Imprensa baiana e jornalismo participativo: desconfiança e aposta
- 13/07/2011Aos poucos, os veículos de imprensa locais começam a perceber que o público-leitor também pode funcionar como importante correspondente
Por Felipe Campos
O uso do público como principal fonte de informação para o jornalismo na web já não é novidade há algum tempo. Com o advento de redes sociais mais dinâmicas na troca de informações e com a popularização dos smartphones qualquer leitor pode ser um camera man em potencial. Aqui na Bahia, os principais sites jornalísticos A Tarde Online, Correio24horas, iBahia e Bahia Notícias reservam um espaço específico de interação com o público e todos possuem perfis no Twitter.
“Com as possibilidades trazidas ou reforçadas pela Web 2.0, o público tornou‐se fonte de informação, muitas vezes noticiando antes dos veículos de referência. Basta um aparelho móvel conectado para que sejam publicados relatos por meio de vídeo, texto e fotos, direto do local dos acontecimentos. Diante desse contexto, a resposta mais comum das organizações jornalísticas tem sido a adoção de estratégias de abertura na produção dos conteúdos e de inclusão do público em suas coberturas noticiosas”, define a acadêmica Luciana Carvalho, em dissertação sobre “coberturas participativas” para o programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Levando isso em conta, o ex-editor coordenador do portal A Tarde, Felipe Barbalho, em um ciclo sobre jornalismo multimídia na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) comentou: “É inconcebível um jornalista hoje não ter um Twitter. Nem ao menos para acompanhar as coisas”.
Dos sites baianos, o Bahia Notícias (único em formato de blog) é o que mais aposta na apuração do público. Imagens e informações são comumente retiradas de perfis em redes sociais. “A grande questão é assumir como verdade algo não confiável. Independente da participação, é necessária a ‘malícia’ de um jornalista para saber com o que pode contar. Não é só ler uma coisa, dar o crédito e colocar lá. Tem que saber o que conta e o que não conta“, explica Evilásio Jr., editor do site.
Outros exemplos do uso das redes sociais para relatar os fatos aconteceram recentemente em Salvador. Dois casos específicos também ajudam a definir o fenômeno cada vez mais presente nas redações: um alegado tiroteio em um shopping center e o roubo de um laptop no Campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
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