Essência da prática jornalística continua a mesma

- 11/06/2011

Estudantes devem perseguir a formação em distintas linguagens, conhecer e dominar as ferramentas tecnológicas

Por Edna Matos e Thaís Caribé

A segunda edição do Ciclos de Jornalismo atraiu um público de mais de cem pessoas, ao auditório da Faculdade de Comunicação. Como uma atividade de extensão permanente da Faculdade de Comunicação da UFBA, o ciclos é coordenado pela professora Lia Seixas e pela jornalista Iloma Sales, editora Mobi, grupo A Tarde. Como no primeiro ciclos, que discutiu o jornalismo popular (03/11/2010), o de abril reuniu pesquisadores, profissionais e estudantes para debater os desafios trazidos pelo jornalismo multimídia para a profissão.

Evolução tecnológica, redes sociais, internet, convergência midiática são termos da moda no jornalismo e que têm tirado algumas horas de sono de bons profissionais. Toda esta discussão sobre evolução tecnológica não é nova na profissão, que é conhecida por estar em constante mutação. Giácomo Mancini, gerente de Jornalismo da Rede Bahia e responsável pelo G1/Bahia, lembra que o jornalismo sempre esteve associado à tecnologia, do telex à internet. “É preciso sempre estar ligado na modernização”, aconselha Giácomo aos futuros jornalistas. Essa opinião reforçada pela professora de Jornalismo Digital da Facom/UFBA, Suzana Barbosa. Para ela, “o jornalismo não prescinde de tecnologia”. O que parece assustar é que com a internet, publicar e divulgar informações deixou de ser prerrogativa apenas do jornalista, por isso, ela ressalta que “os jornalistas precisam construir uma nova identidade profissional”.

Mesmo assim foi consenso entre os debatedores Giácomo Mancini, Suzana Barbosa, Daniel Senna (Agecom/Secom) e Felipe Barbalho, então editor do A Tarde Online, que a essência da prática jornalística continua a mesma. Decidir o que é notícia, o que é de interesse público e tem relevância ainda é tarefa do jornalista. “Com o excesso de informação disponível na rede onde todo mundo publica, quem é que vai separar o que é notícia e o que é interesse (pessoal)? O jornalista” provoca Giácomo Mancini.

Afinal, o que é ser jornalista multimídia? Para Suzana Barbosa é ser multitarefa, polivalente, ou seja, “é o profissional capaz de elaborar notícias para diferentes suportes adaptando às linguagens de cada meio e de dominar cada uma das tecnologias empregadas neste processo”. Isso é o que ocorre, segundo Daniel Senna, na Agecom, atual Secretaria de Comunicação Social do Governo do Estado da Bahia: “Uma apuração bem feita serve para os quatro veículos. Ela é feita pensando no impresso que é mais refinado e depois vai para os outros três veículos: webtv, rádio web e site. O fato não muda, o que muda é a linguagem”, opina Senna.

“Uma forma do estudante está preparado para lidar com o mercado é se empenhar em todas as modalidades, aproveitando todas as oficinas” aconselha o jornalista ressaltando a importância das matérias práticas para os estudantes de Jornalismo, como forma de alcançar maturidade na abordagem dos fatos.

Já Felipe Barbalho, que afirma só ter trabalhado com jornalismo digital, tem opinião semelhante: “Jornalista mutimidia não é novidade. O que é novo é uma plataforma única de apresentação da informação: a internet”. E por isso que, para se inserir e se manter no mercado, o estudante ou profissional precisa conhecer e dominar as ferramentas tecnológicas disponíveis; ter noções básicas e saber transitar entre todas as mídias, sem esquecer das competências necessárias ao exercício da profissão. Giácomo Mancini conclui: “Se não tiver informação, se não souber fazer, se não se especializar, não se insere. Quem está preparado e tem talento vai ter espaço sempre”.

O evento permitiu que o público interagisse com os convidados da mesa através de quatro rodadas de perguntas, sendo que uma delas dedicou-se a questionamentos do público internauta, que acompanhou a transmissão on-line através do twitcam, twitter, e do blog do ciclos. A próxima edição do evento acontece no dia 29 de junho e o assunto a ser abordado é o jornalismo móvel.

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