{"id":5127,"date":"2011-12-16T15:11:15","date_gmt":"2011-12-16T15:11:15","guid":{"rendered":"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/?p=5127"},"modified":"2012-04-01T19:33:13","modified_gmt":"2012-04-01T19:33:13","slug":"%e2%80%9csinto-frustracao-quando-leio-um-jornal-da-bahia-do-rio-ou-de-sao-paulo%e2%80%9d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/%e2%80%9csinto-frustracao-quando-leio-um-jornal-da-bahia-do-rio-ou-de-sao-paulo%e2%80%9d\/","title":{"rendered":"Soteropolitana no The New York Times"},"content":{"rendered":"<p><em>Para a jornalista do The New York Times, os di\u00e1rios nacionais n<\/em><em>\u00e3o captam a verdadeira<\/em><em> <\/em><em>beleza ou o verdadeiro drama<\/em><em> <\/em><em>do que \u00e9 ser brasileiro. Fernanda Santos acha que o<\/em><em> jornalismo brasileiro \u00e9 elitista.<\/em><\/p>\n<p><em>Por Bruno Brasil<\/em><em> <\/em><\/p>\n<p>De Nova York aprendeu a rapidez na fala, do Rio de Janeiro carregou o forte sotaque e, como boa baiana, n\u00e3o aceita levar desaforo pra casa. Latina, brasileira, baiana, soteropolitana. \u00c9 assim que Fernanda Santos faz quest\u00e3o de marcar seu lugar e ser reconhecida. A \u00fanica brasileira a trabalhar no <em>The New York Times<\/em> esteve presente na Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o, UFBA, dia 28 de novembro, para falar sobre sua experi\u00eancia de trabalhar no maior jornal do mundo. Formada em Publicidade pela PUC-Rio e com mestrado em Jornalismo Impresso pela Boston University, Fernanda \u00e9 ferrenha quando defende que qualquer um pode fazer Jornalismo. Quando corrigida no ingl\u00eas (agora tendo que relembrar o portugu\u00eas pela falta de pr\u00e1tica), na mesma hora ela se defende: \u201cDesculpa, \u00e9 que eu j\u00e1 tenho que pensar essa palavra em tr\u00eas idiomas\u201d. E assim segue fazendo Jornalismo, dividindo a tarefa de cobrir o ensino de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica em Nova York, que corresponde a mais de 1 milh\u00e3o e 100 mil estudantes com mais de 1.700 escolas, apenas com mais uma rep\u00f3rter. Para falar sobre a profiss\u00e3o, fez quest\u00e3o de escolher como t\u00edtulo da sua palestra \u201cA arma secreta do Jornalismo que levo no meu cora\u00e7\u00e3o\u201d. Aqui ela fala sobre as diferen\u00e7as entre o jornalismo brasileiro e norte-americano, da import\u00e2ncia de se contar uma hist\u00f3ria emocionante, alem de avaliar as defici\u00eancias da educa\u00e7\u00e3o no Brasil<\/p>\n<p><strong><em>Impress\u00e3o Digital 126<\/em> &#8211; Como \u00e9 sua rotina no <em>The<\/em> <em>New York Times<\/em>? Que horas voc\u00ea entra no jornal?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_5128\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignleft\"><strong><a href=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/032_28112011_0242.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5128\" class=\"size-full wp-image-5128  \" title=\"032_28112011_0242\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/032_28112011_0242.jpg\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/032_28112011_0242.jpg 428w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/032_28112011_0242-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/a><\/strong><p id=\"caption-attachment-5128\" class=\"wp-caption-text\">O Brasil pode crescer o quanto for, mas vai continuar sendo um pa\u00eds de grandes diferen\u00e7as, de muitos pobres e poucos ricos, com cada vez mais pobres e menos ricos e cada vez os ricos mais ricos.