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“Seria trágico se não fosse cômico”!

Rafaela Souza & Victor Fonseca - 03/07/2018

Ultimamente esse ditado popular não parece fazer muito sentido para os brasileiros, pois eles fazem questão de provar que uma coisa não elimina a outra através da produção de memes. Se é trágico, pode ser muito cômico, sim! No final de maio deste ano, os caminhoneiros pararam o Brasil com uma greve que durou mais de 10 dias. As cidades de todo o país ficaram desabastecidas, as rodovias foram bloqueadas, os combustíveis acabaram, o Estado decretou estado de emergência. O caos estava instaurado, mas, se teve um setor que não parou nessa época foi a produção de memes e piadas na internet. Enquanto Brasília pegava fogo e os caminhoneiros reivindicavam a redução do preço do combustível, a internet era invadida, com muita criatividade, pelos mais diversos memes relacionando os mais variados assuntos, que iam de conteúdos políticos a situações cotidianas.

Os memes sobre a greve circularam por toda a parte, de twitter a blogs, passando pelo Facebook e pelo WhatsApp. Um dos memes mais compartilhado na rede foi o “vou te levar para jantar em um lugar caro hoje”, onde há a foto de um casal em um jantar romântico e, ao fundo, um posto de gasolina. O usuário “ali” teve seu tweet compartilhado mais de 33.000 vez desde o dia 23 de maio de 2018, sedo que tem apenas 2.238 seguidores.

Outro conteúdo que viralizou na rede foi o vídeo feito pelo Dirceu Melo, postado na página do facebook da produtora Simples Media. O vídeo faz uma brincadeira misturando cenas das manifestações dos caminhoneiros em todo o Brasil com imagens do blockbuster da Marvel “Vingadores: Guerra Infinita“. O videomaker admite que não teve nenhuma pretensão quando fez o meme.

Segundo ele, a motivação surgiu depois que viu uma amiga compartilhando algo relacionado a política e os personagens do longa citado. “Eu estava num domingo à tarde navegando no Facebook até que uma amiga compartilhou um meme, que era uma montagem do cartaz do filme Vingadores: Guerra Infinita, com a foto de Michel Temer como Thanos, e o título Caminhoneiros: Greve Infinita. Achei a ideia engraçada e pensei ‘eu poderia fazer o trailer desse filme'”, relata.

 

O vídeo rapidamente repercutiu nas redes sociais, sendo visualizado mais de 5,4 milhões de vezes e alcançado mais de 201 mil compartilhamentos na página da produtora no facebook. A brincadeira também foi postada no canal do Youtube e teve  mais de 386 mil visualizações e 1,8 mil comentários. Dirceu não esperava que a intenção de fazer algo engraçado e compartilhar com seus amigos fosse render tanto.

O que começou como algo despretensioso, trouxe mais visibilidade para a Simple Media. Antes da brincadeira, a página oficial da empresa, que contava com um pouco mais de 300 curtidas, teve um crescimento instantâneo, batendo a marca de um pouco mais de 21 mil curtidas, tudo graças ao meme. Além disso, a repercussão gerou a contratação de Dirceu para novos trabalhos. “A visibilidade que o vídeo gerou trouxe contatos interessados em fechar alguns trabalhos e outros ainda estão em negociação”, comenta.

Com muitos elogios e expectativas por novas criações, depois do sucesso de Caminhoneiros: Greve Infinita, Dirceu lançou o Thor: Ragnakopa, em que mistura, novamente, cenas do filme da Marvel com os jogos da seleção brasileira.

 

É melhor mesmo rir do que chorar, não acha? Por isso separamos alguns dos melhores memes que circularam por aí durante a greve dos caminhoneiros. Confira!

 

Como tudo começou

Poucos sabem, mas a origem da palavra “meme” veio da biologia e surgiu em meados da década de 1970. Inicialmente, o conceito foi explorado pelo cientista britânico, Richard Dawkins, no seu best-seller “Gene Egoísta”, que o define como “uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros)”. No que diz respeito à sua funcionalidade, para o autor, o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se. Atualmente, o meme pode ser qualquer frase, imagem, gif, vídeo, música, personalidade, expressão ou outro tipo de elemento que rende interações na internet e que se torna viral muito facilmente nas redes.

