Depois do sonho
- 04/02/2013Histórias de quem mudou o caminho e suas prioridades
Clara Marques e Sara Regis
Carlos Eládio é um daqueles roqueiros à moda antiga, “apenas rock e iê iê iê”, nunca tocou outro gênero. Teve a música como sua prioridade no início dos anos 1960, quando foi “embora para o chamado eixo Rio/São Paulo, pois não existiam condições locais para se tentar uma carreira artística/musical”. Iniciou seus estudos musicais tocando violino e, atendendo ao convite de Raul Seixas, tornou-se guitarrista, compositor, arranjador e vocalista do grupo “Raulzito e os Panteras”, que o acompanhou em seu primeiro álbum. Eládio ganhou “pouco dinheiro com a música e com o rock. Nunca foi o suficiente para viver só de música, mas garantiu a sobrevivência, durante um curto tempo”. A parceria com Raulzito acabou logo depois do lançamento do disco. Então, ele voltou para Salvador, no final dos anos 1960, e a música deixou de ser prioridade “por absoluta falta de condições de trabalho na Bahia”. Publicitário com experiência nas áreas de Marketing Político/Eleitoral e na elaboração e realização de eventos esportivos e culturais, fez carreira desenvolvendo projetos de Marketing Cultural para a Europa e Japão. Atualmente, sua pretensão “é viver de música, fora da Bahia”.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=f4U5EHE07gw]
Mauro Pithon foi vocalista da lendária banda “Úteros em Fúria”, um dos mais expressivos nomes do rock baiano dos anos 1990 e que influenciou diversos grupos importantes ainda atuantes no cenário. Depois do Camisa de Vênus, foi a primeira banda baiana de rock contratada por um selo fonográfico do Sudeste. Mesmo nos bons tempos da Úteros, nunca ganhou dinheiro suficiente com música e precisava manter outro emprego em paralelo. “Se eu quisesse ganhar dinheiro com a música teria que me moldar a fórmulas de mercado para agradar a um público mediano e politicamente correto”. Hoje, ainda gastando muito mais do que recebe com banda, Mauro encara o rock como um hobby e uma válvula de escape. À frente da Bestiário, segue lançando CD e fazendo shows. E mesmo tendo sua principal fonte de renda em um trabalho em outra área, mantém ainda o rock sempre presente em sua rotina. “Todo dia eu acordo, me olho no espelho e digo: good morning, rock n’ roll! Morrerei com o rock abraçado a uma garrafa de cerveja”.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=SXNp0Yjb3Gk]
Leia Mais
Dá pra viver de rock em Salvador?
Como “se viram” os músicos de rock de Salvador:
– Vivendo de sonho
– Em SP
– Jornada dupla
– Não só de banda, mas na música
– Ainda investindo
– Profissão: “gigueiro”
Depoimentos – como pensam estes músicos sobre:


