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Aline Amado apresenta a acroyoga e o tecido como formas alternativas de exercício
- 12/08/2013Atividades que envolvem o universo artístico do circo surgem como modalidade de exercício
Karen Monteiro

Aline Amado é professora de tecido e uma das coordenadoras dos treinos de acroyoga/Foto: Eduardo da Costa Gonzalez
Amante das artes e do circo, Aline Amado é formada em Arquitetura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), mas nunca exerceu a profissão. Há dois anos e meio, ministra aulas de tecido circense no Centro Cultural do Bispo, no Centro Histórico de Salvador, e há cerca de sete meses coordena treinos de acroyoga todos os domingos, na Praia do Buracão no Rio Vermelho. Em entrevista ao Impressão Digital 126, Aline, que atualmente estuda Dança na UFBA, desmistifica as atividades que aparecem como novas formas de exercício.
Impressão Digital 126: O que é a acroyoga?
Aline Amado: Acroyoga agrega movimentos de yoga, acrobacias e massagem thai, na qual os movimentos são realizados por no mínimo três pessoas: o portô, que fica por baixo portando o voador ou volante, o componente que fica por cima fazendo as acrobacias; uma terceira pessoa que chamamos de anjo da guarda, que é o que está encobrindo tudo para não deixar que ninguém se machuque.
ID 126: Como se iniciou o projeto para os treinamentos de acroyoga?
AA: Em janeiro, o instrutor de acroyoga colombiano Juan Aho trouxe para cá, uma oficina de acroyoga, da qual eu participei. Todas as pessoas que participaram gostaram muito, e como aconteceu uma afinidade grande no grupo, resolvemos continuar a treinar. Marcamos sempre aos domingos, na praia do Buracão, no Rio Vermelho. A gente tem um núcleo mais assíduo, mas também recebemos pessoas de fora que querem conhecer e é assim que o grupo se mantém, com a participação de pessoas interessadas que estão na praia e resolvem participar.
ID 126: Há profissionais de acroyoga em Salvador? Como vocês desenvolvem a atividade?”
AA: Como a acroyoga não é uma aula, é um treino, não existe hierarquia, nem professor. Chegamos lá, escolhemos alguém para conduzir o treino, para que o grupo não dependa só de uma pessoa para desenvolver os treinos. Utilizamos um livro deixado por Juan, Acroyoga Flight Manual, de Jason Nemer & Jenny Sauer-Klein, como base para evoluir os movimentos. Eu não sou professora de acroyoga, muito menos mestre de yoga. O que acontece é um interesse mútuo de todas as partes de querer aprender e dominar uma prática que não existe em Salvador.
ID 126: Quais são os benefícios que a atividade proporciona?
AA: A acroyoga exige uma sintonia muito boa entre o portô e o volante, se um faz algo que tá fora do tempo, fora da sincronia, reverbera no outro e desorganiza o movimento. É uma coisa de sentir muito o outro, exige uma reciprocidade contínua. A gente tem que estabelecer uma relação de confiança enorme no outro. Muita gente chega de primeira e não confia, temos que tentar estabelecer essa relação aos poucos, primeiro realizando movimentos mais simples, fazendo o outro entender que pode, para depois ir progredindo. A acroyoga ainda proporciona uma consciência corporal incrível, da mesma forma que o tecido também traz. Conhecer o seu corpo no sentido de acionar certa musculatura para alcançar o movimento desejado. Ganho de resistência e musculatura.
ID 126: Como é feita a evolução dos exercícios?
AA: Eu trabalho com progressão de exercícios, vou evoluindo de acordo com o condicionamento físico que a pessoa apresenta. Começamos com posições mais leves e até com um nível mais baixo de altura, pra depois ir subindo. A altura depende muito da confiança da pessoa. Eu tenho blocos de aprendizagem, começo com o que eu julgo mais fácil e vou progredindo de acordo com a evolução do aluno.
ID 126: Quais são as diferentes nuances do tecido circense?
AA: Depende de como ele trazido para os alunos. Você pode encontrar vários lugares, até mesmo aqui em Salvador, onde o tecido aparece como uma atividade física. Eu faço aula de dança e trago o tecido em uma abordagem mais contemporânea, acrescentando também elementos da dança e da acroyoga. Eu não costumo planejar as minhas aulas, primeiro analiso o perfil dos alunos para, a partir dai, desenvolvê-las.
ID 126: Quais são os principais benefícios da atividade para o corpo e autoestima?
AA: O tecido não é só ganho de musculatura, resistência, flexibilidade e agilidade, é também ganho de confiança, de segurança, perda de medos. Você acessa caminhos de sensibilidade do aluno que outras atividades não permitem alcançar. A gente percebe quando a pessoa é insegura, quando a pessoa é tímida, tem travas, medos. Eu tento destrinchar isso e ver o aluno além do movimento dele. Como eu trago muita dança, no sentido de fluidez mesmo, elas deixam passar muito isso e com o convívio elas vão se soltando, vão se descobrindo. Elas passam a ver a atividade sobre outra perspectiva.
ID 126: Existe algum tipo de contraindicação?
AA: Qualquer um pode fazer. Geralmente quem procura a minha aula são pessoas que nunca tiveram nenhum tipo de contato com o tecido e que não são artistas. Eu acho bem bacana, porque eles conseguem entrar nessa atmosfera da arte. As contraindicações aparecem apenas para quem possui algum tipo de patologia, o que dificulta a realização de alguns exercícios. Já outros a pessoa pode fazer, mas sem manter.
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