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“O pole dance te dará técnica para você aliar a sua sensualidade”

- 12/08/2013

A instrutora Erika Thompson desmistifica os estereótipos do pole dance fitness

Gabriela Cirqueira

Foto: Roberto Cunha

Erika Thompson/ Foto: Roberto Cunha

Há quatro anos, quando ensaiou os primeiros movimentos em uma barra de inox, a capixaba Erika Thompson não esperava se tornar uma das instrutoras da primeira academia de  pole dance de Salvador, a Academia de Pole Dance da Bahia. Longe dos estereótipos das performáticas dançarinas sensuais, a atleta é uma das 18 classificadas para o campeonato brasileiro de pole dance, que acontecerá em São Paulo. Em entrevista ao Impressão Digital 126, Erika fala sobre os benefícios da atividade para o corpo e autoestima de quem o pratica.

Impressão Digital 126: Quais são as principais diferenças do pole dance como atividade física e como dança performática?
Erika Thompson: Toda diferença do mundo, pois sensualidade não é algo que você aprende. O pole dance te dará técnica para você aliar a sua sensualidade. Não gosto de trabalhar o pole dance sensual, porque não é o tipo de linha em que o público permanece. Se você vem apenas pela dança sensual terá o treinamento básico e será o suficiente. Eu procuro pessoas que querem fazer o pole, como atividade física, que irão se apaixonar pelo esporte, que continuarão para chegar no nível avançado. A principal diferença das modalidades é essa, uma é mais simples e a outra muito mais complexa.

ID 126: Desde quando o pole dance vem ganhando espaço como atividade física?
ET: O pole dance possui três origens: A primeira é o mallakhamb, uma atividade indiana para lutadores realizada em um tronco de madeira, a mais antiga das três. A segunda é o mastro chinês do circo. Não tenho certeza sobre o surgimento desta. E então, o pole dance de boates. O pole dance atualmente é uma mistura destas três modalidades. É mais praticado por mulheres, que pensam prontamente no lado sensual da atividade. Fazemos muitas acrobacias do mastro (chinês) e mallakhamb. Só que o pole como praticamos aqui na academia, na barra de inox, proporciona maior liberdade de movimentos que no mastro, por este ser emborrachado, o que não nos possibilita realizar giros, além de alguns movimentos machucarem muito.

ID 126: É uma atividade majoritariamente feminina, então? Você já recebeu homens com interesse em participar?
ET: Semana passada, recebi o campeão brasileiro sul-americano, Carlos França, ele já trabalhou com mastro (chinês) e com circo. E sim, os homens procuram, mas ainda existe um preconceito. Sempre que eu conto que tenho um aluno praticando, a primeira pergunta das alunas é “Ele é gay?” (risos), e eu digo “Claro que não”. Eu acho que sou a professora do Brasil que tem mais alunos heterossexuais, pois tento comunicar de uma forma para que homens se interessem, que não vejam a atividade apenas com uma conotação de “dancinha”. Quero que as pessoas vejam o pole dance como esporte, que um homem pode praticar, uma menina, um adolescente, uma criança, qualquer pessoa. Se você se prende ao aspecto sensual, ou só a dança, você restringe muito isso. É uma atividade tão boa, tão completa, que traz tantos benefícios que eu quero que todo mundo faça.

ID 126: Há diferenças na evolução dos exercícios para homens e mulheres?
ET: São corpos diferentes, homens têm mais força que mulheres. Logo, muitos exercícios que são do início da atividade para meninas, para o cara (sic) será mais fácil. A mulher começa do básico, por ser mais bonito e feminino e também para ganhar força para o (nível) intermediário e avançado. Para os homens isso já não é tão interessante, então partimos logo para o nível intermediário, aproveitando alguns aspectos do básico.

