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Ser otaku é muito kawaii*!

- 14/12/2011

A saga dos otakus de Salvador

Por Edely Gomes e Marina Teixeira

Um otaku não nasce otaku. Ele se torna, cedo ou tarde, um admirador da cultura japonesa, seja por intermédio dos amigos ou devido a uma curiosidade que se estende à leitura de outros quadrinhos. Para alguns, é uma atitude que não se consegue definir – é ver o mundo por uma perspectiva otimista e divertida; ou, de uma maneira mais simples, gostar de elementos relacionados à cultura japonesa (games, animes, mangás e músicas) e não ter vergonha de mostrar essa paixão.

Naruto, um dos mangás mais famosos, atualmente, entre o público otaku. Imagem: MF Designer

Tudo começa com o traço, a página, o quadrinho. “Desde a época do primário eu já lia quadrinhos. Não eram os japoneses, mas lia gibis”, conta Alan Santos, 24 anos, formado em Educação Física e cosplayer (pessoa que participa de eventos fantasiada de um personagem oriundo de um desenho animado, história em quadrinhos ou video game) “Inicialmente Maurício de Souza e os da Disney; com o tempo, uns americanos como DC e Marvel e depois vieram os mangás.” A trajetória do estudante Gustavo Calmon, 20 anos, é um pouco diferente, mas chega ao mesmo ponto. “Comecei a ler (quadrinhos) em 2008, mas só mangás, por influência dos colegas. Eu leio só mangás, não gosto muito de quadrinhos”.

A diferença entre ser um mero leitor e consumir os produtos ligados aos animes e mangás favoritos é relevante. Os dois rapazes são aficionados por tudo que está ligado à cultura pop japonesa. “Acho que 50% das músicas do meu computador são de trilhas sonoras”, diz Alan, que também participa de concursos de karaokê de música do gênero (chamado animekê) e possui, no seu acervo, DVDs, camisas, acessórios e pôsteres dos animes de sua preferência. Gustavo também possui pôsteres e camisas que vão de Naruto até memes, mas quanto às trilhas, “tenho uma vontade absurda de comprar, mas como estamos em Salvador tudo é de dificil acesso”. Sobre a dificuldade em achar mangás e produtos relacionados a eles, Gustavo comenta que só chegam a Salvador os mais populares e sempre com atraso. Quanto a camisas, por exemplo, “como eu só compro em eventos, posso dizer que somos bem servidos”.

Vivendo o personagem – Alan Santos não é apenas um leitor. Ele também participa de eventos vestido como personagens de animes e videogames preferidos – um cosplayer. “Eu já tinha vontade de fazer cosplay antes mesmo de saber que isso era cosplay”, diz ele. Mas foi em 2007, no Anibahia, realizado em Salvador, que ele decidiu participar caracterizado. “Não ficou bem como eu queria, porque eu não tinha experiência e a costureira também nunca tinha feito nada do tipo… Pelo menos as pessoas reconheceram o personagem”, completa.

No Anibahia daquele ano, Alan participou do concurso de cosplays, em grupo, apresentando o game “The King of Fighters”, com alguns problemas. “Duas pessoas esqueceram os movimentos e não improvisaram naquele momento. Daí tentamos reverter o processo, mas ficou muito evidente. Porém, não paramos”, diz. Depois da primeira experiência, ele participou das edições de 2008 e 2010. “Em 2008 e 2010 não participamos em grupo, mas no Anipolitan de 2008 nós nos apresentamos no espaço do evento mesmo, porque alguns componentes não poderiam ficar até o horário do concurso, pois tinham compromissos”. Alan, individualmente, conseguiu participar no Anipolitan (realizado também em Salvador) do animekê  do evento e ficou em terceiro lugar.

Ele já levou títulos em eventos que ocorrem em Aracaju (SE) e Feira de Santana – na cidade baiana, ganhou na categoria desfile e individual livre. Porém, para Alan Santos, o prêmio mais importante foi o do Anipolitan realizado em outubro de 2011 concorrendo em dupla, onde se classificou para competir no Cosplay In Rio Show, evento que ocorreu no Rio de Janeiro em 15 de novembro, com o personagem Josh Stone, do game “Resident Evil 5”. Segundo ele, uma experiência muito boa, em que pôde conhecer excelentes cosplayers.

O curioso nessa jornada para o Rio foi que a classificação veio de forma inesperada. “Na seletiva que teve aqui, eu e o James (que fez dupla comigo), tentamos por tentar, porque não sabíamos que haveria essa seletiva… Só iríamos fazer cosplay, e fizemos faltando, acredito, uma semana e meia para o Anipolitan. Deu certo e fomos ao Rio de Janeiro. Só que lá teríamos que fazer os mesmos cosplay e os outros classificados para o evento já tinham feito as apresentações com planejamentos e tudo. Apesar das nossas ‘limitações’ em concurso, fomos bem e gostaram da nossa apresentação”.

Alan Santos encarna o personagem Kratos, do video game God of War, no AniBahia 2011. Foto: Cindy Orochi

*fofo; bonito

 

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