitter-tweet\" data-width=\"500\" data-dnt=\"true\"><p lang=\"pt\" dir=\"ltr\">eles trabalhando pra pagar o onlyfans das mulheres <a href=\"https:\/\/t.co\/UrW1DSunaT\">https:\/\/t.co\/UrW1DSunaT<\/a><\/p>&mdash; salto cunty da beyonc\u00e9 \ud83d\udc1d (@byungerking) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/byungerking\/status\/1688996655297703936?ref_src=twsrc%5Etfw\">August 8, 2023<\/a><\/blockquote><script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Para Lorena Caminhas, p\u00f3s-doutoranda em Antropologia da Universidade de S\u00e3o Paulo, a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado para OnlyFans, Privacy e outros sites tem mais ambiguidades que outros trabalhos plataformizados, ainda que isso n\u00e3o signifique maior facilidade. \u201cAs rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito mais amb\u00edguas do que a gente v\u00ea em outros mercados, ent\u00e3o a gente n\u00e3o tem s\u00f3 um mercado que \u00e9 prec\u00e1rio, porque se fosse assim as pessoas n\u00e3o estavam indo em massa para esse mercado. Tem pessoas que ganham muito dinheiro com isso, que t\u00eam uma boa vida com isso, mas que ao mesmo tempo, precisam trabalhar muito, n\u00e3o t\u00eam seguran\u00e7a quanto a sua imagem, n\u00e3o t\u00eam seguran\u00e7a pessoal. Ent\u00e3o \u00e9 muito amb\u00edguo, e isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 porque o mercado \u00e9 assim, mas porque a conjuntura do pa\u00eds tamb\u00e9m favorece que esse tipo de trabalho seja cada vez mais valorizado&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 que esteja certo, e n\u00e3o \u00e9 que o trabalho sexualizado seja a melhor coisa do mundo, \u00e9 que o nosso mercado de trabalho est\u00e1 totalmente errado. Esse \u00e9 o ponto. A gente est\u00e1 com um mercado de trabalho completamente sem sentido para a realidade, mas o fato \u00e9 que as pessoas est\u00e3o ganhando dinheiro, est\u00e3o vivendo uma vida que \u00e9 confort\u00e1vel. E isso, sim, a gente tem que considerar, porque \u00e9 muito importante viver uma vida que \u00e9 confort\u00e1vel, ter dinheiro para pagar a escola da sua filha, para ter um carro, para comer a comida que voc\u00ea gosta, poder sair, poder viajar. Isso \u00e9 muito importante, isso traz qualidade de vida para as pessoas\u201d, afirma a pesquisadora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sany relata que a prostitui\u00e7\u00e3o lhe deu uma possibilidade de continuar envolvida na Universidade e outros aspectos de sua vida da forma como gostaria. \u201c\u00c9 um trabalho em que eu consigo conciliar meu tempo com as outras atividades. Hoje eu tenho prazer de estudar porque eu tenho tempo para estudar. Antigamente n\u00e3o tinha. Eu trabalhava em Com\u00e9rcio, ent\u00e3o era de segunda a s\u00e1bado, cansei de perder prova s\u00e1bado porque tinha que trabalhar. Acho que a maior riqueza que tenho \u00e9 o tempo. Ter tempo para minhas coisas, para minha fam\u00edlia, para meus amigos, para mim mesma\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre outros benef\u00edcios do trabalho nas plataformas contra a prostitui\u00e7\u00e3o tradicional, Caminhas cita uma menor exposi\u00e7\u00e3o a riscos \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/entre\/o-misterio-de-lorena-fox-mulher-trans-assassinada-no-oeste-da-bahia-0323\">seguran\u00e7a f\u00edsica<\/a>&nbsp; e valores muito baixos para o trabalho, al\u00e9m da possibilidade de ser amparada pelas regula\u00e7\u00f5es das plataformas. Por outro lado, a cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fado n\u00e3o \u00e9 acompanhada apenas dos aspectos positivos do \u2018home office\u2019, e as criadoras reclamam de um trabalho dobrado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA maioria das pessoas que eu entrevistei dedicam realmente muitas horas a esse tipo de trabalho, cerca de 10 horas. Se a pessoa \u00e9 mais ativa, se ela realmente trabalha s\u00f3 com isso, \u00e9 umas 10h a 12 horas. E tem pessoas que trabalham menos, mas porque isso \u00e9 uma renda secund\u00e1ria. O que acontece \u00e9 que isso aumenta muito a carga de trabalho, a estafa da pessoa, e n\u00e3o \u00e9 produzindo o conte\u00fado em si, \u00e9 gerenciando todo o trabalho que ela teve para ter gente pagando. Ent\u00e3o sim, isso cria muita precariza\u00e7\u00e3o.\u201d explica Caminhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Formada no t\u00e9cnico de administra\u00e7\u00e3o do SENAI antes de ingressar na gradua\u00e7\u00e3o atual, Sany conta que aplica os conhecimentos da \u00e9poca na gest\u00e3o e marketing nas plataformas e nas quest\u00f5es t\u00e9cnicas ao redor da produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado. Ela conta que em seu curso \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado\u201d pela plataforma de educa\u00e7\u00e3o sexual RATI, ela achou uma forma de dar algumas das recomenda\u00e7\u00f5es que gostaria de ter recebido h\u00e1 quatro anos, quando come\u00e7ou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"twitter-tweet\" data-width=\"500\" data-dnt=\"true\"><p lang=\"pt\" dir=\"ltr\">&quot;Fulana nem \u00e9 ~tudo isso~ e t\u00e1 ganhando dinheiro eu t\u00f4 aqui pegando \u00f4nibus lotado 6 da manh\u00e3 sal\u00e1rio m\u00ednimo bla bla bla sociedade&quot;<br><br>Se \u00e9 f\u00e1cil assim at\u00e9 pras baranga que voc\u00ea conhece, c\u00ea t\u00e1 pegando busu lotado 6 da manh\u00e3 por puro masoquismo.