ID 126: Em 2009 foi criada a Federação Brasileira de Pole Dance. Com o apoio da entidade houve maior abertura do mercado para o pole dance, principalmente na Bahia?
ET: A Federação e sua representante, Vanessa Costa, desenvolvem um trabalho muito bom de divulgação. Ela consegue colocar a atividade em um nível mundial. Ela criou um stand de pole dance dentro do Arnold Classic, uma das maiores feiras de fisiculturismo do mundo. Organizou a Pole World Cup, duas vezes, trouxe muitos atletas internacionais para cá. Está sempre na televisão, mídia em geral e isso é super positivo, traz uma visibilidade grande para o pole. O que faz as pessoas virem espontaneamente procurar a atividade, porque são informadas do que é.

Erika Thompson/Foto: Roberto Cunha

Foto: Roberto Cunha

ID 126: Você tem preparado alunas para campeonatos?

ET: Em setembro acontecerá o campeonato brasileiro de pole dance. A cada ano os campeonatos estão ficando mais profissionais, com regras mais rígidas. Até o ano passado não existia o processo de seleção por vídeos. Eu e Aisha Britto (também instrutora da academia) passamos nessa seleção, entre as 18, de 26 inscritas na categoria profissional. Este campeonato tem varias categorias, como amadora e em dupla. A etapa final será nos dias 27 e 28 de setembro, em São Paulo.

ID 126: Como foi feita a sua preparação para o nacional?
ET: Comecei a me preparar para o campeonato desde o inicio do ano. A inscrição era até o dia 30 de junho, quando tive que mandar o vídeo demonstrando os movimentos obrigatórios dos níveis 3, 4, e 5, que envolve força e flexibilidade. Em janeiro, eu não fazia 70% do que faço agora, o treinamento foi bem pesado. Consegui fazer uma preparação física com um personal trainer, que teve que estudar o pole dance para me preparar. Eu consegui um resultado muito bom. No geral é preciso ter uma preparação física, se alongar, treinar três vezes por semana, não mais do que isso para não atrapalhar o treinamento da coreografia, o que é mais difícil. Juntar os movimentos em uma coreografia é o mais difícil. Um já é difícil, aliar todos sem perder a beleza, a cara de diva, sem morrer (risos). É surreal. Mas conseguimos, graças a Deus!

ID 126: Irão participar do campeonato com auxílio de patrocinadores?
ET: Vamos sem patrocínio. O interesse do patrocinador é aparecer e o pole dance ainda está muito escondido. Por mais que venhamos conseguindo visibilidade, ainda não é uma atividade super popular como o MMA (Mixed Martial Arts). Um dia será, eu espero. Acredito que ganhando esse campeonato ou conseguindo uma classificação boa fique mais fácil para ter patrocínio para os próximos.

ID 126: Para quem deseja participar da atividade existe restrições?
ET: Nenhuma. A não ser que tenha um problema de saúde indicado pelo médico. Fora, isso não. O pole proporciona uma mudança corpo muito grande e rápida, é assustador! Tão inacreditável que fica difícil de te convencer que é verdade. (risos) E é uma atividade super divertida, que você faz e não sente que está malhando. Só no dia seguinte (risos). É como se estivéssemos em um parquinho de diversões. Sem a pressão de uma academia. Todo mundo fica amigo, em um ambiente divertido, um clima legal. As pessoas não querem ir embora.

ID 126: Além dessa mudança física, você percebe uma mudança na autoestima da alunas?
ET: Totalmente, eu tinha uma aluna com autoestima muito baixa, nenhuma experiência em dança, sedentária, que depois de pouco mais de um ano já está no meu nível. Eu, com quatro anos de pole, sinto dificuldades em criar uma coreografia no solo, e ela já consegue. Estuda, corre atrás, vê vídeos, cria coreografias bem bonitas. Ano passado competiu na categoria amadora, mas não conseguia expressar sentimento, víamos potencial nela e queríamos que ela colocasse pra fora. Hoje, não tenho outra expressão pra falar sobre o trabalho dela senão “UAU”, é impressionante a evolução. Já fez até minha mãe chorar dia desses (risos).

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