<\/p><\/div>\n<p><strong>Fernanda Santos &#8211;<\/strong> L\u00e1\u00a0no <em>Times<\/em> a gente n\u00e3o tem hora. Eu costumo chegar umas\u00a09h30, mas\u00a0a gente\u00a0est\u00e1\u00a0sempre trabalhando. Logo quando acordo, antes mesmo de escovar meus dentes, eu checo minhas mensagens e a\u00ed j\u00e1 come\u00e7a.\u00a0No dia a dia, eu passo toda a minha programa\u00e7\u00e3o para minha editora, do caf\u00e9 da manh\u00e3 com a fonte, at\u00e9 o hor\u00e1rio que vou levar minha filha para tomar vacina. E esses planos sempre mudam, porque no Jornalismo a vida \u00e9 imprevis\u00edvel. Quanto \u00e0s pautas, no meu caso, 95% das mat\u00e9rias que eu cubro s\u00e3o ideias minhas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>ID 126<\/em> &#8211; Como se d\u00e1 o processo de apura\u00e7\u00e3o e reda\u00e7\u00e3o no<\/strong><strong> <em>The <\/em><\/strong><strong><em>New<\/em><\/strong><strong><em> <\/em><\/strong><strong><em>York Times<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernanda &#8211;<\/strong> Eu me sinto uma privilegiada porque trabalho em um jornal que tem recursos que fico at\u00e9 envergonhada em falar.\u00a0A gente tem um banco de dados \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o em que eu consigo o telefone de quase todo mundo nos Estados Unidos, at\u00e9 quem n\u00e3o tem telefone listado. Tenho acesso a n\u00fameros de celular, endere\u00e7os, telefone de vizinhos, parentes. \u00c9 o mesmo banco de dados que as empresas de cart\u00f5es de cr\u00e9dito usam. Isso \u00e9 vendido e o jornal compra. Temos tamb\u00e9m uma equipe de bibliotec\u00e1rios. S\u00e3o tr\u00eas pessoas cuja especialidade \u00e9 pesquisar para as mat\u00e9rias mais elaboradas. No mais, a apura\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 o velho bloquinho e caneta. Ainda \u00e9 e sempre vai ser do jeito que era quando o jornalismo foi criado. P\u00e9 no ch\u00e3o e gastar sola de sapato.\u00a0No <em>Times<\/em> temos um limite de 1.100 palavras, mat\u00e9rias que tenham mais que isso t\u00eam que ter autoriza\u00e7\u00e3o dos editores-chefes do jornal.<\/p>\n<p><strong><em>ID 126 <\/em>&#8211; <\/strong><strong>Como os rep\u00f3rteres est\u00e3o trabalhando com a converg\u00eancia no <\/strong><strong><em>The <\/em><\/strong><strong><em>New<\/em><\/strong><strong><em> <\/em><\/strong><strong><em>York Times<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernanda &#8211;<\/strong> O\u00a0<em>New<\/em><em> <\/em><em>York Times<\/em> vem distribuindo para os reportes\u00a0iPhones\u00a0para que eles gravem clipes e fa\u00e7am o\u00a0upload para colocarem no site. Mas nem tudo se conduz\u00a0\u00e0\u00a0multim\u00eddia. A ideia do multim\u00eddia n\u00e3o \u00e9 replicar, \u00e9 voc\u00ea acrescentar, oferecer algo a mais. Esse \u00e9 o grande desafio. Voc\u00ea pode ter uma mat\u00e9ria maravilhosa, mas que n\u00e3o se encaixa em um componente multim\u00eddia. Mas se voc\u00ea chega\u00a0em\u00a0um jornal achando que s\u00f3 vai escrever mat\u00e9ria, mude de trabalho.<\/p>\n<p><strong><em>ID 126 <\/em>&#8211; <\/strong><strong>Voc\u00ea acha que o diploma de Jornalismo \u00e9 fundamental para a profiss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernanda &#8211; <\/strong>Voc\u00ea n\u00e3o precisa estudar Jornalismo para ser jornalista. Eu estudei Publicidade. Voc\u00ea pode usar os conhecimentos que obteve em outra especializa\u00e7\u00e3o para fazer jornalismo. Claro que quem vem de uma Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o j\u00e1 teve um contato com a pr\u00e1tica, est\u00e1 dois passos \u00e0 frente de algu\u00e9m que venha de outra \u00e1rea. Por outro lado, algu\u00e9m que tenha se formado em Medicina e consiga explicar o tema de forma clara para o leitor, para aquele que n\u00e3o sabe nada do assunto, tem vantagem se quiser trabalhar na editoria de Sa\u00fade, por exemplo.