<br><br>Fique ryco vc tamb\u00e9m \u2728<\/p>&mdash; hotwife de ficante\u2122 (@DeusaynaS) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/DeusaynaS\/status\/1716940150327149026?ref_src=twsrc%5Etfw\">October 24, 2023<\/a><\/blockquote><script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"twitter-tweet\" data-width=\"500\" data-dnt=\"true\"><p lang=\"pt\" dir=\"ltr\">Est\u00e1 se tornando absurdo quando &quot;escapa&quot; da m\u00e3o dos homens. Vide mulheres monetizando sexo sem um cafet\u00e3o ou reclamando de pica na internet (vide &quot;soca fofo&quot;).<br><br>Antes disso era tudo normar. <a href=\"https:\/\/t.co\/l3ehWgKoix\">https:\/\/t.co\/l3ehWgKoix<\/a><\/p>&mdash; hotwife de ficante\u2122 (@DeusaynaS) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/DeusaynaS\/status\/1717285843931476015?ref_src=twsrc%5Etfw\">October 25, 2023<\/a><\/blockquote><script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Em uma postagem feita em outubro deste ano, Sany, que usa suas redes como um \u201cespa\u00e7o de di\u00e1logo\u201d para mulheres novas no mercado sexual, comenta que as opini\u00f5es de alguns homens que reclamam de n\u00e3o ter acesso aos esses mesmos luxos que as criadoras vai al\u00e9m de um preconceito com a prostitui\u00e7\u00e3o e se trata de misoginia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 o que eu falo: j\u00e1 que voc\u00ea acha t\u00e3o f\u00e1cil, pegue a sua calcinha, abra um OnlyFans e fique rico voc\u00ea tamb\u00e9m. N\u00e3o \u00e9 uma grana f\u00e1cil? Voc\u00ea t\u00e1 pegando \u00f4nibus lotado porque quer, por puro masoquismo\u201d ironiza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em outra postagem, ela diz que a vis\u00e3o do trabalho em plataformas como OnlyFans e Privacy como algo que est\u00e1 no campo do absurdo s\u00f3 passa a existir pois o controle &#8220;escapa&#8221; da m\u00e3o dos homens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma entrevista para a revista AzMina, em setembro de 2019, a escritora feminista Silvia Federici afirmou que, para mulheres, sexo sempre foi trabalho.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><em>\u201cMulheres t\u00eam dependido de vender seus corpos porque n\u00f3s sempre tivemos menos acesso aos recursos do que os homens. Na hist\u00f3ria do capitalismo, eles sempre tiveram mais acesso a dinheiro, empregos e formas de subsist\u00eancia. Ent\u00e3o n\u00f3s tivemos que vender n\u00e3o s\u00f3 o trabalho em si, como os homens, mas tamb\u00e9m nossos corpos&#8221;<\/em><\/p><cite>&#8211; Silvia Federici para a Revista AzMina<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Para Lorena Caminhas, o \u201ctrabalho mais antigo do mundo\u201d sempre foi um mercado muito aquecido, apenas encontrou mais maneiras de atingir p\u00fablicos diferentes. \u201cNem todo mundo tem disposi\u00e7\u00e3o para sair de casa e encontrar uma prostituta, ir num clube de strip ou pagar uma pessoa como acompanhante. \u00c0s vezes nem todo mundo tem o dinheiro para investir, a depender do que seja\u2026 Quando&nbsp; esses servi\u00e7os v\u00e3o ser mediados pela internet, voc\u00ea j\u00e1 quebra uma parede, a da disposi\u00e7\u00e3o da pessoa de ir no lugar. Porque j\u00e1 est\u00e1 mais \u00e0 m\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora acrescenta que o formato possibilita a diversifica\u00e7\u00e3o de conte\u00fado em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 pornografia tradicional, fator que ajuda na capilariza\u00e7\u00e3o do conte\u00fado para um p\u00fablico mais amplo. Ainda assim, os dados e depoimentos n\u00e3o mentem: o p\u00fablico ainda \u00e9 composto majoritariamente por homens cis.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2022, a pesquisa \u201cCaracter\u00edsticas e atitudes sexuais dos usu\u00e1rios do Onlyfans\u201d, realizada por pesquisadores de tr\u00eas universidades norte-americanas, revelou algumas estimativas sobre o p\u00fablico: 63.1% eram homens, 68.9% brancos, 89.5% casados e a parcela de consumidores heterosexuais era de 59%. Segundo dados do site Similiar Web, da empresa de tecnologia de mesmo nome, o pa\u00eds que lidera em n\u00famero de usu\u00e1rios do aplicativo s\u00e3o os Estados Unidos, com 43.41%, seguido do Reino Unido com 5.87% e Canad\u00e1 com 4.83%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados ajudam a explicar o que, para Lorena, \u00e9 uma outra raz\u00e3o para que o OnlyFans tenha a Am\u00e9rica Latina como foco de crescimento: a sexualiza\u00e7\u00e3o dos habitantes, em particular das mulheres, desses pa\u00edses. A pesquisadora se refere ao Brasil como um \u201chub de turismo sexual\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os fetiches relacionados a aspectos \u00e9tnico-raciais por tr\u00e1s do fortalecimento desses mercados crescentes entre mulheres latinas fazem parte de hierarquias que, segundo B\u00e1rbara, n\u00e3o deixam de existir mesmo com o rompimento que as criadoras tentam promover com a pornografia, por exemplo, e apenas se reorganizam nas plataformas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu acho que a pornografia, em si, \u00e9 muito sobre categoriza\u00e7\u00f5es. Tem muito esse ponto de expectativas, de est\u00e9ticas, de um nicho est\u00e9tico, de pr\u00e1ticas sexuais correspondentes \u00e0 pessoa que cria conte\u00fado. As pessoas que trabalham nas plataformas tendem a se separar da pornografia tradicional, e um desafio \u00e9 romper com certos scripts que elas reproduzem, que t\u00eam tudo a ver com o tipo de pornografia que elas est\u00e3o criticando. Eu acho que essa contradi\u00e7\u00e3o e as hierarquias n\u00e3o deixam de existir nas plataformas digitais, mas s\u00e3o reorganizadas nessas plataformas\u201d, diz<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"http:\/\/id126ufba.