Projeto colaborativo mapeia pontos Wi-Fi em Salvador

- 13/12/2011

Levantamento feito por grupo de pesquisa da Facom/UFBA é o maior e mais completo para uma cidade do Brasil, com 123 pontos identificados

Por Gabriel Simões e Lucas Albuquerque

O Projeto Wi-Fi Salvador começou em 2007, uma ideia surgida entre os membros do Grupo de Pesquisa em Cibercidade (GPC) da Faculdade de Comunicação da UFBA, liderado por André Lemos, pós-doutor e especialista em cibercultura. Inicialmente, a proposta experimental era produzir mapas abertos e colaborativos que indicassem os pontos de internet Wi-Fi espalhados pela capital.

Pontos Wi-Fi mapeados em Salvador. Créditos: https://blog.ufba.br/wifisalvador/

À época, já havia um debate sobre o acesso à internet sem fio e todas as implicações que isso teria no uso da web pelas pessoas. Até então, Salvador não tinha nenhum tipo de registro dos lugares que possuíam conexão rápida e gratuita à Internet através dos chamados hotspots. André Lemos explica que a ideia de se criar mapas colaborativos só foi possível com o advento dos mapas digitais, a exemplo do Google Maps: “Com os mapas digitais, temos a possibilidade de criar qualquer tipo de relação cartográfica com o lugar que vivemos e isso gera uma relação específica com o espaço que nos circunda”.

 

 

A proposta inicial era deixar o mapa aberto e colaborativo para que as pessoas enviassem, por e-mail, locais que possuíssem acesso Wi-Fi à rede. Porém, essa dinâmica de funcionamento não deu certo, pois era muito trabalhosa e tomaria muito tempo dos colaboradores. “O que importa, no fundo, é a informação local. Quando alguém estava em um determinado lugar e detectava a conexão ­Wi-Fi, teria que de alguma forma se lembrar do projeto e enviar um e-mail. Isso era muito complicado”, explica André. A solução foi realizar o mapeamento paulatinamente por conta própria.

Entrevista com André Lemos. Foto : Lucas Albuquerque

Pelo Twitter – Segundo André Lemos, com a chegada dos microblogs e a larga expansão do uso das redes sociais, a colaboração se tornou mais fácil: “Através do Twitter, basta a pessoa dizer a localização do hotspot e acrescentar a hashtag do nosso projeto. Tínhamos pessoas responsáveis por esse monitoramento e o mapa cresceu muito.” Atualmente, o mapeamento das zonas Wi-Fi de Salvador é o maior e mais completo do Brasil, com 123 pontos mapeados (de acordo com artigo de André Lemos, ainda no prelo), mesmo existindo sites profissionais em São Paulo e no Rio de Janeiro que desempenham a mesma função.

 

O mapeamento dos pontos obedece a uma lógica que facilita a identificação do local e da natureza do acesso. Os pontos podem ser pagos, gratuitos ou domésticos e correspondem às cores vermelha, verde e amarela, respectivamente. Os pontos pagos e gratuitos, na maioria das vezes, são proporcionados pela iniciativa privada que fazem do acesso à internet um atrativo comercial. É o caso, por exemplo, dos shoppings, das livrarias, cafés e hotéis. Em Salvador, alguns dos pontos gratuitos são os 62 totens instalados por empresas privadas que participaram de licitação realizada pela prefeitura. Eles possuem indicadores de Fator de Proteção Solar (FPS) e câmeras que são ligadas à Secretaria de Segurança Pública, além de oferecerem conexão Wi-Fi. O problema é que esses hotspots, além de muitas vezes estarem com defeito, situam-se em locais que não oferecem uma estrutura adequada para o uso da internet, seja por falta de mesas e cadeiras ou pela ausência de segurança.

“O pior é o problema da violência. Usar um laptop, dada a situação caótica da segurança na cidade, é se arriscar muito. O mesmo acontece com os poucos ônibus que têm Wi-Fi, ninguém vai se arriscar a usar um computador e correr o risco de ser roubado”, observa Lemos. Ele completa, afirmando que a geração de sinal deve ser associada a uma boa infraestrutura de uso, ou seja, tem que ser em um local seguro no qual se possa usar o equipamento tranquilamente. Curiosamente, o único ponto doméstico no mapa – necessita ser aberto para ser marcado – está na Rua Alto da Alegria, no bairro de Amaralina. A pessoa que contribuiu com a marcação do ponto no mapa faz uma observação: “Conexão aberta e gratuita, mas o bairro é perigoso”.

Para colaborar com o projeto, basta o usuário enviar uma mensagem para @wifi_salvador ou utilizar a hashtag #wifi_salvador indicando um novo ponto de acesso. Acesse aqui o blog do Projeto Wi-Fi Salvador.

 

Veja a entrevista com André Lemos na íntegra:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=NcOq7_fNO5s&list=UUuyRovcn9c7BtLdBB5AhRTg&feature=plcp]

 

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