<\/p>\n<p><strong><em>ID 126 <\/em>&#8211; <\/strong><strong>J\u00e1 que voc\u00ea acredita que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio o diploma para a profiss\u00e3o, o que \u00e9 preciso para ter um bom jornalista?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernanda &#8211; <\/strong>Mente aberta \u00e9 o primeiro pr\u00e9-requisito. O segundo \u00e9 ler. \u00c9 com a leitura que voc\u00ea pode enriquecer o seu texto.\u00a0Al\u00e9m disso,\u00a0\u00e9 importante que o jornalista conhe\u00e7a idiomas e possa viajar. A experi\u00eancia de vida \u00e9 uma das coisas mais importantes para que possa absorver o mundo \u00e0 sua volta e ter um olhar cr\u00edtico dos acontecimentos.\u00a0Outra coisa \u00e9 a capacidade de aprender um assunto muito r\u00e1pido. Os jornalistas geralmente t\u00eam o perfil de estudar um assunto por tr\u00eas horas e parecer que estudaram a vida inteira.<\/p>\n<p><strong><em>ID 126 <\/em>&#8211; Voc\u00ea defende um texto jornal\u00edstico que conte uma hist\u00f3ria, onde a informa\u00e7\u00e3o seja passada atrav\u00e9s da realidade de um personagem que esteja inserido naquela situa\u00e7\u00e3o. Essa forma de escrever afasta o Jornalismo de alguma forma do conceito de objetividade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernanda &#8211; <\/strong>Narrar uma hist\u00f3ria n\u00e3o significa que voc\u00ea esteja narrando de acordo com a sua vis\u00e3o de mundo. Voc\u00ea vai narrar aquilo que voc\u00ea viu. O jornalismo narrativo, para mim, \u00e9 o futuro do Jornalismo. \u00c9 o que faz da mat\u00e9ria ser restritiva, no sentido de interessar ao p\u00fablico a que ela est\u00e1 destinada e, ao mesmo tempo, ser aberta, contando uma hist\u00f3ria, mantendo a integridade do Jornalismo. O que n\u00e3o pode \u00e9 fazer com que o leitor leia 500 palavras para descobrir porque est\u00e1 lendo aquela mat\u00e9ria, mas voc\u00ea pode contar isso sem comprometer a objetividade. O jornalismo narrativo n\u00e3o \u00e9 pessoal, opinativo, em que voc\u00ea se coloca na mat\u00e9ria.\u00a0Isso \u00e9 coluna.<\/p>\n<p><strong><em>ID 126 <\/em>&#8211; Qual o limite entre contar hist\u00f3rias, emocionar e n\u00e3o ser sensacionalista?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernanda &#8211; <\/strong>\u00c9 n\u00e3o exagerar. Um exemplo: voc\u00ea sai daqui\u00a0e v\u00ea um carro que caiu numa vala. Todo mundo sobreviveu, n\u00e3o aconteceu nada. Voc\u00ea pode chegar\u00a0em\u00a0casa e dizer assim: \u201cP\u00f4, peguei um engarrafamento porque um carro caiu em uma vala, mas\u00a0ninguem\u00a0se\u00a0machucou\u201d. Ou voc\u00ea pode dizer: \u201cRapaz, um carro caiu num\u00a0val\u00e3o, o esgoto tava subindo, a mulher se salvou\u00a0por pouco, quase n\u00e3o se afogou\u201d.\u00a0Voc\u00ea pode contar a mesma hist\u00f3ria das duas maneiras. A sobriedade, no sentido de contar a hist\u00f3ria sem exagerar, \u00e9 o mais importante. A emo\u00e7\u00e3o, se ela existe na mat\u00e9ria que voc\u00ea est\u00e1 cobrindo, pertence \u00e0 mat\u00e9ria, \u00e0 hist\u00f3ria, mas\u00a0da\u00ed\u00a0voc\u00ea deduzir que certas express\u00f5es faciais correspondem a uma emo\u00e7\u00e3o sem ter certeza, a\u00ed est\u00e1\u00a0sensacionalizando.