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/VIdeo-COmpleto-legendado-V.1.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Aplicativos como OnlyFans (OF) e Privacy expandiram-se rapidamente no mercado sexual nos \u00faltimos anos. <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/economia\/conheca-leonid-radvinsky-dono-do-onlyfans-que-recebeu-r-63-milhoes-por-dia-em-dividendos-no-ano-passado\/\">Com faturamentos que ultrapassam as centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares<\/a>, aliado ao contexto de crise econ\u00f4mica causada pela pandemia de Covid-19 entre 2020 e 2022, estes se tornaram alternativas concretas no mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento no uso desses aplicativos se d\u00e1 principalmente em regi\u00f5es com baixos indicadores econ\u00f4micos. <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tecnologia\/web-summit\/noticia\/2023\/05\/03\/onlyfans-aposta-na-america-latina-para-crescer-51-bilhoes.ghtml\">Na Web Summit Rio, em maio deste ano, a presidente executiva do OF, Amrapali Gan, afirmou que a Am\u00e9rica Latina \u00e9 o principal foco de expans\u00e3o da empresa para o futuro.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os aplicativos funcionam com base em um modelo de assinaturas mensais. Tanto no OF como no Privacy, o criador de conte\u00fado ret\u00eam 80% do valor da assinatura, que varia entre U$5 e U$50. <a href=\"https:\/\/www.tecmundo.com.br\/internet\/247393-onlyfans-veja-10-pessoas-ganharam-dinheiro-site.htm\">Os mais bem-sucedidos chegam a ultrapassar a marca do milh\u00e3o em seu faturamento<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/swupW6lVbRHM6TE9rNVKutlCWaFYF0KciAz4iL5ZBFR_y6vuOzz6W3cfCrFq3gQmGc5pgLoq8ocbEYlVOJIbrww5OmNA21KsDGeNaf3UbnFYdpL_Y5pOPnzN5jkmREpQRZlZhVf8en04fd6dC7wu95s\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Faturamento anual do aplicativo desde 2018. Fonte: OnlyFans User and Revenue Statistics (Ch Daniel, SignHouse, 2023)<\/p>\n\n\n\n<p>Estas \u201cSex Techs\u201d, como denomina a pesquisadora da USP Lorena Caminhas, transformam o modelo de neg\u00f3cio do mercado er\u00f3tico e sexual. A l\u00f3gica seria semelhante \u00e0 de pequenos comerciantes, onde a produ\u00e7\u00e3o artesanal (autonomia e independ\u00eancia) se mistura com pr\u00e1ticas industriais (estabelecimento de marca e esfor\u00e7os publicit\u00e1rios).<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho deixa de se limitar \u00e0 pr\u00e1tica er\u00f3tica e passa a englobar gest\u00e3o e, principalmente, publicidade. A divulga\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de perfis em outras redes influencia tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o entre produtores e consumidores. Se torna comum uma postura mais informal e \u00edntima, mantendo o p\u00fablico cativo e o expandindo para al\u00e9m da bolha com a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado mais abrangente e n\u00e3o s\u00f3 o sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>B\u00e1rbara Mendes aponta que a nova l\u00f3gica \u201cenvolve a obrigatoriedade de se tornar vis\u00edvel em m\u00faltiplas plataformas, simultaneamente, para al\u00e9m do OnlyFans. Ele n\u00e3o existe isoladamente, e essa parte do trabalho muitas vezes n\u00e3o \u00e9 nem vista como trabalho.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Fl\u00e1via, 27, nunca tinha se visto como uma mulher sensual. No fim de 2022, quando descobriu o shibari (pr\u00e1tica art\u00edstica-sexual japonesa que envolve t\u00e9cnicas de amarra\u00e7\u00e3o do corpo), ficou maravilhada. Postava fotos e v\u00eddeos do processo, sem muita pretens\u00e3o, em uma conta no Instagram. Os seguidores queriam mais: come\u00e7aram a pedir conte\u00fados mais \u00edntimos, comentavam qu\u00e3o atraente ela \u00e9. Foi ent\u00e3o que, por divers\u00e3o, decidiu com o parceiro compartilhar momentos mais quentes no OnlyFans e Privacy, al\u00e9m do Telegram.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela conta que, mesmo tendo outro emprego como administradora de uma floricultura e n\u00e3o dependendo do dinheiro dos aplicativos para se sustentar, o trabalho multiplataformas \u00e9 essencial para quem quer vender. \u201c\u00c0s vezes eu n\u00e3o posto nada [no Instagram] e isso \u00e9 horr\u00edvel, porque n\u00e3o vende nada. E a\u00ed eu tenho que ter tempo de parar, conversar, gravar, sendo que eu tenho outras contas no Instagram, tem o da loja, tem o meu pessoal. E sinceramente eu n\u00e3o sou muito marqueteira, eu j\u00e1 n\u00e3o sou muito de fazer m\u00eddia, de ficar conversando. \u00c9 um trabalho que eu n\u00e3o tenho tanto tempo para me dedicar, porque realmente precisa de dedica\u00e7\u00e3o e tempo como qualquer outro trabalho que seja online\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/1204.