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A voz de quem acredita estar de fora da partida

- 21/11/2011

Alguns moradores do Subúrbio Ferroviário demonstram descrença quanto às melhorias em função da Copa para seus bairros

 

Por Daniela Pinocci e Vitor Andrade

 

"O Subúrbio é esquecido pelos políticos". Foto: Vitor Andrade

Para moradores de Plataforma e Periperi, ouvidos pela reportagem do Impressão Digital 126, os únicos bairros da cidade a serem contemplados com melhorias por causa do evento organizado pela Fifa são os do centro. “Eles vão procurar fazer melhorias pela Cidade Alta” diz Ana Souza, que mora em frente à linha do trem, em Plataforma. Para Valdir Matos, que vive há 70 anos no local, “os governantes só vão fazer melhorias na Pituba, Barra e em outros bairros do centro da cidade”.

Entretanto, a Prefeitura está promovendo fóruns com moradores dos bairros populares soteropolitanos para saber quais são suas expectativas sobre o impacto do legado da Copa. Em Periperi, o primeiro encontro entre os representantes municipais e os moradores do bairro ocorreu no dia 22 de outubro. Na ocasião, habitantes do local puderam explicitar seus anseios. Um dos pontos abordados foi o estádio de Periperi,  reapropriado pelo município após ter ido a leilão. Os moradores cobraram maior iniciativa do governo que ele fosse revitalizado, a fim de servir como local de treinamento para uma das 11 seleções que jogará na cidade. Porém, segundo Nilton Júnior, mobilizador social da comunidade, os representantes da Prefeitura saíram da reunião apenas com as propostas e nada foi efetivamente resolvido.

Assim como o arquiteto e professor da UFBA, Marcos Rodrigues, Nilton Júnior não acredita que a Copa seja feita para quem mora nos bairros periféricos, mas sim,  para os turistas. “Não vejo interesse dos governantes em nos beneficiar, eles só estão de olho no dinheiro”, afirma o morador, que vive há 40 anos no local. Também preocupada com o gasto do dinheiro público, Jéssica Barbosa, que mora em Alto de Coutos e trabalha em Plataforma questiona: “Os investimentos vão ser até a Copa. E depois da Copa?”.

Passando pela São João – Segundo Zenildes Cruz, moradora de Plataforma, o único atrativo que o

Ponte São João, interditada desde 2010. Foto: Vitor Andrade

local tem a oferecer aos visitantes, é a vista do trajeto do trem pela enseada de Itapagipe: “Depois que reformarem a ponte [São João] os turistas podem até querer passear de trem”.

Zenildes se refere à ponte São João, que faz parte da linha férrea Calçada-Paripe e está interditada desde meados de 2010 por oferecer riscos de trafegabilidade. A primeira etapa de sua reforma está quase concluída, que foi a concretagem das colunas submersas para enchimento dos pilares novos e perfuração, a partir da rocha, de sete a oito metros abaixo do nível do mar. Na segunda etapa está prevista a substituição de toda a estrutura metálica da ponte.

Desde a interdição pela Prefeitura, foi interrompida a circulação de trens nesse trecho. O transporte de moradores é feito gratuitamente por micro-ônibus, do Terminal Marítimo de Plataforma até a Estação do Lobato.

 

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