\u00a0Voc\u00ea pode incluir o choro, a alegria, as emo\u00e7\u00f5es no seu texto sem ser sensacionalista, relatando o que aconteceu. Sensacionalismo \u00e9 exagero.<\/p>\n<p><strong><em>ID 126 <\/em>&#8211; Ent\u00e3o voc\u00ea acha que o jornalismo americano investe mais nas hist\u00f3rias e<\/strong><strong> <\/strong><strong>no Brasil se faz um<\/strong><\/p>\n<div class=\"mceTemp\">\n<dl id=\"attachment_5138\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 356px;\">\n<dt class=\"wp-caption-dt\"><strong><a href=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/032_28112011_0262.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5138  \" title=\"032_28112011_0262\" src=\"http:\/\/impressaodigital126.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/032_28112011_0262.jpg\" alt=\"\" width=\"346\" height=\"231\" srcset=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/032_28112011_0262.jpg 640w, https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/032_28112011_0262-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 346px) 100vw, 346px\" \/><\/a><\/strong><\/dt>\n<\/dl>\n<\/div>\n<div class=\"mceTemp\">\n<dl id=\"attachment_5138\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 356px;\">\n<dd class=\"wp-caption-dd\">Quem \u00e9 mais ou menos \u2018caf\u00e9-com-leite\u2019, como se diz, engana, porque a\u00ed vai depender de onde voc\u00ea vem, de onde voc\u00ea estudou, de onde voc\u00ea morou. A\u00ed voc\u00ea vai ser \u201cmais ou menos negro\u201d<\/dd>\n<\/dl>\n<\/div>\n<p><strong> jornalismo \u2018declarat\u00f3rio\u2019?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fernanda &#8211; <\/strong>Exatamente.\u00a0Muito objetivo. A no\u00e7\u00e3o da objetividade aqui \u00e9 diferente. Voc\u00ea pode ser t\u00e3o objetivo quanto ao retratar o drama do cotidiano. O dia a dia das pessoas. Objetividade n\u00e3o significa ser seco, distante. O distanciamento ocorre quando voc\u00ea n\u00e3o coloca suas opini\u00f5es na mat\u00e9ria, mas as melhores mat\u00e9rias na minha opini\u00e3o s\u00e3o as que me transportam ao local do acontecimento. E essas mat\u00e9rias s\u00f3 transportam\u00a0o leitor\u00a0ao local quando o jornalista se permite transportar,\u00a0estar\u00a0naquele local. \u00c9 dizer o tom do vermelho da terra que desmoronou em um deslizamento de uma enchente, sabe? Esses s\u00e3o os detalhes que voc\u00ea conta para quem n\u00e3o estava l\u00e1 pra ver, \u00e9 o servi\u00e7o que presta ao leitor, de ver e entender o que aconteceu.<\/p>\n<p><strong><em>ID 126<\/em> &#8211; Existe diferen\u00e7a entre a cobertura jornal\u00edstica brasileira e a do<\/strong><strong> <em>The<\/em> <\/strong><strong><em>New<\/em><\/strong><strong><em> <\/em><\/strong><strong><em>York Times<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernanda &#8211; <\/strong>Eu sinto uma frustra\u00e7\u00e3o muito grande quando leio um jornal daqui\u00a0da Bahia, do Rio ou de S\u00e3o Paulo\u00a0e vejo que\u00a0eles n\u00e3o captam a verdadeira\u00a0beleza ou verdadeiro drama\u00a0do que \u00e9 ser brasileiro. Eu acho que a gente\u00a0tem uma vis\u00e3o muito\u00a0elitista\u00a0no jornalismo brasileiro.\u00a0L\u00e1, no <em>Times<\/em>, a gente tem uma preocupa\u00e7\u00e3o de ser um jornal que\u00a0tamb\u00e9m retrate\u00a0a vida de quem n\u00e3o \u00e9\u00a0leitor do jornal, mas que \u00e9 um personagem da vida da cidade. \u00c9 o que falta aqui.\u00a0A\u00ed voc\u00ea olha\u00a0pra televis\u00e3o e se pergunta\u00a0por que\u00a0tem tanto jornalista branco no telejornal baiano, n\u00e3o d\u00e1 pra entender.