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Software descobre “erros” na teoria de computação musical
- 15/05/2012O Software MusiContour, desenvolvido na Escola de Música, investiga inconsistências na literatura de contornos melódicos.
Fernando Vivas
Outro software que está sendo desenvolvido pelo grupo Genos, o MusiContour, contempla uma área de atuação singular na computação musical: a análise automática de contornos melódicos.
Desenvolvidas desde 2007 por Marcos Sampaio, professor e coordenador do laboratório do Genos, as pesquisas sobre o uso de operações de contornos na composição musical ainda é um tema pouco explorado no mundo acadêmico.
“No Brasil, só tem mais uma pessoa trabalhando com essa teoria, é o [professor] Carlos Pires, no Pará”, explica Sampaio. E, continua, reforçando o aspecto restrito e desafiador do assunto: “ No mundo, devem ter apenas umas 30 publicações sobre contorno”.
As pesquisas foram iniciadas como a dissertação de mestrado de Sampaio na Emus, orientada por Pedro Kröger, fundador do Genos, e resultaram em uma composição para quinteto de sopros: “Em torno da romã, op.6”. Feita a partir de “combinações de operações de contorno com parâmetros como afinação, ritmo, densidade e textura”, como define em sua monografia.
Para auxiliá-lo nesse processo, o pesquisador, desenvolveu o software Goiaba, que, por sua vez, serviu de base para o atual MusiContour, programa que desenvolve desde 2010. E, mesmo identificando o uso do contorno em plataformas exploradas comercialmente como o Query by Humming (QbH), que permite encontrar um arquivo musical cantarolando trechos da melodia, Sampaio aposta na aplicação pedagógica do MusiContour. “Ao dar aula sobre um determinado acorde para violão, pode-se identificar rapidamente se aquela estrutura já foi utilizada, por exemplo, dentro do repertório de Tom Jobim”, explica.
A versão atual do software, que está baseada na plataforma Python, rendeu a Sampaio um novo projeto: a detecção de erros na análise das teorias de contorno usadas como parâmetros.
“Testando exemplos, encontrei uma inconsistência na teoria. Pensei que a falha fosse do meu programa, mas descobri que era do algoritmo fornecido pela literatura. Entrei em contato com os autores e foi confirmado o erro”, explica, fazendo referência às pesquisas publicadas pela Universidade de Rochester, em Nova Iorque, referência mundial no assunto.
Obras de compositores como Mozart, Schoenberg e Weber já foram examinadas pelo grupo de Rochester. Debruçar-se sobre elas, em busca de “equívocos” matemáticos é o tema de pesquisa de doutorado, também pela Emus, desse professor baiano de 35 anos que, há 17, trocou a Faculdade de Engenharia pela de Música.
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