Segundo o pesquisador e professor da Universidade Federal da Bahia, André Lemos, apesar do conceito biológico de replicação, os memes só viraram um fenômeno comunicacional graças a internet. Para ele, sem o espalhamento e disseminação dessas simbologias nas redes os memes não existiriam. Lemos acredita que a cultura colaborativa de se apropriar e colocar em circulação esses conteúdos é uma grande característica da liberação da emissão. “A possibilidade de qualquer pessoa poder compartilhar e até modificar, isso porque os memes se atualizam, é o que faz deles um fenômeno contemporâneo comunicacional interessante”, argumenta.

Quando se fala em produção de memes, o Site dos Menes é considerado um dos sites mais antigos especializados no assunto. Surgiu em 2012, e, ao longo desses seis anos, a página já alcançou mais de 1 milhão de curtidas e seguidores. Thiago Schwartz, um dos idealizadores do site, contou que a equipe conta com cerca de 20 pessoas, entre moderadores da página e criadores de conteúdo. Quanto aos “menes”, cada um faz do seu jeito. “Como a nossa página não tem um tema fixo, qualquer coisa pode ser uma inspiração”, completa.

 

Para além da greve dos caminhoneiros

A produção de memes no Brasil está relacionada aos momentos de crise. Além da recente greve, os memes acompanharam outros tantos fatos históricos da política do país, como o impeachment da presidenta Dilma, as operações da Polícia Federal Carne Fraca, Lava jato e a prisão de do ex-presidente Lula. Quem não lembra dos memes da Dilma Bolada, do “vomitaço”, da dancinha Fora Dilma e até mesmo do japonês da Federal?!

 

 

Há quem ache que tudo isso seja um descaso político, mas nesses memes compartilhados em tempos de crise há uma reflexão sobre a situação social e política do país. Por mais engraçados que sejam, há um “riso de nervoso” por trás desses memes. Para o pesquisador André Lemos essa é uma nova forma de fazer a crítica social ao caos instituído. “Estamos vivendo várias formas de participação, a rede exacerbou essa questão política e isso é algo positivo. Não temos necessariamente resultados concretos na realidade, mas a circulação das informações já é um instrumento político”, afirma.

O professor e pesquisador da Universidade Federal Fluminense e coordenador do site #MUSEUdeMEMES, Viktor Chagas, acredita que sempre que temos um acontecimento político-midiático em voga, a produção de memes sobre o assunto ganha destaque. No entanto, ele salienta que isso é também resultado de um aumento na cobertura midiática em torno do acontecimento.

Chagas dirige o #MUSEUdeMEMES, projeto universitário da UFF que surgiu em 2015. O webmuseu, além de servir como uma base de dados de memes brasileiros, também busca fomentar constantemente discussões acerca do assunto e a importância dos memes como parte da nossa cultura e da conversação cotidiana na internet. “A ideia do #MUSEU é ser também uma provocação sobre o lugar da cultura popular de internet, um questionamento sobre o papel dos museus e da memória popular”, acrescenta.

 

Quem é você na fila do “meme”?

O meme Nazaré Amarga foi o mais votado como favorito na pesquisa                                                    (Foto: Reprodução / Facebook)

 

De acordo com os dados obtidos a partir do questionário desenvolvido pela reportagem, a maioria dos consumidores de memes são jovens de 18 a 24 anos, o que corresponde a aproximadamente 77% do total. O questionário foi respondido por 234 pessoas, e buscou identificar, além dos consumidores de memes, os tipos de memes mais apreciados e aspectos de sua circulação na rede. A partir das respostas, constatou-se que a plataforma mais utilizada para conhecer memes é o Facebook (63,8%) e, em segundo lugar, o Twitter (17,7%). Em relação às dinâmicas de circulação, 50,9% dos internautas só curtem, 37,2% compartilham e 12% só observam os memes.

 

 

Outro ponto que vale ser ressaltado se refere aos assuntos de interesse na busca pelos memes. Segundo os entrevistados, quase 66% se interessam por conteúdos que tratem de temas da atualidade em geral, filmes e séries (14,1%), personagens (9,8%) e política (8,1%).

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