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<p>A aut\u00f4noma compara a atividade com a venda de cursos na internet, \u00e1rea que cresceu durante a pandemia com a promessa de ganhos f\u00e1ceis em setores como o marketing digital.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 um trabalho como qualquer outro, qualquer trabalho online de venda de curso, de servi\u00e7o. Por exemplo, o meu ex era agr\u00f4nomo e ele vendia um curso de interpreta\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise de solo. O curso dele era todo online, ele gravou tudo em casa e vendia na internet. E era assim: se ele n\u00e3o divulgasse n\u00e3o vendia, se ele n\u00e3o postasse n\u00e3o vendia. E eu vejo que o que eu fa\u00e7o hoje \u00e9 bem semelhante ao que ele fazia na \u00e9poca. E n\u00e3o era um trabalho sexual, era uma venda online\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Caminhas comenta que a depend\u00eancia de outras plataformas para a circula\u00e7\u00e3o dos perfis do OnlyFans \u00e9 uma estrat\u00e9gia de mercado assumida pela plataforma na medida em que \u201cse aproveita de que voc\u00ea j\u00e1 tem uma plataforma onde consegue distribuir conte\u00fado n\u00e3o monetizado\u201d. Ela acrescenta que \u201co que essas plataformas fazem \u00e9 se estabelecer dentro de uma depend\u00eancia de todo um ecossistema digital\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA plataforma d\u00e1 a infraestrutura, arranjar consumidores \u00e9 problema seu\u201d, afirma a pesquisadora. E \u00e9 justamente esse modelo de neg\u00f3cio que as enriquece, j\u00e1 que basta manter a estrutura do aplicativo. Por esta lente \u00e9 que pode-se falar de trabalho sexual online dentro de din\u00e2mica de precariedade, j\u00e1 que a maior parte da jornada de trabalho n\u00e3o \u00e9 bonificada.<\/p>\n\n\n\n<p>A depend\u00eancia de um ecossistema digital fica evidente na an\u00e1lise de tr\u00e1fego do aplicativo, em que a maior parte adv\u00e9m de links diretos, por maioria anexados nas redes sociais ou em aplicativos de mensagens como Whatsapp e Telegram. J\u00e1 especificamente nas redes, o Twitter \u00e9 o grande destaque.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/eXRbjOPCgOfwaykZxyFY_-uOv04GWeIagIAgUrLXyDkN8L7fF-_e5OwFiWGXBCurub2UqsmKuzek-CgDcT8C9TzC0wsfvT8Sj6Ml0L1_1_hXEYoYTTi6oHK-XKe-6KXhMgKsvjcNEOObk2nuAo5jPC8\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.usesignhouse.com\/blog\/onlyfans-users#:~:text=Demographics%3A%20OnlyFans%20Users%20by%20Age,-Want%20a%20link&amp;text=31.25%25%20of%20OnlyFans%20active%20users,are%20people%20aged%2055%2D64\">OnlyFans User and Revenue Statistics (Ch Daniel, SignHouse, 2023<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/LVym7flIO-w_8glBDaTqsmZvQc5cgseRMhriHGJvtEGo6GiaQXZl7fIl-RTYd3y-hdqAFNI4DGEJG8NpM7Xt_Up_rtwHhNC04hWqaugYMnU_ct3-e4LIN-6tEFJ4NA-5SiQou_-8urChxTS_TvAp1hI\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.usesignhouse.com\/blog\/onlyfans-users#:~:text=Demographics%3A%20OnlyFans%20Users%20by%20Age,-Want%20a%20link&amp;text=31.25%25%20of%20OnlyFans%20active%20users,are%20people%20aged%2055%2D64\">OnlyFans User and Revenue Statistics (Ch Daniel, SignHouse, 2023<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Todos esses fatores, inclusive, impedem algumas pessoas de caracterizar a pr\u00f3pria venda de fotos e v\u00eddeos nessas plataformas como uma prostitui\u00e7\u00e3o. B\u00e1rbara aponta que, apesar do trabalho digital possuir uma s\u00e9rie de ameniza\u00e7\u00f5es quando comparado \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o tradicional, a cisma entre trabalho sexual on e off-line n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o expl\u00edcita.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMuitas vezes essas pessoas que trabalham nas plataformas n\u00e3o se veem fazendo pornografia ou trabalhando na prostitui\u00e7\u00e3o. Por ser digital e n\u00e3o ter contato f\u00edsico, as pessoas talvez vejam como um trabalho mais seguro, o que n\u00e3o deixa de ser verdade. Por vezes tamb\u00e9m \u00e9 visto como um trabalho moralmente melhor, o que \u00e9 bem contradit\u00f3rio. Essa confus\u00e3o entre categorias acaba desestabilizando a defini\u00e7\u00e3o de trabalho sexual\u201d, afirma a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Com propagandas que apresentam a tentadora possibilidade de fazer um trabalho que supostamente exige menos esfor\u00e7o e lucrar em pouqu\u00edssimo tempo, as plataformas de conte\u00fado sexual se vendem com um discurso de liberta\u00e7\u00e3o e autonomia, sobretudo para as mulheres.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia de que este \u00e9 um of\u00edcio sem maiores problemas e que rende bastante dinheiro f\u00e1cil, entretanto, n\u00e3o se sustenta com maior an\u00e1lise. <a href=\"https:\/\/www.usesignhouse.com\/blog\/onlyfans-users#onlyfans-users-gender-statistics\">O criador de conte\u00fado m\u00e9dio no OF lucra 180 d\u00f3lares por m\u00eas no aplicativo e somente 300 contas faturam mais de 1 milh\u00e3o de d\u00f3lares por ano.