<\/p>\n<p><strong><em>ID 126<\/em> &#8211; Voc\u00ea acha que esse seu olhar humano contribuiu para a forma\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernanda &#8211; <\/strong>Muito. E eu s\u00f3 passei a ver mais quando sa\u00ed daqui.\u00a0A pobreza no Brasil em geral, mas em Salvador, \u00e9 muito mais vis\u00edvel. Em Nova York, o pobre tem uma casa em um conjunto habitacional, n\u00e3o tem favela, n\u00e3o tem invas\u00e3o como aqui ou no Rio. O Complexo do Alem\u00e3o \u00e9 uma das favelas mais perigosas e est\u00e1 na sa\u00edda do aeroporto. No geral, voc\u00ea tem essa viv\u00eancia aqui da pobreza que \u00e9 muito mais parte do cotidiano do que \u00e9 em Nova York ou em outras partes dos Estados Unidos. N\u00e3o tem como ignorar, n\u00e3o tem como fugir, n\u00e3o tem como negar que ela existe. Agora, voc\u00ea pode escolher n\u00e3o olhar para a pobreza. O risco \u00e9 voc\u00ea se acostumar tanto com a pobreza que voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea mais.<\/p>\n<p><strong><em>ID 126 <\/em>&#8211; Existe alguma t\u00e9cnica ou forma para se contar essas hist\u00f3rias?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernanda &#8211; <\/strong>Eu acredito que o jornalismo tem os cinco sentidos. Eu costumo perguntar muito: \u201cO que voc\u00ea viu? O que voc\u00ea escutou? Qual cheiro que tem?\u201d.\u00a0Quando aconteceu o furac\u00e3o\u00a0Katrina\u00a0(2005), o que mais marcou pra mim\u00a0foi o cheiro. Era uma coisa indescrit\u00edvel, era como o cheiro de lixo, da\u00a0comida que\u00a0fica\u00a0dias exposta e apodrece.\u00a0Agora imagina uma cidade inteira com esse cheiro. O leitor n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1, mas voc\u00ea\u00a0tem o poder de transport\u00e1-lo para esse lugar.<\/p>\n<p><strong><em>ID 126<\/em> &#8211; Como \u00e9 que voc\u00ea lida com o sonho de estar no <em>The<\/em><\/strong><strong><em> <\/em><\/strong><strong><em>New<\/em><\/strong><strong><em> <\/em><\/strong><strong><em>York Times<\/em> e o desejo de voltar para o Brasil, de estar perto da sua fam\u00edlia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernanda &#8211; <\/strong>Chega um momento que voc\u00ea avalia o que \u00e9 mais importante pra voc\u00ea. \u00c9 o que eu venho me perguntando agora: \u00c9 mais importante pra\u00a0mim\u00a0ser jornalista e ser convidada pra fazer uma palestra porque sou jornalista do <em>New York Times<\/em> ou chegar do trabalho, colocar a chave, abrir a porta e me sentir em casa?\u00a0Por mais que eu\u00a0goste de morar em Nova York, que eu esteja adaptada,\u00a0l\u00e1\u00a0n\u00e3o \u00e9 minha casa. Nova York \u00e9 uma cidade do mundo, n\u00e3o \u00e9 de ningu\u00e9m.<strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong><em>ID 126 <\/em>&#8211; Vivemos<\/strong><strong> <\/strong><strong>aqui no Brasil<\/strong><strong> <\/strong><strong>um momento em que exaltamos em todos os notici\u00e1rios o desenvolvimento da economia, da inser\u00e7\u00e3o do Brasil no contexto internacional e, quando<\/strong><strong> <\/strong><strong>surgem<\/strong><strong> <\/strong><strong>not\u00edcias negativas relacionadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o,<\/strong><strong> <\/strong><strong>s\u00e3o sempre mascaradas ou transmitidas para a popula\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de in\u00fameros dados e estat\u00edsticas. Como noticiar<\/strong><strong> <\/strong><strong>e retratar<\/strong><strong> <\/strong><strong>essa<\/strong><strong> <\/strong><strong>realidade<\/strong><strong> <\/strong><strong>do