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Por uma vida mais saudável

- 11/09/2013

Em diferentes locais do planeta, pessoas se unem em prol de um dia-a-dia em equilíbrio com o meio ambiente 

Lorena Vinturini e Simone Melo

 

Estudiosos e ambientalistas já anunciaram que o modo de vida das sociedades contemporâneas se tornará insustentável para o planeta. A humanidade consome mais recursos do que pode repor.  Além disso, a rapidez dos acontecimentos cotidianos, o dia-a-dia nos engarrafamentos, a alimentação fast food, a violência e mais uma série de fatores da vida urbana tornaram vulneráveis os vínculos interpessoais nas metrópoles.

A ecovila de Findhorn, no Norte da Escócia, é pioneira em bioconstruções

Desde os 1950, época marcada pela Guerra Fria e pela ocupação do Vietnã, muitas pessoas começaram a perceber a incapacidade de seguir em frente com as premissas sociais estabelecidas. Era o início do movimento New Age, um oásis da liberdade, que culminou na formação de comunidades alternativas ao redor do mundo. A primeira ecovila a surgir nesse contexto foi Findhorn, no norte da Escócia, em 1962. A experiência rendeu frutos no Brasil e influenciou, por exemplo, a formação da comunidade Lothlorien, situada no Vale do Capão, na Chapada Diamantina, entre outras.

Criada em 1984, a comunidade Lothlorien durou dez anos e já não existe mais nos mesmos moldes. Atualmente, o local funciona como hospedagem e centro de cura, com terapias alternativas. Para Sônia Christophe, uma das fundadoras, aprender a respeitar o espaço do outro foi a maior lição da vivência. “Saber que não é a sua vontade que vai ser feita, mas é a vontade do todo, é muito importante”, diz. No mesmo período, conviveram mais duas sociedades alternativas no Capão – Rodas e Campinas – com as quais eram feitos rodízios. Apenas Campinas permanece até hoje com a mesma estrutura inicial.

Vivências – O desejo de conhecer um modo de vida diferente levou a estudante Gabriela Aparício, 22 anos, até a comunidade zen budista de Plumm Village, no interior da França. Durante o mês de julho, ela passou três semanas em um retiro com 50 monjas. “O que ficou muito claro para mim é como a nossa vida moderna na cidade é adoecedora”, opina Gabriela. “Percebi a necessidade de criar um espaço de troca e, ao mesmo tempo, de ocupação da cidade”.

O grupo de meditação acontece no segundo sábado e quarto domingo do mês em diferentes praças e parques de Salvador

Depois que retornou para Salvador, Gabriela decidiu criar um grupo para compartilhar os ensinamentos que recebeu e praticar a meditação andando e comendo. Os encontros são abertos e acontecem sempre no segundo sábado e no quarto domingo do mês, às 15h, em diferentes praças e parques da cidade.

No bairro de Patamares, outra iniciativa de integração espiritual, associada a uma vida em coletividade, tem chamado a atenção. Aberta desde maio, a Casa do Sol Dourado é uma comunidade urbana, que recebe visitantes para palestras, aulas de yoga, sessões de reiki, além de manter um projeto de educação livre. O modelo, inspirado na ecovila de Piracanga– que fica perto de Itacaré (sul da Bahia) -, é um grande desafio para os seus membros, justamente por terem optado por permanecer dentro da cidade. “Eu já tinha despertado para a possibilidade de viver em comunidade depois que li em uma pesquisa que um dos indicativos de felicidade era ter um grande amigo perto de casa”, conta Paulo Ivan, um dos fundadores. “Essa informação me fez refletir sobre como a organização em núcleos familiares é recente. Aconteceu basicamente no período pós-revolução industrial, como um modo de fomentar a produção e ter reserva de mercado”.

A casa do Sol Dourado oferece aulas de yoga, sessões de reiki, jornadas de autoconhecimento, atendimento terapêutico e palestras

Em diferentes localidades da América do Sul, outras experiências inspiradas em Piracanga também estão em processo de constituição. A previsão é que sejam formadas nove comunidades na Argentina, três em São Paulo, uma no Rio de Janeiro e uma no Uruguai.

Auroville – Outro exemplo bem-sucedido de criação social coletiva é Auroville, que existe desde 1968, no sul da Índia. Reconhecida e encorajada pela Unesco como um projeto de grande importância para a humanidade, a cidade abriga 2.200 pessoas de 45 nacionalidades diferentes, inclusive brasileiros.

Localizado no ponto central de Auroville, o Matrimandir é um edifício de significado espiritual para os praticantes do Yoga Integra e local de meditação

Os pilares que suportam a iniciativa são os ensinamentos do líder espiritual e yogue Sri Aurobindo. “Segundo Sri Aurobindo, a transformação espiritual de nosso tempo será coletiva. A humanidade deverá alçar-se, pouco a pouco, a uma vida mais consciente”, explica a brasileira Aryamani, que mora em Auroville há 34 anos. “Creio que esta busca de viver junto é uma indicação de que o ser humano começa a despertar para algo mais profundo”. Auroville também é visitada por muitos estrangeiros, que buscam refúgio, tranquilidade e ensinamentos espirituais, além de exportar biotecnologia, no uso de fontes alternativas de energia e manejo do solo.

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