Educação musical

- 12/06/2011

Jovens e experientes têm visões contrastantes sobre a educação formal em música

Por Rafael Brandão

Rafael Cardoso, 21, cursava História, na Universidade Católica do Salvador (UCSal). Mas abandonou o curso ainda no primeiro semestre: percebeu que a sua grande paixão era a música.

“Minha família foi contra, mas eu percebi que não adiantava ficar remando contra a maré, meu ‘negócio’ é a música mesmo”, conta. Hoje, ele se prepara para prestar o próximo vestibular da Universidade Federal da Bahia (UFBA) com o objetivo de ingressar no curso de Música Popular.

O jovem diz que pretende conciliar a sua paixão pela arte com a exigência de possuir um diploma universitário. “A sociedade exige que você se forme. No meu caso, acho que nem precisava, porque não quero ser músico erudito”, declara. A perspectiva de Rafael, segundo a qual não é necessária a incursão em curso superior para ter uma plena formação como músico, é polêmica, mas bastante disseminada.

Para Rowney Scott, safoxonista e coordenador do curso de Música Popular da UFBA, a amplitude da formação que o ambiente universitário tem capacidade de proporcionar ao aluno é algo importantíssimo. “O músico deve receber também uma formação humanística, para ter noção da realidade ao seu redor e acoplar isso à sua arte. Senão, há perigo de alienação”, afirma.

Rowney diz acreditar que o momento atual é um dos melhores já vividos pelo panorama da educação na área de música em Salvador. “A diversidade de opções de formação é algo muito positivo. Estamos vivendo um contexto muito estimulante para os educadores!”.

Heinz Schwebel, músico e diretor da Escola de Música da UFBA, concorda com Rowney em relação a avaliar o contexto atual como estimulante – mas acrescenta que ele é também desafiador. “A estrutura educacional como um todo apresenta sérios problemas”, afirma. Quanto á importância da passagem pela Universidade, Heinz diz acreditar que é absolutamente fundamental para algumas especialidades. “A teoria musical avançada, a musicologia e a educação musical são os exemplos mais óbvios disso.”

O músico e diretor afirma que a enorme quantidade de músicos profissionais competentes que não passaram por ensino formal é um indicativo de que a formação pode ocorrer também fora do ambiente educacional – mas que isso não deve ter influência decisiva na compreensão geral da relevância da educação em música. “Armandinho talvez seja o maior exemplo local disso. Mas Armandinho é genial, e o gênio, por ser exceção, nem sempre é o melhor exemplo”, ilustra.

Leia a entrevista completa com Heinz Schwebel

Para o estudante Gabriel Knoedt, que está concluindo um Bacharelado Interdisciplinar em Artes e planeja trabalhar na área de educação musical, o estudo contínuo é imprescindível para a plenitude da formação do músico.

“Para ser um artista consciente da sua arte e não elaborar coisas alegóricas nem efêmeras, acho que se deve cursar sim, dentro da universidade, a graduação, o mestrado etc. Estudar, estudar e estudar, sempre! É assim que o profissional vai se formando e o ser humano vai se descobrindo ao longo da caminhada”, declara.

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