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“QVP” e “Na Mira” comandam grade jornalística da TV Aratu

- 06/06/2011

Casemiro Neto fala sobre sua passagem do telejornal de bancada para o jornalismo popular. Produções acirram disputa com os programas da emissora concorrente, a TV Itapoan

Por Bruna Rocha e Josiane Guimarães

A TV Aratu, afiliada do SBT, possui em sua programação diária, dois programas da linha do jornalismo popular, o “Que Venha oPovo” (QVP) e o “Na Mira”. “Que Venha o Povo” está há mais de três anos no ar, é exibido de segunda a sexta-feira, das 12h às 13h. Atualmente, o programa conta com três equipes de reportagem, três produtores e dois editores.

O diretor e apresentador, Casemiro Neto, falou sobre sua adaptação ao jornalismo popular quando assumiu o programa. Após atuar, durante anos, como apresentador dos telejornais da Rede Bahia e, por consequência, ter sua imagem de jornalista configurada junto com a própria ideologia da emissora, assumiu que teve dificuldades para encarar a mudança.

“No início, eu estranhei bastante. Não me sentia à vontade, me sentia um pouco como um peixe fora d’água”, explicou se referindo, principalmente, à linha editorial do programa, a qual classificou como “menos limitada” do que a do telejornalismo de bancada.

Veja o trecho da entrevista:

De acordo com o apresentador, embora as notícias de polícia alcancem picos maiores de audiência, por terem um impacto maior na sociedade, o programa consegue abrir o leque para outras editorias que sejam também de interesse do seu público, como serviço e entretenimento. Exemplo disso é o quadro ‘desaparecidos’, no qual o programa abre um espaço na rua para as pessoas poderem mostrar imagens de entes, com o paradeiro desconhecido e fazer um apelo para localizá-los. Esse quadro foi trazido por Casemiro da sua antiga emissora, a TV Bahia.

O quadro tem grande repercussão popular e serve para exemplificar o caráter assistencialista dos programas populares que, de acordo com Casemiro Neto, “é um caminho natural do jornalismo”, dado o “interesse do povo”. Segundo Casemiro, a noção de objetividade que ainda paira sobre as produções jornalísticas é substituída, nesses programas, por uma parcialidade, que vai em defesa do povo.

Bianca Ribeiro – Produtora do Que Venha o Povo Por Josiane Guimarães

Na entrevista, a produtora do “QVP”, Bianca Ribeiro, falou de como a repercussão das notícias aumenta depois dos comentários ao vivo de Casemiro, assim como a audiência. “Casemiro é um formador de opinião muito forte”, comenta Bianca.

O apresentador concorda, ao dizer que a sua opinião pesa mais agora, não só com os telespectadores, mas com políticos e representantes de instituições.

Segundo o apresentador, a repercussão das notícias é medida não somente pelos números do Ibope, os quais preferiu não citar, como também pode ser observada, em tempo real, através dos recursos de interatividade com os telespectadores, como o e-mail do canal interativo, hospedado dentro do portal da televisão, o Aratu Online.

Segundo Casemiro, alterações inesperadas nas edições, como a repetição de matérias ou ao contrário, quando uma matéria produzida não vai ao ar, quase sempre são demandadas pelo próprio público.

Nas segundas e quartas-feiras, o programa abre um espaço para comunidades carentes, onde o repórter Zé Bim visita algum bairro popular da cidade para que a população faça pedidos ao vivo no programa. Entretanto, nesses quadros, não é o programa que dá o que o público pede, mas sim, faz um intermédio entre o pedinte e a instituição ou pessoa que se disponibilize a ajudar.

Enquanto o “Que Venha o Povo” tenta variar sua linha editorial, o “Na Mira” assume a posição de ‘jornalismo policial’. As notícias são pautadas sempre pela rotina da polícia baiana. O programa se configura como uma extensão do órgão na televisão, constituindo uma parceria mútua de troca de informações.

As equipes do “Na Mira” acompanham operações policiais e dão preferência a homicídios. No discurso proferido, diariamente, pela apresentadora Analice Salles, o programa tem intenção de mostrar aos jovens o que acontece com quem se envolve no mundo do crime.

“Desmistificar aquela imagem que tinha que a Polícia não era cidadã, e sim violenta” é o que Analice afirmou ser a missão do programa, desde o seu surgimento.

Para tanto, o “Na Mira” se utiliza de imagens fortes, de alto teor apelativo para impressionar e capturar a atenção do seu público-alvo. Veja trecho do programa, exibido em março de 2011, sobre operação da Polícia Militar para captura de um traficante conhecido por Côco.

Graduanda em Direito pela Universidade Católica do Salvador, a apresentadora atribui a atuação do programa a uma lacuna de eficiência nas políticas de segurança pública. “O sistema penal deve ser revisto pelo Código Civil Brasileiro”, diz Analice que comenta ainda sobre a violência na juventude, e aponta que o “Governo não se preocupa com isso”.

Ouça o trecho da entrevista:

 

Entrevista analice salles by impressão digital 126

Analice Salles - Apresentadora do Na Mira / Foto Divulgação

Analice foi repórter do programa “Que Venha o Povo”, em 2008, antes de assumir o “Na Mira”, que até então era apresentado por Uziel Bueno. No papo com o Impressão Digital, ela contou sobre a experiência que teve no jornalismo tradicional, na TV Oeste, onde exerceu papel de repórter, produtora e editora.

A apresentadora ressaltou o quanto o jornalista multimídia é importante para o mercado atual. Analice usa o twitter pessoal para captar fontes. Segundo ela, os fãs mandam sugestões de pauta e fazem denúncias por Direct Messages (DM), com medo de retaliação.

 

 

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