Tags:Cidade Bicicleta, Sistema Cicloviário de Salvador
Ciclismo em Salvador – desafios e perspectivas
- 31/10/2011Salvador conta com apenas 20 km de ciclovias, quantidade que a Conder pretende aumentar dez vezes até a Copa de 2014
Por Edely Gomes e Marina Teixeira
Maria Zilda tem 58 anos e passou quase uma década indo e voltando de bicicleta para o trabalho. Sempre que podia, ela utilizava as ciclovias, mas quando não havia espaços exclusivos, se sentia segura indo pelas ruas. Sem se preocupar, ela pedalava pelo meio dos carros, “pois os motoristas respeitavam os ciclistas, minha filha”. Maria Zilda nasceu em Salvador, mas esta história não acontece na capital baiana e sim em Valência, na Espanha. O caso de Maria Zilda pode parecer uma realidade distante, mas um dos projetos de mobilidade urbana pensados para a Copa promete colocar Salvador na rota do desenvolvimento.
Iniciativa da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), com foco específico nos veículos não motorizados, o projeto Cidade Bicicleta nasce com o objetivo de apresentar aos municípios uma contribuição na discussão da mobilidade urbana. No Brasil, há uma valorização muito forte do automóvel como meio de transporte individual em detrimento de outras modalidades de transporte coletivo. A bicicleta vem ocupando este espaço em países desenvolvidos como alternativa de circulação na cidade. Segundo Itamar Kalil, coordenador do projeto, esta é uma alternativa segura, econômica, ambientalmente sustentável, saudável.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=ULqI39HL8DQ]
Circuito leve ou pista de obstáculos – Hoje em dia, andar de bicicleta em Salvador pode ser um passeio agradável se o circuito escolhido for o do trecho da orla que vai da Praia de Jaguaribe até a Amaralina, ou um verdadeiro esporte radical, se o ciclista optar por trafegar nas principais avenidas da cidade. Esporte este que Raimundo Alves, autônomo, não tem vontade de aderir. Sem condições de comprar um carro, ele depende de transporte público para ir da Estação Mussurunga ao centro todos os dias.
No entanto, Raimundo não vê a bicicleta como alternativa para chegar ao trabalho. Para ele, este é um “transporte muito arriscado, pois, se os carros não respeitam um ao outro, vão respeitar a bicicleta? Aí fica difícil”. Para que um dia Raimundo possa ir ao trabalho sem medo, vias exclusivas para os ciclistas precisam ser construídas.
Continue lendo:
Caminhando para o futuro (na velocidade de uma tartaruga)