sistema educacional brasileiro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernanda &#8211; <\/strong>Os dados n\u00e3o contribuem em nada! E sabe\u00a0por\u00a0que? A maioria dos jornalistas daqui, assim como eu, estudaram em escolas particulares. Voc\u00ea n\u00e3o tem a perspectiva da educa\u00e7\u00e3o a partir de um jornalista que veio de uma escola p\u00fablica. Agora\u00a0est\u00e3o\u00a0come\u00e7ando\u00a0a formar alguns\u00a0gra\u00e7as ao sistema de cotas, mas ainda s\u00e3o muito poucos. Isso\u00a0dentro de uma faculdade onde\u00a0a miss\u00e3o\u00a0\u00e9 beneficiar aqueles que n\u00e3o podem pagar. \u00c9 a\u00ed que come\u00e7a a diferencia\u00e7\u00e3o e, ao contrario dos Estados Unidos, onde a escola particular \u00e9 para o rico, aqui o ensino particular \u00e9 para a classe trabalhadora, porque ningu\u00e9m quer colocar seu filho no col\u00e9gio p\u00fablico. E n\u00e3o adianta dados do Enem ou\u00a0do\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.pisa.oecd.org\/\">Pisa<\/a><\/em> (Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Alunos) que apontam melhoras. Isso n\u00e3o \u00e9 representativo da realidade de\u00a0um\u00a0Ciep\u00a0(Centros Integrados de Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica) no morro no Rio de Janeiro. As oportunidades que essas crian\u00e7as v\u00e3o ter no futuro s\u00e3o muito menores do que\u00a0a crian\u00e7a crescida em uma escola particular. E nada vai mudar se n\u00e3o melhorar a qualidade do ensino p\u00fablico.\u00a0O Brasil pode crescer o quanto for, mas vai continuar sendo um pa\u00eds de grandes diferen\u00e7as, de muitos pobres e poucos ricos, cada vez mais pobres e menos\u00a0ricos e cada vez os ricos mais ricos<em>.<\/em><em> <\/em>Nunca vai mudar se n\u00e3o mudar a qualidade de ensino de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. O interessante \u00e9 que nos Estados Unidos a escola p\u00fablica \u00e9 o grande equalizador. Essa constru\u00e7\u00e3o de que\u00a0todos somos\u00a0iguais, j\u00e1 que todos estamos aqui na mesma sala de aula, cria uma sociedade mais saud\u00e1vel. \u00c9 um grande mito dizer que o Brasil \u00e9 uma democracia racial. Nesse pa\u00eds, por mais lindo que ele\u00a0seja,\u00a0n\u00e3o existe uma democracia racial. O negro, que \u00e9 negro mesmo, sabe que a democracia\u00a0ainda\u00a0n\u00e3o chegou\u00a0na\u00a0casa dele. Quem \u00e9 mais ou menos \u2018caf\u00e9-com-leite\u2019, como se diz, engana, porque a\u00ed vai depender de onde voc\u00ea\u00a0vem,\u00a0de onde voc\u00ea estudou, de onde voc\u00ea morou. A\u00ed voc\u00ea vai ser \u201cmais ou menos negro\u201d. Eu tor\u00e7o pra que o Brasil continue com o progresso e a estabilidade econ\u00f4mica, porque merece. Para que a classe C continue ascendendo, mas tor\u00e7o mais ainda para que quem esteja nas lideran\u00e7as municipais, estaduais &#8211; \u00a0porque tudo vem de baixo &#8211;\u00a0tome a decis\u00e3o de que o Brasil s\u00f3\u00a0vai ser pa\u00eds de \u201cprimeiro mundo\u201d\u00a0quando houver um investimento s\u00e9rio\u00a0a longo prazo\u00a0na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernanda Santos mora na cidade que nunca dorme e trabalha no peri\u00f3dico que \u00e9 uma das maiores refer\u00eancias de jornalismo no mundo. Em novembro, ela esteve na Facom e compartilhou com alunos e professores as suas experi\u00eancias na palestra \u201cA arma secreta do jornalismo que levo no meu cora\u00e7\u00e3o\u201d. 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