Brasil perdendo os fios
- 13/12/2011O país conta com alguns exemplos de cidades com grandes zonas de acesso gratuito à internet, como São Paulo e Rio de Janeiro
Por Gabriel Simões e Lucas Albuquerque
Enquanto Salvador parece engatinhar quando se trata de zonas de acesso Wi-Fi gratuito, muitas cidades brasileiras apresentam aumentos consecutivos nos números de instalações das torres geradoras de sinal para internet em larga escala – conhecidos como hotspots de Wi-Fi. E isso vem acompanhando o aumento do uso da web pela população brasileira, principalmente nas capitais e cidades do interior do Sul e Sudeste do país, muitas dessas com cobertura integral da área.
De acordo com dados contidos no ranking feito pelo site JiWire o qual possui um sistema de localização global de pontos Wi-Fi, em 2011, o Brasil conta com um total de 4.051 hotspots (instalados tanto por empresas particulares quanto pelos projetos estatais) de Wi-Fi, sendo 2.487 deles localizados no estado de São Paulo. O segundo estado da lista é o Rio de Janeiro, com apenas um quinto do primeiro colocado: 463 pontos. Seguem o estado do Paraná e o Distrito Federal, com 157 e 151 hotspots, respectivamente.
Na cidade do Rio de Janeiro, os hotspots instalados pela prefeitura estão espalhados pela orla do Leme ao Leblon e nas avenidas Brasil e Presidente Vargas. De acordo com os dados da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio, o projeto Rio Estado Digital é acessado diariamente por 27 mil usuários, dos quais quatro mil são simultaneamente. O projeto também contempla as favelas da cidade, como o Morro Santa Marta, Rocinha, Cidade de Deus e Cantagalo. Vale ressaltar que a conexão no Morro Santa Marta, por exemplo, teve a melhor avaliação na sondagem feita pela reportagem de O Globo publicada em 28/05. Em contraposição, o acesso à internet nos pontos da orla e nas avenidas Brasil e Presidente Vargas é lento e complicado – também de acordo com matéria de O Globo – seja por oxidação das antenas e falta de sinalização – é o caso dos hotspots da orla – ou por deterioração, como aconteceu com metade das torres distribuídas ao longo da Avenida Brasil.
Acesso expandido – Além do uso da internet proporcionado pelas torres de Wi-Fi, observa-se também um aumento significativo na utilização da rede nas residências e ambientes de trabalho. Segundo pesquisa feita pelo Ibope Nielsen Online, o acesso à internet em qualquer ambiente (domicílios, trabalho, escolas, lan houses ou outros locais) atingiu 77,8 milhões de pessoas no segundo trimestre de 2011. Esse número é 5,5% superior ao do segundo trimestre de 2010 e 20% maior que o do segundo trimestre de 2009.
Do total de 61,2 milhões de pessoas com acesso no trabalho ou em domicílios, 45,4 milhões foram usuários ativos em agosto de 2011, o que significou um crescimento de 1,2% em relação ao mês anterior, e de 9,2% na comparação com os 41,6 milhões de agosto de 2010. O tempo de uso do computador com internet também continuou crescendo e chegou a 69 horas por pessoa em agosto, representando um aumento de 6,4% em relação ao mês anterior.
Ainda assim, quando comparado aos países da Europa, à China e aos Estados Unidos, o Brasil ainda está só começando. Enquanto aqui no país contamos com um total de apenas 4.051 hotspots de Wi-Fi, o Reino Unido, líder do ranking feito pelo site JiWire nada a braçadas com 181.583 hotspots. Ocupam a segunda e terceira colocações os Estados Unidos e a China, com 109.488 e 102.388, respectivamente.
Cidades digitais – O Brasil, mesmo que de forma incipiente, tem várias cidades (interioranas na maioria das vezes) que apresentam casos notáveis de promoção do acesso livre à internet em larga escala. A maioria delas implementou o projeto conhecido como Cidade Digital, que envolve a instalação de uma estrutura de rede digital e de facilidades computacionais para prover redes e sistemas para uso local.
O projeto da Cidade Digital tem duas formas de implementação. Uma serve para interligar através de redes digitais todos os prédios e sistemas do governo local para reduzir a burocracia e aumentar a oferta de serviços públicos à população. Essas redes permitem o acesso à internet generalizado para o governo e para as escolas públicas locais. A outra consiste na iniciativa do governo local em oferecer acesso à internet de forma gratuita ou com custo baixo para a população através de telecentros e da oferta de acesso residencial.
Normalmente esse acesso se estende também às escolas públicas locais. O Brasil conta com mais de 60 cidades beneficiadas com esses serviços de sistematização da inclusão digital, com diversas formas de aplicação e abrangência. A tecnologia sem fio é um dos grandes focos desses projetos, já que ela facilita o acesso por prescindir de cabos e segue a tendência dos aparelhos eletrônicos de virem com antena Wi-Fi embutida.
Confira na tabela a seguir o número de cidades com projetos bem sucedidos, organizadas por estado. Observa-se que a instalação de Cidades Digitais se concentra massivamente nos estados do Sul e Sudeste. Enquanto isso, o Nordeste conta com apenas sete cidades contempladas. Dentre elas, as cidades baianas de Madre de Deus, Paulo Afonso e Camaçari.
| Estados | Número de cidades |
| São Paulo | 14 |
| Rio de Janeiro | 10 |
| Rio Grande do Sul | 8 |
| Paraná | 8 |
| Minas Gerais | 7 |
| Santa Catarina | 3 |
| Bahia | 3 |
| Ceará | 2 |
| Sergipe | 1 |
| Alagoas | 1 |
| Espírito Santo | 1 |
| Amazonas | 1 |
Fonte: www.guiadascidadesdigitais.com.br
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