Ainda investindo

- 04/02/2013

Histórias de quem ainda gasta mais do que ganha em um trabalho autoral

Clara Marques e Sara Regis

Foto: Divulgação

Eric Assmar se dedica à profissão de músico e ao mestrado também em Música. O guitarrista se divide, principalmente, entre a banda cover Cavern Beatles e o seu trabalho autoral à frente do Eric Assmar Trio, no qual assume também os vocais. Ele pretende conseguir viver da sua carreira solo no futuro, mas por enquanto ainda tem a sua principal fonte de renda com o trabalho cover e algumas gigs. “O momento agora para o Trio tem sido de investir, e o que tem entrado de dinheiro está sendo um retorno dos investimentos. Banquei a produção do disco sozinho, com dinheiro meu e com a ajuda de amigos queridos e, sem dúvida, o enorme apoio e o talento do meu pai [o também guitarrista Álvaro Assmar]. Ganho dinheiro e vivo de música com outros trabalhos, o que me coloca em uma posição um pouco menos desconfortável com relação a isso”.

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Foto: Divulgação

Edu Nunez, formado em Administração e em Direito e com MBA em Finanças, abandonou o escritório de advocacia quando decidiu que queria viver apenas da sua carreira musical. Ainda este ano, se muda para São Paulo para lançar seu primeiro disco e se juntar ao grupo de artistas soteropolitanos que tentam a sorte por lá. “São Paulo é mais central, tem a possibilidade de ir pra outros lugares perto, como Minas e Curitiba, e até pra voltar pra Salvador fica fácil”. Edu, que hoje está interessado em tocar apenas o que gosta, já viveu de rock durante um tempo, mas fazia cover também. “Tocando só música autoral é muito difícil, acho que ninguém vive tocando só isso aqui. Acho que ninguém se considera bem remunerado no cenário de rock, ainda mais na parte autoral. Eu nem cheguei ainda na fase de remuneração, estou na fase de investimento”.

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Foto: Arquivo Pessoal

Davi Mignac é oceanógrafo graduado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e faz mestrado na mesma área. Mas também encara a sua banda Gepetto como uma atividade profissional. Formado em 2011 e ainda em estágio de divulgação do seu trabalho, o grupo, muitas vezes, chega a tocar de graça ou ganhando muito pouco. Os músicos investem mais do que recebem com a banda principalmente na área do audiovisual, produzindo clipes. Davi reconhece a dificuldade de se fazer rock por aqui, ainda mais para a sua banda, que tem influências de Muse, Radiohead e Incubus. “A gente coloca elementos em nosso som que são novos aqui no cenário. É difícil fazer música autoral em Salvador e tocar rock. Eu acho que, em outras cidades, poderíamos ter uma resposta melhor, como em São Paulo, por exemplo”. Mas, mesmo assim, ele acredita que ainda é cedo para pensar em mudar de estado e arriscar a carreira lá fora. “Ainda estamos numa fase de buscar reconhecimento em Salvador e na Bahia, a banda precisa ter uma resposta primeiro na cidade de que vale a pena confiar no trabalho e seguir em frente”.

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