Conexões Wireless em Salvador

- 13/12/2011

Enquanto muitas cidades brasileiras popularizam a internet sem fio, a capital baiana ainda dá passos lentos no esforço de ampliar esse tipo de acesso

Por Gabriel Simões e Lucas Albuquerque

Na capital baiana existem incontáveis pontos domésticos nas áreas residenciais, mas estes são, quase em sua totalidade, trancados com senha. O estudante de Direito, Daniel Veiga, conta que antigamente deixava a conexão sem fio da sua casa aberta. “Eu não trancava a conexão para que as visitas ficassem à vontade, e também os vizinhos conhecidos, caso precisassem em algum momento. Mas não foi o que aconteceu. “Os vizinhos começaram a usar apenas a minha internet para não pagarem, e aqui ficou muito lento, então eu coloquei senha”, conta ele, explicando que não pôde prosseguir com a idéia inovadora que tinha de que todos pudessem liberar suas redes sem fio. Além desse motivo, muitos se preocupam com a segurança de suas redes. “Alguém pode invadir minha conexão e assim ter acesso aos arquivos pessoais nos meus computadores”, relata o engenheiro Antonio Júnior, que trabalha on-line quando está em casa.

Créditos: www.paseoitaigara.com.br/

Porém, o grande fator de disseminação dos hotspots na capital baiana ainda é a iniciativa privada em estabelecimentoscomerciais. André Lemos, professor da Faculdade de Comunicação da UFBA e especialista em cibercultura, afirma que o poder público não participa de forma significativa na disseminação desse serviço. “Iniciativas do governo são muito poucas”, diz Lemos. Bares, cafés, livrarias e shoppings ofertam o serviço, geralmente gratuito, como “fator de distinção” para a clientela. Já o Shopping Paseo, no Itaigara, oferece conexão sem fio desde 2009. Luana Teles, gerente de marketing do shopping, diz que o motivo de proporcionar esse serviço é que o cliente se ambiente e fique cada vez mais à vontade no local. “O  intuito é oferecer todas as opções de entretenimento e lazer e  assim fazer com que eles [os clientes] percebam que aqui é a melhor opção para suas  compras”, revela Luana.

As iniciativas públicas nesse sentido, no entanto, são tímidas na capital baiana. Foi inaugurado em março deste ano o projeto Internet nas Escolas pela Companhia de Governança Eletrônica do Salvador (Cogel), empresa ligada à administração municipal que desenvolve as ações de tecnologia digital da prefeitura. ss) das  O projeto tem como objetivo oferecer internet sem fio nas escolas municipais. De acordo com a Assessoria de Comunicação da prefeitura, foram beneficiadas dez escolas do Subúrbio Ferroviário. Há também, desde 2010, o Carnaval Digital. Através de 50 antenas de rádio, é oferecido aos profissionais de imprensa, bem como aos foliões acesso gratuito à internet por uma senha distribuída pela Cogel. Os bairros de Cajazeiras, Paripe, Centro e Imbuí possuem, cada um, uma praça que dá acesso Wi-Fi num raio de 1,5 km.

Totens na Av. Garibaldi e Av. Centenário, respectivamente. Fotos: Lucas Albuquerque

Totens – Através da Superintendência de Controle e Uso do Solo do Município (Sucom), órgão da prefeitura que ordena o uso de espaços públicos, foram licitados e instalados 62 totens que, além de terem indicadores de Fator de Proteção Solar (FPS), relógios e câmeras, oferecem também conexão Wi-Fi. De acordo com a Assessoria de Comunicação da Sucom, quando o serviço de internet sem fio não está funcionando, a empresa responsável, Central de Mídia Salvador Ltda, desliga e liga novamente o aparelho e resolve a situação. No entanto, o que se percebe é que muitos não têm sinal ou, se têm, não conectam.  Além disso, esses totens se concentram na orla da cidade e em bairros nobres, como Ondina, Garibaldi e Centenário, onde falar em inclusão digital não faz tanto sentido.

 

A prefeitura tem demonstrado algumas ações, apesar de poucas, no sentido de modernizar Salvador ampliando o acesso à internet para os cidadãos. Porém, a capital baiana ainda engatinha no quesito tecnologia digital em comparação a outras cidades do Estado, como Camaçari e Madre de Deus.  E não é por falta de tecnologia ou mão de obra. “Infraestrutura técnica já existe, o que falta é vontade política”, afirma André Lemos.

 

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