Futebol e praia: uma combinação quase perfeita

- 11/12/2011

Com o Sol e o calor do verão, aumentam o número de peladeiros nas praias

Por Luan Santos e Lucas Leal

Foto: Lucas Leal

O Brasil é o país do futebol. Esta afirmação pode ser comprovada por diversos exemplos. Crianças, desde cedo, querem ser atletas profissionais, a emoção das pessoas durante a Copa do Mundo ou estádios lotados por todo o país, são provas disso. Mas esta paixão pelo esporte é tão grande que os brasileiros a transportaram para as areias.

Segundo historiador e mestre em história social Paulo Donadio, os famosos “babas” de praia já aconteciam desde a década de 20 do século passado. Em 1927 surgiu a primeira organização dedicada a esta modalidade de futebol no Rio de Janeiro, a Liga de Amadores de Foot-ball na Praia. A prática ganhou proporções tão grandes que, em 1992, o que era apenas o lazer de muitas pessoas nas praias, virou esporte profissional.

Hoje, o futebol de areia é disputado profissionalmente por cinco jogadores de linha e um goleiro em cada time. Os jogos são disputados em três períodos de 12 minutos de bola rolando. A bola costuma pesar entre 400 e 440 gramas e o campo normalmente tem entre 35 e 37 metros de comprimento e 26 e 28 metros de largura.

Mas quem liga para todas essas regras? Bom, os profissionais que disputam jogos oficiais, como o campeonato brasileiro e o mundial de futebol de areia certamente ligam. Porém, para os atletas de fim de semana, ou até mesmo aqueles que vão à praia eventualmente, essas regras de nada servem.

“A gente joga do nosso jeito. Pegar o baba aqui é mais que lazer, é um hábito e não jogamos para ser profissionais, apenas para nos divertir”, responde Rafael Valadares, quando interrogado sobre as regras do futebol de areia.

Rafael, junto com seu irmão Eduardo Valadares, o famoso Duda, atacante que joga em todas as posições, conhecido “por suas pernas tortas”, como diz o irmão, jogam na praia há mais de 15 anos. “Na verdade só eu jogo. Duda vem para cá só fazer vergonha, mas bola que é bom, não joga nada”, brinca Rafael, que é mais novo que Eduardo. O irmão mais velho se defende. “Ele só fala, mas não joga nada. O pouco que joga, deve a mim, que o ensinei”, brinca.

A família Valadares joga nas praias soteropolitanas, segundo Eduardo, desde a época em que seu pai e tios jogavam, há cerca de 30 anos. Para dar continuidade à tradição da família nos campos de areia soteropolitanos os tios resolveram levar o sobrinho, Matheus Valadares, 20 anos, para jogar. “Apesar de ser muito cansativo, jogar na areia é melhor, pois tem o ‘marzão’ do lado para aproveitar quando a temperatura está muito alta”, confessa.

Prevenção – Em relação à proteção contra os danos que os raios solares podem causar à saúde, os atletas da família Valadares dizem que utilizam apenas protetor solar. “Quando ficamos com muito calor, vamos ao mar e tomamos um banho. Resolve o problema”, afirma Eduardo. Eles costumam jogar das 10 horas até o meio-dia.

Segundo a dermatologista Fabíola Costa, este não é o horário mais adequado para a prática do futebol de areia com exposição ao Sol. A médica indica que das 10h às 15h seja evitada a exposição às radiações ultravioletas, mesmo com a utilização de protetor solar. Outra medida preventiva, sugerida pela dermatologista, que os atletas não cumprem é a utilização de protetor solar a cada duas horas, ou após a prática esportiva ou banho de mar.

Além da proteção contra os raios solares, o educador físico Humberto Santos Filho alerta ainda para o perigo da prática esportiva sem aquecimento prévio e que comecem a praticar o esporte de uma forma mais branda. Neste ponto, os atletas da família Valadares seguem as instruções. Além de praticarem outras atividades durante a semana, como corrida, eles fazem aquecimento e alongamento antes do início dos “babas”.

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