<\/a> Dados como esses, se entendidos a partir da realidade brasileira, revelam uma situa\u00e7\u00e3o complexa dos trabalhadores. Na perspectiva desse of\u00edcio como fonte de renda para o sustento, a maioria sequer alcan\u00e7a uma m\u00e9dia salarial do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/e1-bAMe1RWoD7xXP9sO4enVk7EYw03FAcj-FYK33g65uYjxGilBeEOyNypwBVf0ykfFv_Z93AiirfXTYKXEcaNPZVC-nHWM9Ty_kK3dgCb35rvzW-pwpdCh5pULN7syMFYzdVFGPyJEwZ1JXBKH7PZM\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.usesignhouse.com\/blog\/onlyfans-users#:~:text=Demographics%3A%20OnlyFans%20Users%20by%20Age,-Want%20a%20link&amp;text=31.25%25%20of%20OnlyFans%20active%20users,are%20people%20aged%2055%2D64\">OnlyFans User and Revenue Statistics (Ch Daniel, SignHouse, 2023<\/a>); <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/economia\/salario-do-brasileiro-deve-crescer-39-na-media-ate-o-fim-de-2023-aponta-estudo\/\">M\u00e9dia salarial no Brasil em 2023<\/a>; <a href=\"https:\/\/valorinveste.globo.com\/objetivo\/gastar-bem\/noticia\/2023\/08\/04\/salario-minimo-ideal-deveria-ser-de-r-r-652893-diz-dieese.ghtml\">Sal\u00e1rio m\u00ednimo ideial<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra falsa proposi\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que o criador de conte\u00fado teria uma independ\u00eancia total em sua atividade, tendo controle da experi\u00eancia e do p\u00fablico. Essa condi\u00e7\u00e3o s\u00f3 refor\u00e7a o discurso do modelo de neg\u00f3cio focado em auto-empreendedorismo proposto pelos aplicativos, segundo o qual as empresas seriam apenas facilitadoras que permitiriam ao indiv\u00edduo liberdade e autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p>A din\u00e2mica das plataformas digitais media as rela\u00e7\u00f5es entre usu\u00e1rio e fornecedor, o que desestabiliza a sensa\u00e7\u00e3o de intimidade, grande destratora da prostitui\u00e7\u00e3o tradicional, e posiciona os atores em um espa\u00e7o digital que se coloca como \u201chigienizado\u201d pelo design e est\u00edmulos est\u00e9ticos da intera\u00e7\u00e3o em aplicativo. As empresas se distanciam ativamente da atividade laboral, o que B\u00e1rbara refor\u00e7a ao dizer que \u201ca invisibiliza\u00e7\u00e3o da plataforma como mediadora \u00e9 o que d\u00e1 a impress\u00e3o de que voc\u00ea est\u00e1 fazendo tudo sozinha\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar em redes sociais como Instagram, Twitter e LinkedIn coment\u00e1rios e perfis de homens que se colocam como \u201cagentes de marketing\u201d para mulheres em plataformas de conte\u00fado sexual. O que eles prometem \u00e9 uma assessoria, um aux\u00edlio para desenvolver estrat\u00e9gias e alavancar as compras. Assumem, na realidade, um papel de proxenetas virtuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fator que refuta a suposta independ\u00eancia e a \u201cfacilidade em ganhar dinheiro\u201d \u00e9 a influ\u00eancia dos algoritmos. Em paralelo ao trabalho digital como um todo, a depend\u00eancia do algoritmo torna este trabalho bastante desigual. Muitos produtores n\u00e3o alcan\u00e7am o sucesso fortemente divulgado e envisionado por estes. A arquitetura das redes e o modo de funcionamento do algoritmo de entrega levam uma l\u00f3gica de competi\u00e7\u00e3o para a atividade.<\/p>\n\n\n\n<p>A desigualdade de entrega ainda causa press\u00f5es em cima das expectativas est\u00e9ticas dos consumidores, e pode levar os produtores de conte\u00fado a focar cada vez mais em nichos de fetiches. Em situa\u00e7\u00f5es como essa, a pesquisadora acrescenta que \u201cproduzir conte\u00fado expl\u00edcito acaba sendo uma imposi\u00e7\u00e3o para voc\u00ea seguir vendendo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para B\u00e1rbara, a impress\u00e3o \u00e9 que existe mais pluralidade na prostitui\u00e7\u00e3o virtual. Ainda assim, ela diz que os padr\u00f5es de beleza continuam a pesar nessa modalidade. \u201cSe eu for comparar com a tradicional, por exemplo, eu acho que a quest\u00e3o da autonomia [nas plataformas] se manifesta muito em uma ideia de auto responsabiliza\u00e7\u00e3o, da pessoa se culpar ou se incumbir de uma responsabilidade por n\u00e3o estar ganhando com o conte\u00fado. Muitas pessoas relataram problemas emocionais por conta disso\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>O OnlyFans como uma plataforma desigual s\u00f3 fica mais evidente na an\u00e1lise do pagamento feito pela empresa aos criadores, j\u00e1 que <a href=\"https:\/\/xsrus.com\/the-economics-of-onlyfans\">33% est\u00e1 concentrado em 1% das contas. <\/a>A despeito disso, o dono da empresa, <a href=\"https:\/\/revistapegn.globo.com\/negocios\/noticia\/2023\/08\/imperador-do-entretenimento-adulto-saiba-quem-e-o-dono-do-onlyfans-que-ganha-r-63-milhoes-em-bonus-por-dia.ghtml\">Leonid Radvinsky, recebeu um valor superior a US$ 338 milh\u00f5es em 2022<\/a>, o que equivale a mais de R$ 1,6 bilh\u00e3o, al\u00e9m de ter pago a si mesmo um b\u00f4nus de US$ 1,3 milh\u00e3o, ou R$ 6,3 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/jc_UJdvGB8VUVLyoBb6Eg6OOycwxKernxja9-jTGWhHRv8uoiCpiueiq7iqgUfPoO9MVeCwwKlDp10suzPOvO9Nik8UUf3Nnbg_Uyeomxkw0VXiIwfHfz4uSCVJk-WTP1R01D5QoO9A_IyGlSzH-G0c\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.usesignhouse.com\/blog\/onlyfans-users#:~:text=Demographics%3A%20OnlyFans%20Users%20by%20Age,-Want%20a%20link&amp;text=31.25%25%20of%20OnlyFans%20active%20users,are%20people%20aged%2055%2D64\">OnlyFans