Espaço para a diversidade
- 12/06/2011Apesar da força da cena musical predominante, as diferenças encontram seu lugar em Salvador
Por Rafael Brandão
Rowney Scott, saxofonista e coordenador do curso de Música Popular da Escola de Música (Emus) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), atua na área de música há quase 30 anos.
Para ele, a força da indústria que fomenta as produções artísticas predominantes em Salvador dificulta o desenvolvimento de outros formatos que não estejam alinhados a seus domínios. Neste grupo de marginais, ele aloca aquelas que prezam por valores como autenticidade, experimentalismo estético e criatividade.

“Para produções diferentes, temos que contar com iniciativas públicas de políticas culturais que dêem suporte a essas outras vertentes de criação. Os editais públicos têm ajudado bastante, mas ainda é pouco diante da força da indústria do Axé Music”, afirma o saxofonista.
Durante a sua carreira, Rowney tem tido participações em diversas iniciativas no sentido de fomentar a produção e a divulgação de formatos musicais que encontram pouco espaço nas grandes mídias.
Ele diz que não se trata de rejeitar ou condenar a música que predomina, mas buscar alternativas a um cenário onde a indústria fomentadora produz um cerco à diversidade. “O que temos que fazer é parar de reclamar, botar a mão na massa e produzir!”, opina.
Gabriel Knoedt, 20, é estudante do Bacharelado Interdisciplinar (BI) em Artes, da UFBA, e pretende ingressar, após a conclusão do BI, na Licenciatura em Música da mesma universidade para dar continuidade à sua formação.
Ele diz acreditar que é uma questão elitista apontar o dedo para a cena da mídia massiva e dizer que ela não presta, pois quem faz isso estaria apenas querendo se diferenciar. “As diferenças são tão presentes quanto a massividade. Acho que essa história é mais uma questão identitária do que artística”, opina.
E comenta que, em defesa dos que se identificam com a diversidade, por traz dos panos de Salvador existe um cenário alternativo muito diverso, que funciona bem e traz trabalhos interessantes. “É só ir ao centro da cidade, sair pra curtir um choro, um samba de raiz, se bobear encontramos uns caras loucos tocando instrumentos diferentes, fazendo um jazz por aí”.
Contudo, ele afirma que o espaço ocupado “pelo axé, pelo pagodão, pelo arrocha e tal” acaba invadindo o lugar de outras culturas importantes. “Não há mais procura e nem incentivo de se levar até a população certas culturas, e o que justifica esse sério problema é a lógica do mercado”, avalia.
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