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A segurança trouxe o quê?
- 21/11/2011Após a chegada da Polícia Militar, o dia-a-dia dos moradores mudou e as mortes acabaram. Quais outras melhorias chegaram ao Calabar?
Por Gabriel Simões e Lucas Albuquerque
A Base Comunitária de Segurança (BCS) está instalada no mesmo prédio onde já existia a sede da Associação de Moradores do Calabar. Já funcionavam nesse local o cursinho pré-vestibular da comunidade, o Conselho Tutelar e o Núcleo de Mediação de Conflitos – ambos liderados por Ciba. Esse núcleo serve para a resolução dos mais variados conflitos, desde o desentendimento entre vizinhos até a definição de horários e regras para o acontecimento de eventos. “A nossa comunidade é muito organizada e politizada. Qualquer tipo de problema que a gente tem é resolvido na base da conversa, a gente se organiza pra facilitar as reivindicações”, relata Ciba, principal líder da associação de moradores. O Calabar também já tinha, desde 2006, uma biblioteca em funcionamento, que conta com um acervo de mais de 6.000 livros e cerca de dez empréstimos por dia.

Gilson Magalhães, mais conhecido como Ciba, é o principal líder da Associação de Moradores do Calabar. Foto: Lucas Albuquerque
Com a instalação da base, foi criado o Centro Digital da Cidadania (CDC), uma iniciativa da Secretaria de Ciência Tecnologia e Inovação (Secti) em parceria com a associação de moradores, que tem o objetivo de ensinar conceitos básicos de informática para pessoas de todas as idades e também funciona no prédio da BCS. As aulas são ministradas por dois moradores da comunidade e três policiais da base, o primeiro ciclo de aulas começou em julho e já formou 120 alunos. O projeto conta com dez computadores e, fora do período de aulas, funciona como lan house aberta aos moradores, que podem entrar e usar a internet quando quiserem. O soldado da PM, Renan Sant’Ana, ministra aulas no CDC e pontua como isso é importante para a integração entre polícia e comunidade: “Falando como professor, eu converso com as pessoas e percebo que elas estão satisfeitas. A cada dia que passa, a interação com a comunidade fica melhor. Antes [da implantação da base] os moradores não tinham um local equipado com computadores, por exemplo. Eles percebem que a gente veio para ajudar”.

Sala de informática do Centro Digital da Cidadania, que funciona no prédio da base da PM. Foto: Lucas Albuquerque
Além da tão sonhada tranquilidade, a pacificação do Calabar tornou possível a efetivação de ações que antes não tinham como chegar até a comunidade. É o caso, por exemplo, do projeto de redução de custos que a Coelba implementa em comunidades de baixa renda, no qual materiais recicláveis são trocados por descontos nas contas de luz. Além da Coelba, a operadora de telefonia Vivo também trouxe a sua contribuição, abrindo uma loja autorizada dentro do bairro, onde se pode fazer recarga, resolver problemas e adquirir produtos. A empresa também inaugurou uma sala de cinema, a primeira do Calabar, com filmes constantemente em cartaz.
Outra ação educativa foi a VIII Semana de Ciência, Tecnologia e Inovação, ocorrida no dia 17/10 e realizada pela Fiocruz em parceria com a Secti. O projeto visa a instrução de crianças e jovens sobre cuidados com a saúde, higiene pessoal e ações diárias de prevenção contra parasitoses. Além disso, o Grupo Axé teve a possibilidade de estender seu trabalho na comunidade, educando jovens que ficavam com muito tempo ocioso nas ruas. Vale ressaltar que antes da instalação da base, a ação desse grupo era restrita a crianças até oito anos, pois muitas crianças mais velhas já estavam, desde cedo, a serviço do tráfico. Ciba confirma essa melhoria na perspectiva educacional dos jovens da comunidade, mesmo que de forma gradativa: “Temos quatro jovens que eram diretamente envolvidos com o tráfico e que agora estão estudando, com seu caderninho na mão”.

Crianças aprendendo como evitar parasitoses na VIII Semana de Ciência, Tecnologia e Inovação, uma iniciativa da Fiocruz junto à Secti. Foto: Lucas Albuquerque
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