User and Revenue Statistics (Ch Daniel, SignHouse, 2023<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica de renda, segundo a Revista \u201cPeople\u201d, a receita do OnlyFans subiu de US$932 milh\u00f5es, ou R$4,5 bilh\u00f5es, no ano de 2021, para US$1,09 bilh\u00e3o, ou R$5,3 bilh\u00f5es, em 2022, com crescimento de 22% de lucro acumulado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/UFSCtxeq9OP-uXufub-k7cc9hf_mO1Zkyi7TLRcWCYjzZKeFX-M1hHGHVWpg2wR0cIKcRSRGjK-kfP4Zlp_Z7lZMoSNlVlnjD7chFAjp6jsa0-i4SuF5AQEHLqVEcMk7slLIxXneWnlorNl7w16C0mc\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.usesignhouse.com\/blog\/onlyfans-users#:~:text=Demographics%3A%20OnlyFans%20Users%20by%20Age,-Want%20a%20link&amp;text=31.25%25%20of%20OnlyFans%20active%20users,are%20people%20aged%2055%2D64\">OnlyFans User and Revenue Statistics (Ch Daniel, SignHouse, 2023<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o se deve perder de vista o recorte de g\u00eanero quando analisando o mercado sexual. <a href=\"https:\/\/www.usesignhouse.com\/blog\/onlyfans-users#onlyfans-users-gender-statistics\">De todos os usu\u00e1rios no OnlyFans, 87% s\u00e3o homens e 60% s\u00e3o heterossexuais.<\/a> Em contrapartida, <a href=\"https:\/\/blog.gitnux.com\/onlyfans-gender-statistics\/\">os produtores s\u00e3o em sua maioria mulheres, 70%.<\/a> O que emerge desse fen\u00f4meno \u00e9 a reprodu\u00e7\u00e3o de l\u00f3gicas machistas e mis\u00f3ginas, muitas vezes advindas de mercados sexuais mais antigos, como o de audiovisual pornogr\u00e1fico. Segundo B\u00e1rbara, \u201cquanto a algumas limita\u00e7\u00f5es de autonomia, hierarquias que s\u00e3o alvo de cr\u00edticas na pornografia tradicional podem atravessar o trabalho nas plataformas tamb\u00e9m. Essas s\u00e3o, por exemplo, geracionais ou sobre padr\u00f5es de beleza, novos nichos que for\u00e7am a adequa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/h2WvOhu_YED0MNP4epwzQQzKEC0AGQ1HV79vWWVbIkkLcdp8wkSoc96puTRXKAF4_Sz8zVm6a10jOP-Bn17kfNIFez611KqYyCHSkp7qcyc8zgCeF4tbSoZ0ie-O3uyf458q83V_YK9yxeG-8kN8JAo\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.usesignhouse.com\/blog\/onlyfans-users#:~:text=Demographics%3A%20OnlyFans%20Users%20by%20Age,-Want%20a%20link&amp;text=31.25%25%20of%20OnlyFans%20active%20users,are%20people%20aged%2055%2D64\">OnlyFans User and Revenue Statistics (Ch Daniel, SignHouse, 2023<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p>O que se evidencia disso \u00e9 que, apesar de uma l\u00f3gica de mercado diferente da prostitui\u00e7\u00e3o tradicional, parte dos problemas e estigmas s\u00e3o continuados em extens\u00e3o no mercado online. Por isso, falar de precariza\u00e7\u00e3o por vezes pode ser amb\u00edguo, j\u00e1 que, como indica a pesquisadora Lorena, \u201ccontinua t\u00e3o precarizado quanto sempre foi\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a antrop\u00f3loga, \u201co mercado sexual sempre foi aquecido, seja mediado por alguma tecnologia, seja por pessoas. Ele s\u00f3 acha mais maneiras de atingir p\u00fablicos diferentes. O que h\u00e1, talvez, \u00e9 uma diversifica\u00e7\u00e3o dos p\u00fablicos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">O termo \u201cuberiza\u00e7\u00e3o\u201d surge de um novo modelo de trabalho inaugurado pelas plataformas semelhantes ao aplicativo de caronas. A nova l\u00f3gica envolve um grande distanciamento entre o trabalhador e a ger\u00eancia, j\u00e1 que h\u00e1 uma perda da fisicalidade e uma maior dificuldade em sindicaliza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o trabalho pode ser completamente individualizado. Todo o funcionamento \u00e9 apoiado sobre uma base tecnol\u00f3gica e datificada imprescind\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>O sucesso do modelo plataformizado adentrou o mercado do sexo com for\u00e7a semelhante, por\u00e9m o desenvolvimento deste na \u00e1rea possui diversas nuances pr\u00f3prias.<\/p>\n\n\n\n<p>Lorena Caminhas defende que compreender a expans\u00e3o dos mercados sexuais e er\u00f3ticos \u00e9 o mesmo que compreender a expans\u00e3o da internet e seus avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos. \u201cPara mim, a internet sempre foi muito movida pelo sexo. N\u00e3o s\u00f3 comercial, mas muito por ele. Muitas das inova\u00e7\u00f5es que hoje a gente usa, como o cart\u00e3o de cr\u00e9dito para pagar online, foram impulsionadas pelas necessidades da ind\u00fastria porn\u00f4. O sexo \u00e9 um grande impulsionador do desenvolvimento tecnol\u00f3gico\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho sexual, antes da digitaliza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 era permeado por dificuldades. De esfor\u00e7os regulat\u00f3rios \u00e0 falta de garantias, os profissionais e as profissionais atuantes na prostitui\u00e7\u00e3o enfrentavam um ambiente precarizado j\u00e1 durante muito tempo. Essa realidade diferencia totalmente este de outros processos em plataformiza\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre taxistas e motoristas de Uber, por exemplo, transfere os profissionais de um mercado com legisla\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00f5es ao trabalhador para um completamente hostil aos seus interesses. Com a prostitui\u00e7\u00e3o e o atual mercado digitalizado, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a t\u00e3o marcada.