Quando o release vem de um perfil online
- 13/07/2011Relatos deixados em perfis de redes sociais podem dizer mais do que uma equipe inteira de assessoria de imprensa
Por Felipe Campos
Nas redações soteropolitanas, no dia 31 de janeiro, uma “nota quente” surgiu ao fim da tarde. Em um primeiro momento, chegou a informação de que um tiroteio ocorreu no Shopping Barra, um dos mais nobres da cidade. O estudante de Engenharia Civil, Edson Dantas, de 27 anos, através de smartphone colocou a primeira informação que desmentia o tiroteio.
“Eu botei no Facebook que tinha rolado um tiro no banheiro do shopping. Em seguida, um amigo meu que trabalhava no Correio (Correio24horas) me ligou e pediu mais informações. Eu mesmo conversei com o segurança e fiquei sabendo que se tratava de um policial e outro rapaz. Depois fiquei sabendo que o pessoal já estava falando em gente morta na escada rolante e tudo”, conta Edson.
Outro exemplo aconteceu quando um estudante do curso de Comunicação , Darlan Caíres, teve seu laptop roubado na faculdade, no dia 29 de setembro de 2010. Imediatamente, o assunto foi posto no Twitter por seus colegas que reclamavam da insegurança no campus. Através do seu contato no Facebook, Darlan também fez seu desabafo e relatou que tinha ido à delegacia, à prefeitura do campus e que não tinha sequer conseguido fazer um boletim de ocorrência. Foi como se um release do fato caísse no colo do jornalista que cobria o assunto – caso soubesse como chegar até Darlan pelas redes sociais.
Para aqueles repórteres mais antigos que torcem o nariz para o compartilhamento de informações via web, a mestre em Comunicação Midiática pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Luciana Carvalho, em sua dissertação de mestrado, lembra o atual momento de transformações por qual o meio passa.
“Difundir e transmitir são verbos da era de massa que parecem ficar cada vez mais no passado, dando lugar a outros mais adequados à mídia social, como conversar, compartilhar e interagir. De qualquer modo, ainda é cedo para sabermos a fórmula ideal desse novo jornalismo, se é que essa fórmula existe”, define.
É nesse atual momento que a imprensa baiana se encontra. Sem um horizonte definido, os veículos online começam a experimentar os benefícios de ingressar em redes sociais durante a apuração. Sem um norte definido, nem uma base de estudo concreta, os veículos vão tentando se adaptar ao novo jornalismo do século XXI.
Aquele em que a informação já está quase sempre dada, cabendo ao profissional saber separar o joio do trigo e fazer de um emaranhado de comentários, a apuração de onde existe o valor noticioso.
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