<\/p>\n\n\n\n<p>Lorena explica que a precariza\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 uma constante. \u201c\u00c9 dif\u00edcil dizer que est\u00e1 mais precarizado (digitalmente), porque o mercado do sexo \u00e9 historicamente marginalizado e estigmatizado, sobretudo no Brasil. N\u00e3o h\u00e1 ponto de sua exist\u00eancia em que esse trabalho n\u00e3o foi prec\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma frequente circula\u00e7\u00e3o entre o trabalho on e offline, com muitas profissionais trabalhando nas duas l\u00f3gicas. Lorena aponta que, principalmente ap\u00f3s a pandemia, quando o servi\u00e7o presencial foi dificultado, houve uma intensa migra\u00e7\u00e3o para o app. O processo inverso tamb\u00e9m \u00e9 consideravelmente comum, quando produtoras come\u00e7am no digital e, com o aumento da familiaridade, come\u00e7am a fazer trabalhos presenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outra diferen\u00e7a quanto a plataformiza\u00e7\u00e3o tradicional, o mercado sexual digital traz mais regula\u00e7\u00e3o do que existia anteriormente na atividade. Apesar de unilaterais e impostos \u00e0s produtoras, os contratos e termos de uso dos aplicativos tomam um espa\u00e7o regulat\u00f3rio inexistente na atividade off-line.<\/p>\n\n\n\n<p>Tertuliana Lustosa, 27, cantora da banda A Travestis e mestranda em Cultura e Sociedade na Universidade Federal da Bahia (UFBA), se atraiu pela perspectiva de seguran\u00e7a dos sites em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ruas. Mulher trans, ela conta que j\u00e1 fez parte de uma dura estat\u00edstica brasileira: segundo uma pesquisa feita em 2019 pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais, 90% da popula\u00e7\u00e3o de travestis e mulheres transexuais no pa\u00eds se envolvem com prostitui\u00e7\u00e3o por conta de falta de oportunidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Observando pessoas ao seu redor criarem contas em plataformas de conte\u00fado sexual, Tertuliana sentiu a curiosidade ati\u00e7ar. Estaria ali uma alternativa para ajud\u00e1-la com as quest\u00f5es financeiras sem que precisasse se arriscar tanto?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVender conte\u00fado na internet para mim pareceu uma coisa mais leve. Eu considero mais leve do que pessoalmente ir e me prostituir, no sentido desse tipo de atendimento ser algo que eu n\u00e3o me sinto muito \u00e0 vontade para fazer. No Privacy, o meu tipo de conte\u00fado \u00e9 o que eu me sinto confort\u00e1vel. Eu n\u00e3o mostro meu \u00f3rg\u00e3o genital, por exemplo. S\u00e3o mais conte\u00fados sensuais, fotos e v\u00eddeos me relacionando tamb\u00e9m, mas s\u00f3 coisas que eu me sinta confort\u00e1vel\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>A cantora explica sua experi\u00eancia positiva com o Privacy. \u201cEu adoro a plataforma. Acho que ela \u00e9 \u00f3tima por ser um p\u00fablico majoritariamente brasileiro. Eu me sinto mais \u00e0 vontade, mais confort\u00e1vel. A \u00fanica reclama\u00e7\u00e3o que eu teria talvez fosse sobre alguns pagamentos que demoram, s\u00e3o 14 dias \u00fateis quando a pessoa paga no cart\u00e3o, por exemplo. Fora isso, nada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A dificuldade no processo de pagamento \u00e9 algo que Lorena denomina discrimina\u00e7\u00e3o financeira e entende como mais uma faceta da estigmatiza\u00e7\u00e3o enfrentada pelo mercado do sexo. Houve epis\u00f3dios onde empresas se recusaram a assistir profissionais sexuais, como <a href=\"https:\/\/tecnoblog.net\/noticias\/2019\/11\/15\/paypal-proibe-pagamentos-pornhub\/\">em 2019, quando o PayPal deixou de fazer transa\u00e7\u00f5es no site do PornHub, por decis\u00e3o pr\u00f3pria<\/a>. E <a href=\"https:\/\/canaltech.com.br\/redes-sociais\/onlyfans-volta-atras-e-decide-permitir-conteudo-sexual-explicito-na-plataforma-193690\/\">em 2021, mesmo o OnlyFans entendeu como certa a decis\u00e3o de banir conte\u00fado expl\u00edcito da plataforma,<\/a> o que rapidamente foi revisado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">\u201cGarota de programa, garoto de programa, meretriz, messalina, mich\u00ea, mulher da vida, trabalhador do sexo\u201d. Esses s\u00e3o os sin\u00f4nimos para \u201cprostituta\u201d catalogados na Classifica\u00e7\u00e3o Brasileira de Ocupa\u00e7\u00f5es (CBO), que identifica todas as profiss\u00f5es reconhecidas no pa\u00eds. A prostitui\u00e7\u00e3o integra essa tabela desde 2002, mas a situa\u00e7\u00e3o dessa atividade na legisla\u00e7\u00e3o brasileira ainda \u00e9 enevoada: no C\u00f3digo Penal, a facilita\u00e7\u00e3o ou favorecimento da prostitui\u00e7\u00e3o s\u00e3o tidos como pr\u00e1ticas de natureza criminosa, com penas de dois a oito anos, e n\u00e3o existem leis no Brasil que garantam direitos trabalhistas aos trabalhadores sexuais.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>No Congresso, dois projetos de lei que t\u00eam como foco a prostitui\u00e7\u00e3o se sobressaem: o PL n.377\/2011, do ent\u00e3o deputado federal Jo\u00e3o Campos, vice-l\u00edder do Republicanos entre 2020 e 2022, que prop\u00f5e uma modifica\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Penal para criminalizar a contrata\u00e7\u00e3o e a aceita\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os sexuais. J\u00e1 o PL n.4211\/2012, conhecido como \u201cGabriela Leite\u201d, do ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro Jean Wyllys, defende a regulamenta\u00e7\u00e3o da atividade. Ambos foram arquivados em 31 de janeiro de 2019. Entretanto, o primeiro foi desarquivado no m\u00eas seguinte, ap\u00f3s uma solicita\u00e7\u00e3o do deputado Jo\u00e3o Campos para que todos os seus projetos fossem desarquivados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2016, a Anistia Internacional publicou um relat\u00f3rio relativo \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o, no qual relata viol\u00eancias sofridas por trabalhadores sexuais, tanto de clientes como da pol\u00edcia, e afirma que a descriminaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 o melhor caminho para esses profissionais. De acordo com a organiza\u00e7\u00e3o, a criminaliza\u00e7\u00e3o dessa atividade \u201crefor\u00e7a a marginaliza\u00e7\u00e3o, o estigma e a discrimina\u00e7\u00e3o, podendo negar \u00e0s pessoas que se dedicam ao trabalho sexual o acesso \u00e0 justi\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No trabalho sexual plataformizado, os direitos s\u00e3o ainda menos contemplados. Para a pesquisadora B\u00e1rbara Mendes, a regulariza\u00e7\u00e3o da atividade, tanto em pessoa como virtual, seria a melhor alternativa. \u201cRegulamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 o ideal. Mas, eu acho que tem uma quest\u00e3o espec\u00edfica desse trabalho: que mesmo pessoas no mercado do sexo n\u00e3o-digital muitas vezes n\u00e3o t\u00eam legisla\u00e7\u00e3o e nem direitos trabalhistas. Ent\u00e3o \u00e9 um problema espec\u00edfico, eu acho que \u00e9 muito diferente se voc\u00ea pensar em alguns outros trabalhos em plataformas digitais em um an\u00e1logo deles offline, por exemplo\u201d, declara.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes da pandemia, o Onlyfans contava com 20 milh\u00f5es de usu\u00e1rios. Apenas 12 meses depois, esse n\u00famero subiu para mais de 120 milh\u00f5es \u2013 um crescimento de 600%. A ado\u00e7\u00e3o dessa e outras plataformas tem dois lados: o da liberdade de escolha de como portar o pr\u00f3prio corpo e o da falta de outras oportunidades fora do mercado sexual, sobretudo no per\u00edodo pand\u00eamico. Nos dois casos, muitas vezes, a atividade torna-se sin\u00f4nimo de sobreviv\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista ao El Pa\u00eds, a acad\u00eamica mexicana Livia Motterle afirmou que quando h\u00e1 um interc\u00e2mbio sexual em troca de dinheiro e isso \u00e9 pactuado, \u00e9 sempre trabalho sexual. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><em>\u201cA pessoa que entra nessas plataformas busca satisfazer uma fantasia, e a foto realiza essa fantasia. \u00c9 um trabalho sexual muito reduzido, um fragmento de um mundo muito mais amplo.\u201d<\/em> <\/p><cite>&#8211; Livia Motterle ao El Pa\u00eds,<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Para algumas meninas \u00e9 dif\u00edcil admitir, diz a pesquisadora, porque \u201ca sociedade pensa que \u00e9 algo ruim, isso n\u00e3o \u00e9 reconhecido como trabalho e elas sofrem o estigma p\u00fablico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 o trabalho da vida delas. Meu contato de pesquisa relatou que sofreu um pouco de viol\u00eancia psicol\u00f3gica na fam\u00edlia, ela estudava e tinha v\u00e1rios outros trabalhos simult\u00e2neos. Ela passou a ganhar muito mais, a poder trabalhar de casa. Mas, \u00e9 importante apontar que isso n\u00e3o acontece com todo mundo. Algumas pessoas n\u00e3o conseguem vender seu conte\u00fado, n\u00e3o conseguem seguir o que eles planejavam fazer. Eu acho que com a populariza\u00e7\u00e3o da plataforma, houve uma banaliza\u00e7\u00e3o desse trabalho, ent\u00e3o muita gente acreditou que era muito f\u00e1cil vender conte\u00fado on-line, mesmo que este n\u00e3o fosse expl\u00edcito\u201d, diz B\u00e1rbara.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o fato do trabalho ser mediado pela plataforma n\u00e3o faz com que as experi\u00eancias de quem produz sejam livres de abusos. \u201cMuita gente sem no\u00e7\u00e3o me manda mensagem sexual, querendo marcar encontros. Eu digo que n\u00e3o rola e a pessoa insiste. Teve gente que me chamou at\u00e9 de mal educada porque eu n\u00e3o quis sair. E eu falo com todo mundo na maior calma, mas tem alguns caras que s\u00e3o insuport\u00e1veis\u201d, relata a aut\u00f4noma Fl\u00e1via.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Promessas de emancipa\u00e7\u00e3o financeira, autogest\u00e3o e trabalho f\u00e1cil ampliam o mercado sexual plataformizado Jo\u00e3o Francisco Ara\u00fajo, Maria Raquel Brito, Pedro Antunes de Paula, Samantha Freire \u201c\u00c9 uma grande contradi\u00e7\u00e3o, porque na cabe\u00e7a das pessoas ou voc\u00ea \u2018ganha dinheiro f\u00e1cil, s\u00f3 vendendo foto da buc*ta\u2019 ou [dizem] \u2018nossa, \u00e9 uma vida de explora\u00e7\u00e3o, meu Deus, essas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":40986,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"acf":[],"aioseo_notices":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v24.5 - 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